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Hoje
me aconteceu uma coisa meio gozada, que costuma acontecer com freqüência
mas com a qual não me acostumei. Estava conversando com um
conhecido meu e daí o assunto foi para... sexo. Papo vai,
papo vem, e o cara começou a me comentar sobre suas experiências
e também sobre um determinado fato - não vou dizer
o que foi... Bem, isso marcou muito sua vida, é o que posso
dizer.
O que
achei interessante foi sua atitude, de me contar coisas tão
íntimas com tamanha abertura, intimidade, desenvoltura. E
não é a primeira vez que isso me acontece, muito pelo
contrário. Como já disse, isso acontece com freqüência.
E por
que as pessoas se abrem dessa forma comigo? Resposta simples: porque
sou "psicólogo". Nem me formei ainda. Mas estou
revestido de uma "aura", uma "superioridade"
que as pessoas tendem a respeitar de uma maneira que, sinceramente,
me preocupa.
Será
uma carência afetiva? Uma vontade de saber das coisas que
se passam na cabeça de cada um? De ter certeza de que não
se é maluco?... O que será que um psicólogo
sabe que os pobres mortais não sabem? O que um psicólogo
pode saber mais sobre você que nem você mesmo saiba?
Quem deu a ele esse poder supremo? Essa imagem que muitas pessoas
têm dos psicólogos é perigosa.
Meus
queridos... Cuidado com psicólogos. Têm coisas que
eles fazem que nem Freud explica. Em primeiro lugar, são
seres humanos como eu, você e seu amado cachorro. Em segundo
lugar, muitas vezes são prepotentes, arrogantes, aproveitadores,
egoístas... e estúpidos. Sobe-lhes na cabeça
um sentimento de superioridade frente aos outros que assusta. Pensam
ser poderosos o suficiente para manipular ou salvar alguém
à beira do abismo.
Vou
dizer de novo: não afirmei que todos os psicólogos,
ou a maioria dos psicólogos, mas muitas vezes...
os psicólogos pisam na bola. Estou dizendo que todo o profissional
deveria seguir o código de ética (pululam psicólogos
fazendo "regressões a vidas passadas", entre outras
picaretagens proibidas pelo Conselho Regional de Psicologia), ter
humildade para reconhecer suas limitações e as limitações
da abordagem que segue. E ter respeito pelo paciente, acima de tudo.
Preocupa-me
a forma como vários de meus colegas se comportam, às
vezes com displicência, outras vezes com irresponsabilidade,
e até com safadeza, mesmo. Bem, acho que a crise é
geral, temos maus profissionais em todas as áreas... Culpa
da (de)formação universitária? Talvez. O fato
é que devemos nos precaver dos maus psicólogos, eu
e você. No seu caso, para manter sua saúde mental,
e quanto a mim para não queimar o meu próprio filme
e o da minha classe, por completo.
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