Este fim de semana eu fiz uma coisa
bem legal. Não, eu não conversei com extraterrestres
ou fiz sexo com trigêmeas. Eu simplesmente fui para a sala
e me deliciei como há muito tempo não fazia com o
incrível VAN HALEN I. Microfonias, riffs destruidores,
solos e mais solos e o mais importante: vontade de dirigir um Lamborghini
conversível vermelho na Califórnia com duas loiras
de biquínis estampados com a bandeira dos EUA.
Porque eu não me importo com músicas que me lembrem
de quanto eu sou insignificante para o planeta. Na verdade, algumas
até são bem legais, o que me faz lembrar que eu não
tenho nada contra elas. Eu tenho é contra aquelas pessoas
que viram para mim e falam:
- Mas o que é isso? Que coisa horrível! São
guitarras!
Antes de utilizar meu amplificador e estourar os tímpanos
do infeliz, para que nunca mais a música seja ferida por
interpretações tão equivocadas, leio meu agradável
discurso de trezentas e vinte cinco páginas sobre o assunto.
E ele começa assim: “Músicas com guitarras limpas
e sem solos fedem”.
Cá entre nós, ou entre os outros: guitarras limpas
não são guitarras. O negócio começa
a funcionar quando um cara pega e coloca o overdrive lá no
talo. Provavelmente, se o guitarrista do The Kinks, o mestre Hendrix
ou tantos outros não estivessem sacrificado seus amplificadores
para conseguirem chiados incrivelmente divertidos, não haveria
tantos decibéis bacanas no mundo.
Mas o importante de toda essa baboseira é deixar bem claro
o quanto o mundo está se engayzando e ficando cada vez mais
triste. Ou seja: as pessoas TÊM MEDO DE GUITARRAS. Hoje, quando
um moleque houve uma guitarra, ele grita, chora, esperneia. Não,
ele não quer ouvir um cara se contorcendo loucamente com
seu instrumento e extraindo dali notas e mais notas com mulheres
loucas a seus pés. Ele só quer um depressivo com um
violão falando sobre amores perdidos. E deixando bem claro
o quanto é um perdedor.
Então, vamos lá ao supra-sumo de todo esse raciocínio:
o quanto mais as pessoas renegam guitarras, o quanto mais o mainstream
for invadido por pianos, mais e mais perdedores serão considerados
gênios. E isso está muito errado. Fodão, na
minha época, era aquele cara que comia todo mundo e era preso.
Fodão, hoje, é o cara que perdeu a namorada. Ou seja:
eu, você, seu irmão e sua tia.
Bom, dá pra perceber que não é possível
funcionar um mundo onde caras como nós são considerados
heróis. Existirão mais e mais funcionários
públicos, os pedreiros não mais assobiarão
para as gostosas, e sim sentarão e chorarão a sua
inacessibilidade. Então, mexa esse seu traseiro gordo e vá,
correndo, proteger a sua família. Porque, como diria o gênio
mais gênio de todos, aquele mesmo, o do bigode: minha guitarra
quer matar a sua mãe!
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