Tá
vai lá, vai lá, vou posar de advogado do Diabo mais
uma vez. Não sei porque tanta implicância
com Britney Spears e afins. Ora, é só colocar
as coisas em seu devido lugar. Britney e cia fazem música
pop, pop, para vender, aparecer na MTV, colar na lata de adolescentes,
simples. E parte delas faz isso muito bem. Quando a garota Spears
entra no estúdio, entra cercada de gente que não é
boba: produtores, técnicos, músicos bons pra c******
que montam a música da garota. E, vai lá, me expulsem
do site, mas algumas músicas são legais - legais,
eu disse! Bobas, ordinárias, mas assobiáveis e legais.
Músicas que eu escutaria se fosse uma garota de 12 anos (me
compliquei nessa). Não tenho tido tempo para assistir MTV,
mas lembro de algumas músicas bastante bacanas da Britney,
"Hit me Baby One More Time", por exemplo, é uma
música bem interressante. A versão do Travis, aliás,
é muito foda.
A história da Britney remete à história
da Madonna. Hoje a loira quarentona tem até um lado cult
ganho talvez com a idade ou no casamento com o Guy Ritchie, mas
no final dos 80 era tão fácil falar da Madonna, talvez
a personalidade mais representativa do pop, ao lado de Michael Jackson.
Madonna fez músicas muito, muito bacanas, dignas de respeito
para qualquer pessoa minimamente consciente do que é cultura
pop, sem os ranços e as birras de certa parte da turminha
britânica brasileira.
Na
verdade, a Regina diz que seu texto nasceu a partir daquelas manifestações
dos movimentos feministas que lutam contra a "exploração
da sensualidade feminina" e pela “valorização
da mulher”. Afinal, Britney, Beyonce, entre outras, vendem
uma imagem, são manipuladas pela gravadora, cantam mal e
fazem apologia da erotização feminina... Vamos pensar
que todas essas premissas são verdadeiras e que mostram o
quanto as mulheres fazem coisas de baixo nível, como fazem
besteiras na TV.
Apenas esse pensamento é mais danoso para
as mulheres que todas as powers gilrs juntas. Ou eu estou enganado
ou TV é a coisa mais massificada do mundo, e a MTV representa
a parcela jovem dessa massificação. Nada mais normal
que a emissora mandar bala em uma programação massificada,
comercial, feita para vender discos e por aí vai. Essa programação
vai desde o rock de bermuda menino macho classe média dos
Tihuanas brasileiros aos rappers comedores e cheios da grana americanos,
passando pelas gostosas cantoras desse Rytmin and Blues erótico.
E aí
eu pergunto: qual o problema? As mulheres não podem? É
isso? O direito ao mundo "in" das paradas está
reservado aos homens, as mulheres não podem mostrar o corpo,
não têm o direito de cantar mal, de fazer música
para vender e de ganhar dinheiro no mainstream? Os homens podem
chamá-las de cachorras, bater nas bundinhas, dizer que fumam
muita erva e encher o rabo de grana. Eles são homens. As
mulheres não. Todas têm que ter personalidade, pensar,
fazer música boa. Isso, por si só, é uma baita
de uma descriminação. Até porque sem o "ruim"
não temos o bom. Se temos as powers girls de um lado, temos
Patty Smith, PJ Harvey, Kim Deal, Beth Gibbons de outro. Simples
assim. Democrático assim. Querer forçar um padrão
de qualidade feminino produziria um exército de Pittys na
MTV, do tipo "eu faço rock, eu tenho personalidade,
eu não me vendo ao sistema”, provavelmente o sonho
de mundo ideal das feministas. Deixem a Britney em paz, pelo bem
da música pop.
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