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Beagá, 14 de junho de 2004 d.C.
 
A cretinice não escolhe ideologia
Por Henry Chinaski
 

A esquerda brasileira é burra, chata, atrasada, mesquinha, populista, utópica, pé-sujo. Do xarope do Babá aos estudantes de Ciências Socias que entopem as nossas universidades públicas para repetirem o discurso de 68 de alguns de seus professores, a turma da esquerda está atrasada. Ideologicamente, ignoram as atrocidades que a utopia do comunismo causou. No discurso, não querem o modelo soviético ou cubano. Mas o mundo desejado por esse pessoal é uma espécie de Revolução Russa com outro nome em outro lugar. Intelectualmente, pararam na sétima série. Eu, na sétima série, queria entrar para a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas, queria soltar bomba na embaixada norte-americana, gostava de Cuba e torcia o nariz ao ouvir falar em abertura de mercado. Esse pessoal, universitário, continua na sétima série, com seus broches do PSTU, seu papinho na cantina, ouvindo o senil mestre da faculdade pública. Não faltam, é claro, as piadinhas internas sobre a burguesia, sobre a alienação de todo resto dos estudantes, de todo resto do Planeta Terra que está cometendo um crime ao não se botar um boné vermelho e se juntar ao senhor Stédille.

Politicamente, o governo Lula está aí e não me deixa mentir. Tenta equilibrar o modelo econômico sacana do FMI com o tradicional manual econômico dos populistas da América Latina. O resultado é um Frankestein retalhado, de meia política liberal, meia política de esquerda, em que as opções costumam ser as piores tanto para um lado como para o outro.

Pois bem, se temos a esquerda estúpida de um lado, do outro está uma turma igualmente desprezível. Os “neoconservadores” proliferam em seus blogs, sites e por aí vai. Dê uma pesquisada no google e veja por si só, digno abacaxinauta. Eles estão aí aos montes. Um no favorito do outro. Paulo Francis, o escolhido desse pessoal, coraria de vergonha. O controverso Olavo de Carvalho iria ralhar com seus meninos se lêsse o que andam escrevendo. Roberto Campos emprestaria alguns livros de sua biblioteca.

Enfim, a constatação é simples. Se os novos representantes intelectuais da nossa direita são esses aí, a direita emburreceu. O povinho dos blogs, dos sites, tenta mal e porcamente parecer um José Guilherme Merquior muderninho, com ares de perseguidos pela terrível repressão política do governo Lula. Não passam, no entanto, de ignorantes de pai e mãe, que não sabem nada de história. Vangloriam-se de serem de direita mas fazem uma confusão dos diabos na terminologia. Confundem liberal, aristocrata, burguesia, conservador, capitalista. Um dos mais espertos dessa turma orgulha-se de seu sobrenome aristocrático e coloca em sua página uma curiosa imagenzinha do que parece ser a representação de um conde, duque, de qualquer coisa que remeta a mais alta casta européia. Defende ainda o livre mercado, o lucro e a burguesia, sem imaginar talvez que ao usar o brochezinho de lorde, seus antepassados de sangue azul seriam enforcados nas suas tripas aristocráticas na Europa dos séculos XVIII e XIX. E o autor do crime seria algum piedoso burguês, um gordo comerciante lado a lado do mais típico representante da plebe, reclamando seu lugar na nova ordem mundial.

E por aí vai. Dizem ser liberais, mas vão a missa todo domingo. São conservadores, mas defendem o estado mínimo e daí por diante. É o que acontece quando grupinhos de meninos da elite passam a ler o Globo de sábado.

Se a esquerda tem emburrecido, a direita despencou. E aí, nobre leitor, eu fico com os das antigas que aprenderam a navegar. Fico com o Nego Pessôa (www.negopessoa.com.br), o liberal mais liberal da terrinha que já era incendiário, iconoclasta, quando o pessoalzinho ainda tinha as fraldas trocadas pela mamãe. Você pode não concordar com o que o Nego diz, mas vai gostar de ler. Quanto aos meninos da direita que perderam a namorada para algum barbudo com camiseta do Che Guevara, deixo o trabalho para o meu amigo Zé Marcos e seu Mujique (www.omujique.blogger.com.br), patrocinado pelo grande governo chinês, pelos democratas e por uma rede de Ong’s milionárias da esquerda.

 
Henry Chinaski é jornalista, um exemplo de profissional sério e sóbrio. E está procurando emprego. Enquanto não arruma, manda lá de Curitiba sinais de vida para o ABACAXI ATÔMICO. E-mail: chinaski@abacaxiatomico.com.br.

 

 

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