A esquerda brasileira é burra,
chata, atrasada, mesquinha, populista, utópica, pé-sujo.
Do xarope do Babá aos estudantes de Ciências Socias
que entopem as nossas universidades públicas para repetirem
o discurso de 68 de alguns de seus professores, a turma da esquerda
está atrasada. Ideologicamente, ignoram as atrocidades que
a utopia do comunismo causou. No discurso, não querem o modelo
soviético ou cubano. Mas o mundo desejado por esse pessoal
é uma espécie de Revolução Russa com
outro nome em outro lugar. Intelectualmente, pararam na sétima
série. Eu, na sétima série, queria entrar para
a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas, queria soltar
bomba na embaixada norte-americana, gostava de Cuba e torcia o nariz
ao ouvir falar em abertura de mercado. Esse pessoal, universitário,
continua na sétima série, com seus broches do PSTU,
seu papinho na cantina, ouvindo o senil mestre da faculdade pública.
Não faltam, é claro, as piadinhas internas sobre a
burguesia, sobre a alienação de todo resto dos estudantes,
de todo resto do Planeta Terra que está cometendo um crime
ao não se botar um boné vermelho e se juntar ao senhor
Stédille.
Politicamente, o governo Lula está aí
e não me deixa mentir. Tenta equilibrar o modelo econômico
sacana do FMI com o tradicional manual econômico dos populistas
da América Latina. O resultado é um Frankestein retalhado,
de meia política liberal, meia política de esquerda,
em que as opções costumam ser as piores tanto para
um lado como para o outro.
Pois bem, se temos a esquerda estúpida de
um lado, do outro está uma turma igualmente desprezível.
Os “neoconservadores” proliferam em seus blogs, sites
e por aí vai. Dê uma pesquisada no google e veja por
si só, digno abacaxinauta. Eles estão aí aos
montes. Um no favorito do outro. Paulo Francis, o escolhido desse
pessoal, coraria de vergonha. O controverso Olavo de Carvalho iria
ralhar com seus meninos se lêsse o que andam escrevendo. Roberto
Campos emprestaria alguns livros de sua biblioteca.
Enfim, a constatação é simples.
Se os novos representantes intelectuais da nossa direita são
esses aí, a direita emburreceu. O povinho dos blogs, dos
sites, tenta mal e porcamente parecer um José Guilherme Merquior
muderninho, com ares de perseguidos pela terrível repressão
política do governo Lula. Não passam, no entanto,
de ignorantes de pai e mãe, que não sabem nada de
história. Vangloriam-se de serem de direita mas fazem uma
confusão dos diabos na terminologia. Confundem liberal, aristocrata,
burguesia, conservador, capitalista. Um dos mais espertos dessa
turma orgulha-se de seu sobrenome aristocrático e coloca
em sua página uma curiosa imagenzinha do que parece ser a
representação de um conde, duque, de qualquer coisa
que remeta a mais alta casta européia. Defende ainda o livre
mercado, o lucro e a burguesia, sem imaginar talvez que ao usar
o brochezinho de lorde, seus antepassados de sangue azul seriam
enforcados nas suas tripas aristocráticas na Europa dos séculos
XVIII e XIX. E o autor do crime seria algum piedoso burguês,
um gordo comerciante lado a lado do mais típico representante
da plebe, reclamando seu lugar na nova ordem mundial.
E por aí vai. Dizem ser liberais, mas vão
a missa todo domingo. São conservadores, mas defendem o estado
mínimo e daí por diante. É o que acontece quando
grupinhos de meninos da elite passam a ler o Globo de sábado.
Se
a esquerda tem emburrecido, a direita despencou. E aí, nobre
leitor, eu fico com os das antigas que aprenderam a navegar. Fico
com o Nego Pessôa (www.negopessoa.com.br),
o liberal mais liberal da terrinha que já era incendiário,
iconoclasta, quando o pessoalzinho ainda tinha as fraldas trocadas
pela mamãe. Você pode não concordar com o que
o Nego diz, mas vai gostar de ler. Quanto aos meninos da direita
que perderam a namorada para algum barbudo com camiseta do Che Guevara,
deixo o trabalho para o meu amigo Zé Marcos e seu Mujique
(www.omujique.blogger.com.br),
patrocinado pelo grande governo chinês, pelos democratas e
por uma rede de Ong’s milionárias da esquerda.
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