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Beagá, 22 de março de 2004 d.C.
 
Deixem a Britney em paz
Por Henry Chinaski
 

Tá vai lá, vai lá, vou posar de advogado do Diabo mais uma vez. Não sei porque tanta implicância com Britney Spears e afins. Ora, é só colocar as coisas em seu devido lugar. Britney e cia fazem música pop, pop, para vender, aparecer na MTV, colar na lata de adolescentes, simples. E parte delas faz isso muito bem. Quando a garota Spears entra no estúdio, entra cercada de gente que não é boba: produtores, técnicos, músicos bons pra c****** que montam a música da garota. E, vai lá, me expulsem do site, mas algumas músicas são legais - legais, eu disse! Bobas, ordinárias, mas assobiáveis e legais. Músicas que eu escutaria se fosse uma garota de 12 anos (me compliquei nessa). Não tenho tido tempo para assistir MTV, mas lembro de algumas músicas bastante bacanas da Britney, "Hit me Baby One More Time", por exemplo, é uma música bem interressante. A versão do Travis, aliás, é muito foda.

A história da Britney remete à história da Madonna. Hoje a loira quarentona tem até um lado cult ganho talvez com a idade ou no casamento com o Guy Ritchie, mas no final dos 80 era tão fácil falar da Madonna, talvez a personalidade mais representativa do pop, ao lado de Michael Jackson. Madonna fez músicas muito, muito bacanas, dignas de respeito para qualquer pessoa minimamente consciente do que é cultura pop, sem os ranços e as birras de certa parte da turminha britânica brasileira.

Na verdade, a Regina diz que seu texto nasceu a partir daquelas manifestações dos movimentos feministas que lutam contra a "exploração da sensualidade feminina" e pela “valorização da mulher”. Afinal, Britney, Beyonce, entre outras, vendem uma imagem, são manipuladas pela gravadora, cantam mal e fazem apologia da erotização feminina... Vamos pensar que todas essas premissas são verdadeiras e que mostram o quanto as mulheres fazem coisas de baixo nível, como fazem besteiras na TV.

Apenas esse pensamento é mais danoso para as mulheres que todas as powers gilrs juntas. Ou eu estou enganado ou TV é a coisa mais massificada do mundo, e a MTV representa a parcela jovem dessa massificação. Nada mais normal que a emissora mandar bala em uma programação massificada, comercial, feita para vender discos e por aí vai. Essa programação vai desde o rock de bermuda menino macho classe média dos Tihuanas brasileiros aos rappers comedores e cheios da grana americanos, passando pelas gostosas cantoras desse Rytmin and Blues erótico.

E aí eu pergunto: qual o problema? As mulheres não podem? É isso? O direito ao mundo "in" das paradas está reservado aos homens, as mulheres não podem mostrar o corpo, não têm o direito de cantar mal, de fazer música para vender e de ganhar dinheiro no mainstream? Os homens podem chamá-las de cachorras, bater nas bundinhas, dizer que fumam muita erva e encher o rabo de grana. Eles são homens. As mulheres não. Todas têm que ter personalidade, pensar, fazer música boa. Isso, por si só, é uma baita de uma descriminação. Até porque sem o "ruim" não temos o bom. Se temos as powers girls de um lado, temos Patty Smith, PJ Harvey, Kim Deal, Beth Gibbons de outro. Simples assim. Democrático assim. Querer forçar um padrão de qualidade feminino produziria um exército de Pittys na MTV, do tipo "eu faço rock, eu tenho personalidade, eu não me vendo ao sistema”, provavelmente o sonho de mundo ideal das feministas. Deixem a Britney em paz, pelo bem da música pop.

 
Henry Chinaski é jornalista, um exemplo de profissional sério e sóbrio. E está procurando emprego. Enquanto não arruma, manda lá de Curitiba sinais de vida para o ABACAXI ATÔMICO. E-mail: chinaski@abacaxiatomico.com.br.

 

 

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