Beagá, Terça-feira, 27 de março de 2001 d.C.

Cajabis Cannabis
Cajabis Cannabis é professor de história e escreve neste espaço às terças-feiras.

Benzetacil
por Cajabis Cannabis

Impérios, imperadores e dominados

Ser colônia é complicado. Fazer o quê, na história da humanidade sempre houve dominadores e dominados. Não que eu esteja me conformando com isso, mas é que não vale a pena mesmo dar murro em ponta de faca. Nós, brasileiros, estamos por baixo nessa brincadeira. Vivemos sempre à espera de uma redenção que realize nosso sonho, que desperte este dinossauro "deitado eternamente em berço esplêndido" (odeio essa parte do hino nacional). Sonhamos com a realização suprema de nossas potencialidades, o momento em que finalmente entraremos na história pela porta da frente e nos apresentaremos ao teatro da humanidade com a faixa de país do presente.

Houve na história poucos impérios tão grandiosos em poder quanto o americano. O Império Romano era essencialmente europeu, e, assim mesmo, não se estendia a todas as fronteiras da Europa. Embora chegasse até grande parte do Oriente Médio, nunca conseguiu submeter os persas, por exemplo. E olha que os romanos tentaram várias vezes. Nessa mesma época, havia muitos impérios poderosos na Ásia. Séculos depois veio o império islâmico, que durou pouco tempo, seguido dos mongóis, que dominaram um território imenso entre os séculos XIII, XIV e XV, mais ou menos por aí. O império espanhol foi de grande opulência, mas entrou em declínio juntamente com a Coroa Espanhola - foram problemas dinásticos mil. O poderio naval dos holandeses foi notável...

Mas o grande império da história humana foi o inglês. A Inglaterra, pioneira na Revolução Industrial, reinou absoluta no século XIX até o princípio do século passado (ei, já estamos no século XXI!). Ao contrário de outras épocas, nenhum outro império ou reino ou o que quer que fosse lhe ousava fazer frente. A França "mandava" no continente europeu com o consentimento inglês; na verdade, a França sempre teve mais arrogância do que poder de fato. A Inglaterra sempre esteve muito mais interessada na América Latina e em suas colônias na África e na Ásia, deixando que os franceses acreditassem ter o papel de mantenedores da ordem dentro do continente. Esse equilíbrio de forças foi rompido com a ascensão da Alemanha, enquanto potência econômica, dentro do cenário político europeu. Daí, vieram as duas grandes guerras, que arrasaram a Europa e abriram o caminho para a preponderância americana no cenário mundial em nossos dias.

Como donos do mundo (ou quase isso) que são atualmente, os americanos ditam as regras e dão as cartas. Há alguns países que não dançam conforme a música americana (Cuba que o diga), mas é fácil perceber que, com o colapso da União Soviética e do Leste Europeu, os EUA se tornaram a única superpotência do planeta - o que será que significa esse termo? Uma potência com superpoderes? É, pode ser. A política externa de George W. Bush vem demonstrando que o Tio Sam não está para brincadeiras - "o que é bom para os Estados Unidos é bom para a economia mundial", afirmou recentemente o presidente norte-americano. Nós, brasileiros, sabemos disso... o pior é que esse presidente americano é tão imbecil que realmente deve acreditar no que diz. Sério.

Quais serão as grandes nações do futuro? Ah, o Brasil é o primeiro da lista! País do futuro sempre seremos, pelo visto... Alguns apostam que o grande país do século XXI será a China, que despertará depois de tantos séculos de submissão e crises; eu, pelo menos, acho que o Japão é um gigante abafado por duas bombas atômicas. Mas são apenas palpites... Nada na história é exato, muito pelo contrário.

Colunas anteriores

20/03: Disputa acirrada

13/03: Falta

06/03: Por que bajulam Carlinhos Brown?

20/02: Roberta

13/02: O futuro, esse mistério...

06/02: Uma retrospectiva do milênio (IV)

30/01: Uma retrospectiva do milênio (III)

23/01: Uma retrospectiva do milênio (II)

09/01: Uma retrospectiva do milênio (I)

02/01/2001: O milênio

26/12: Infeliz Natal

19/12: Brasil 2000: a insignificância perdura

12/12: Bola de cristal

05/12: Não é para rir...

28/11: Democracia e sistema eleitoral

21/11: A hipocrisia global