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Beagá, 20 de outubro de 2003 d.C.
 
My Bloody Valentine - Loveless
Por Henry Chinaski
 

Escrever sobre certas bandas é perigoso. Você corre o risco de parecer óbvio demais para os fãs e inelegível para quem não conhece o grupo. Escrevo do My Bloody Valentine e acho que o risco vale a pena. Se alguma alma leitora desse espaço se dignar a procurar alguma coisa deles na internet, para mim está de bom tamanho. Se eu parecer repetitivo para os indies candidatos a Kevin Shields, paciência. Vamos nós.

O grupo surgiu a partir de amigos entediados com o frio e com a chatinha Dublin. O nome veio de um filme B e as primeiras gravações trazem uma mistura de rock gótico e punk parecido com Cramps. É com a entrada da guitarrista e vocalista Bilinda Butcher que o som do grupo se define. Eles lançam o álbum Isn't Anything e causam um misto de admiração e estranheza na mídia e no público, mas é em Loveless que a banda atinge o auge. Vocais quase inaudíveis, guitarras sujas, sujas e lentas, bateria e baixos climáticos lembrando por vezes Cocteau Tiwns, Velvet e Jesus. A mistura produz climas soturnos, introspectivos em verdadeiras muralhas de barulho. Loveless é a afirmação de um som completamente inovador. A postura tímida-blasé da banda origina o rótulo "shoegazer" (aquele que olha para os próprios pés).O My Bloody ganha milhares de seguidores em todo mundo e o estilo Kevin Shields de tocar torna-se referência para centenas de bandas. Depois de Loveless, o grupo entra em ostracismo e Shields contribui com algumas coisas no Primal Scream. Os fãs falam em volta mas os boatos não se confirmam. A banda acaba, mas o legado dos garotos de Dublin não.

"Only Shallow": início pesado. Cartão de visitas de Kevin Shields que abusa de distorção e alavanca. Primeira música de um disco que misturou Jesus e Velvet e fez da mistura algo tão brilhante quanto os originais. Coloque bem alto e provoque os ouvidos de seu irmão fã de hardcore melódico.

"Loomer": a guitarra inicial parece Sonic Youth fase Evol. Depois entra o vocal característico de Blinda e os barulinhos de Shields.

"Touched": 56 segundos de estranhamento. Dá a impressão que saiu de algum disco do Pink Floyd.

"To Here Know When": uma das mais difíceis e anticomerciais. A muralha de guitarras entra no seu ouvido e arranha seu cérebro. "Vire sua cabeça e volte aqui quando souber".

"When you Sleep": "When I look at you. Oh, I dont know what's (true). Once in a while. And you make me laugh". Uma das melhores bases de Kevin Shields. Uma das minhas preferidas. Dá pra dançar e, de vez em quando, até toca nos bares alternativos aqui de Curitiba.

"I Only Said": a primeira música que eu escutei do My Bloody. Até gostei das guitarras, mas tive de perguntar por que a vocalista cantava tão baixo. Hoje, é uma das minhas preferidas.

"Come in Alone": Kevin Shields mostra porque é Kevin Shields. Introdução típica do My Bloddy Valentine. Em um documentário do Eurochannel sobre o Blur, Graham Cox, ex-guitarrista da banda, dizia ser um purista indie que queria tocar guitarra como Kevin Shields. Essa música explica porque o Blur ficou tão chato sem Graham.

"Sometimes": balada única. Final arrepiante com camadas de guitarras, baixo distorcido e o característico vocal sussurrado.

"Blow a Wish": uma da melhores letras do disco. "Shoegazer" até a medula. "When you (come down) blue. But I do, I do, I do. Oh, I come back to the one who calls my name out. What you want? Let me know that I'm alive. Then I go back to you. And then you make (him go inside)".

"What you want": mais agressão sonora. Tente contar quantas guitarras tem na música. Tente adivinhar o que é guitarra, o que é backing.

"Soon": para fechar o único, inovador e indispensável Loveless. O único clipe que eu vi deles na MTV. Letra simples e linda. "Wake up. Don't fear. I want to love you".

 
Henry Chinaski é jornalista, um exemplo de profissional sério e sóbrio. E está procurando emprego. Enquanto não arruma, manda lá de Curitiba sinais de vida para o ABACAXI ATÔMICO. E-mail: chinaski@abacaxiatomico.com.br.

 

 

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