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É uma
constatação meio deprimente. Cruel até. Mas a historinha do toda
merda tem um lado bom guarda lá alguma verdade. Estou eu em casa,
segunda-feira, sem muito o que fazer e sem muita vontade de fazer
o que deveria fazer. Toca o telefone e mais uma operadora telefônica
me oferece o melhor serviço de ADSL do planeta. Segundo a mocinha,
eu vou voar na rede, pagando muito pouco, com débito em conta apenas
no terceiro mês e mais não sei quanto de espaço para e-mail, serviço
de vídeo-conferência e assistência técnica 24 horas. Não consigo
nem memorizar todas as vantagens que eu vou ganhar.
O treinamento
desses operadores de telemarketing deve ser mesmo fantástico. Ela
meio que acaba e pergunta se eu estou interessado. Digo que não.
Ela pergunta se tenho computador. Digo que sim. Ela pergunta se
já tenho conexão. Digo que tinha e acabo a conversa. "Não tenho
dinheiro. Estou desempregado". Ela dá uma risadinha sacana e me
deseja sorte. Pede para que eu guarde um número e ligue assim que
tiver arranjado um emprego. Obviamente não guardo o telefone. Desligo
e penso que descobri uma tática infalível para afugentar os rapazes
e moças do telemarketing. Devo agradecer a meu estado de desempregado.
Afinal, se eu falasse que não tinha dinheiro apenas, não colaria.
Por mais irrisório que fosse o meu salário, a vendedora insistiria
e inventaria um super-ultra desconto tão fora de série que eu me
obrigaria a aceitar. Estando desempregado, o papo se encerra.
Talvez
devido a um respeito moral ou a alguma convenção judaico-cristã
que desconheço. "Ele tá fodido mesmo", deve pensar a mocinha. A
tática já deu certo em três vezes anteriores. Em uma das amostras
mais absurdas de cara-de-pau do mundo, me ligam da American Express
às 21h de sábado. A vontade imediata é mandar o cara tomar no XXXXX,
mas logo contorno a situação com um "estou desempregado". Nesse
caso, o vendedor fugiu ainda mais rápido. Foi como se a situação
tivesse se invertido e ele tivesse ficado com medo de que eu insistisse
pra ter o cartão mesmo desempregado. Será? Isso eu ainda não descobri.
Quem sabe, ficando mais três meses parado eu descubro. Talvez eu
arme uma situação e processe a empresa por propaganda enganosa.
Prometeram cartão de crédito independente da fonte de renda mas
não aceitaram desempregados. Ou até lá, o governo Lula consegue
estimular a geração de parte dos 10 milhões de empregos que ele
prometeu. Ou me chamam pra trabalhar no New York Times. Ou
da próxima vez que ligarem, vou direto ao ponto: "Não, não. Não
estou interessado em abrir conta aí. Mas tem vaga, por acaso?"

Errata:
na coluna sobre o Los Hermanos, eu escrevi que "Conversa de Botas
Batidas" encerrava o disco Ventura. Erro grosseiro. A última
música é "De Onde vem a Calma".

O Sukrilius
falou o eu que ia falar. A turma de jornalistas baba-ovo que endeusa
qualquer bandinha que aparece na NME aumenta a cada dia.
O hype em cima do Yeah Yeah Yeahs é coisa impressionante. Vi resenhas
dizendo que a atitude de palco da vocalista Karen e de outros integrantes
é comparável apenas a de Iggy Pop. Aham. Balançar a cabeça e cuspir
no público qualquer bandinha punk de Curitiba faz. E o som do Yeah
Yeah Yeahs é ruim, fake, do tipo "o produtor mandou e eu fiz assim".

Escute
isso!!!

Em
tempos de salvação do rock, com três trilhões de bandas surgindo
a cada minuto, escutar clássicos é sempre bom. Não, não vou falar
do Dire Straits: falo de Hold That Tiger do Sonic Youth,
cd ao vivo, importado, que comprei na minha boa fase de trabalhador
que ganhava hora extra. O disco está cheio de clássicos da banda
que mudou o conceito de noise no rock. Largue os Yeahs da vida e
ouça a sessão pancadaria com "Schizophrenia", "Tom Violence", "Brother
James" e "Death Valley 69". Algumas músicas ficam ainda mais dramáticas,
densas, ao vivo. Thurston Moore e Kim Gordon cantam como se nada
valesse a pena fora dos palcos e longe dos microfones. De quebra,
eles tocam quatro músicas do Ramones.

www.deprimeira.blogger.com.br
Eu, o colega Obdulio e mais alguns senhores escrevemos nesse espaço.
Pelo menos em teoria. Com pouco mais de uma semana já iniciamos
campanha para derrubar o Celso Roth, para eleger o Citadini vereador
e para rebaixar o Grêmio.
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