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Beagá, 12 de setembro de 2000 d.C.

Benzetacil

Êh, Cabo Júlio!

Aqui em Beagá, não se fala em outra coisa: a renúncia do Cabo Júlio, candidato à prefeitura de Belo Horizonte. O ex-policial militar, líder da greve deflagrada em 1997, candidatou-se nas eleições do ano seguinte a uma vaga na Câmara Federal - e foi eleito deputado federal com mais de 200 mil votos (uau!), sendo o candidato mais votado em todo o estado de Minas Gerais.

O Cabo Júlio tentou uma aventura, dessa vez: candidatou-se a prefeito pelo seu partido, o PL, em coligação com o PFL. Nos debates entre os candidatos e na campanha, ficava latente sua inexperiência. Há menos de dois anos na política e já queria ser prefeito da terceira maior cidade do país? Meu, isso é que é dar um passo maior que a perna. Em terceiro lugar nas pesquisas, com cerca de 13% de intenções de voto, sua campanha não empolgava e ele não decolou. Na última sexta-feira, ele surpreendeu a todos renunciando à sua candidatura e dando seu apoio à candidatura do atual prefeito, Célio de Castro (PSB).

João Leite, candidato do PSDB, esperneou: depois de surpreso, ficou literalmente puto da vida com a atitude do Cabo. O temor é que seu apoio a Célio seja convertido em preciosos votos - e não é tão impossível a eleição ser decidida já no primeiro turno, vamos aguardar a próxima pesquisa. De qualquer maneira, João Leite se disse surpreso por Cabo Júlio apoiar o atual prefeito depois de atacá-lo, durante a campanha; e frisou o fato de Célio considerar Cabo Júlio como "candidato do Presidente Fernando Henrique Cardoso", por ter "boas relações" com FHC.

Mas a historinha que um passarinho me contou é a seguinte: Cabo Júlio renunciou alegando falta de dinheiro para prosseguir na campanha - e isso pode ter um fundo de verdade. Segundo um papo que já está rolando por aí, o presidente Fernando Henrique interveio junto a ACM para que o PFL de Minas parasse de investir dinheiro na campanha de Cabo Júlio, e passasse a apoiar João Leite. FHC quer, a qualquer custo, prefeitos eleitos por seu partido no sudeste; o Rio já está praticamente perdido, São Paulo vai ser complicado... BH é a grande aposta do Planalto. O apoio financeiro do PFL seria de grande importância para que João Leite virasse o quadro sucessório de BH, favorável, por enquanto, a Célio de Castro. Nessa brincadeira, o ex-policial ficou invocado e, sentindo-se traído pelo partido que compunha sua coligação, chutou o balde - renunciou à candidatura e deu seu apoio a Célio de Castro. Se isso for verdade, o tiro de FHC pode ter saído pela culatra.

Cajabis Cannabis é professor de história e sua coluna é atualizada às terças-feiras.

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