Então eu saí do meu emprego
na revista de cavalos. É, aquele trampo que eu fazia que
você normalmente ficava rindo no fim das minhas colunas e
pensando "nossa, que sujeito fracassado, esse deve ter uma
vida amarga e horrível". O amargo e horrível
eu não vou colocar em pauta, mas o resto é o seguinte:
minha vida nunca ficou tão ridícula frente aos meus
colegas que adoravam essas piadas sobre cavalos e suas inúmeras
relações com os símbolos capciosos da cultura
hipermoderna. Inclusive, se você quiser, pode mandar algumas
pro meu emeio, que (SIM), já está funcionando. Mas
eu acho que não daria muito certo, já que eu me demiti
do serviço de repórter eqüino, que, sim, pagava
bem um bocado, e arrumei um negócio muito mais bacana. Mas
isso eu não vou contar. Nem o porquê de largar uma
revista de cavalos. Enfim, paremos por aqui que isso já está
parecendo um blógue.
Realmente falando das coisas que tão rolando aí na
vida, eu não sei de vocês, mas parece que eu sou o
único nesse mundo que já viu o desenho Mission
Hill. É uma puta série engraçada, uma
espécie de Simpsons alternativo, ou seja, enquanto
Simpsons consegue parodiar todo estilo de vida que as pessoas
levam mas não gostam de levar - ou seja, o mundo pop antes
de "mundo pop" virar sinônimo de alternativo -,
Mission Hill faz piadas com toda essa coisa de rock underground,
intelectualóides, pseudo-intelectualóides, anti-pseudolointelectualóides,
ou seja, alguém com necessidade de ser diferente. Deixando
bem claro: Andy, o protagonista, é um cartunista fracassado,
que divide um apartamento com mais dois amigos e seu irmão
nerd. Andy é vizinho de dois pintores, um casal de gays,
é empregado de um cocainômano sem escrúpulos
e tem o cabelo azul. Mas o que é mais legal em tudo é
a animação, diferente do convecional e com um bocado
de influência daqueles HQ's undergrounds do Robert Crumb.
Enfim, o ponto que eu quero chegar é o tal: sim, provavelmente
eu sou o único telespectador desse negócio, que passava
uns 3 anos atrás na Warner, no horário de 11h30 da
noite de sexta-feira, e hoje em dia passa às 1h30 da manhã
no SBT. Invertendo os papéis: é, eu estou na lama.
Afogado até o pescoço. Quando você descobre
que pra se divertir realmente não bastam lugares com cadeiras
e cerveja, boates no subsolo, no sobresolo ou sinucas, alguma coisa
está errada. Lugar-comum horrível e besta. Alguma
coisa está errada desde que o primeiro homem-peludo viu o
monolito de pedra. E também, acredito, não tem nada
errado comigo. Mas sim com vocês, ridículos, que preferem
dançar músicas dos anos 80 ao invés de ficar
em casa vendo Misson Hill, muito mais legal.
Finalmente, partindo para o que interessa, só falta o Heavy
Metal. É, aquelas guitarras pesadonas, bumbos-duplos, cabelos
compridos crespos, caveiras e anéis. Deixe-me explicar mais
especificamente, tem a ver com um negócio que até
o pessoal daqui do Abacaxi escreveu nos últimos tempos: primeiro
foi o hard rock, que fez nerds-descolados de óculos de aro
grosso, cabelos partidos pro lado e camisas de botão se ridicularizarem
mais - se era possível - e virarem posers a ponto de usar
brilho e aqueles cintos com pedaços de metal horríveis.
E, agora que saiu Some Kind Of Monster, o fim está
próximo. Então amigo, Anthrax, Megadeth, Slayer, MetallicA
(destaque no A maiúsculo) e Pantera, sim, estarão
nos próximos Top 10 daquele cara estranho que discute absolutismo
no Primeiro Reinado na fila de cinema de Tiradentes. E só
uma coisa me resta de consolação: heavy metal vem
de berço. Se você não aprende, não adianta,
sua cara vai ficar que nem a da Menina
de Plástico. |