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Que
bom, essa guerra estúpida acabou. Bem, todas as guerras são
estúpidas... Talvez algumas sejam mais estúpidas ainda,
mas fica meio difícil mensurar. Afinal de contas, a guerra
é a derrota da diplomacia, do entendimento, da boa vontade.
É mais do que um mero confronto, é a tentativa de
o mais forte se impor, submetendo o mais fraco pela força.
A guerra é a derrota da civilização.
No
caso da Guerra no Iraque, a poeira vai se assentando aos poucos
e já dá pra fazer algumas análises. A primeira
é que qualquer tipo de análise pode estar completamente
furada. História não é algo previsível
e controlável, muito pelo contrário. A segunda: pode
parecer óbvio, mas está mais do que provado que essa
história de encontrar armas químicas e de destruição
em massa no Iraque era mesmo conversa pra boi dormir. Nada foi encontrado
até agora. Além disso, a rapidez com a qual o regime
de Saddam Houssein desmoronou assustou aos próprios americanos.
Esse era o poderio que ameaçava a região e a própria
segurança americana? Porque os iraquianos fiéis ao
ditador não se utilizaram das tais armas quando viram que
tudo estava perdido e não teriam mesmo chances frente ao
poderio bélico americano?
A guerra
foi motivada por interesses econômicos e políticos
relacionados ao petróleo. Mas não apenas ao controle
das reservas do Iraque, há algo mais: o controle de sua produção.
Os EUA querem mais do que simplesmente petróleo, querem petróleo
barato. Dou minha cara a tapa se o novo governo iraquiano (claro,
controlado pelos americanos) não se retirar da OPEP. É
claro que o farão. Petróleo barato não somente
para garantir o abastecimento norte-americano, mas também
para segurar o preço do dólar frente ao euro e impedir
que a cotação do petróleo se atrele à
moeda da Comunidade Européia, no momento mais forte que a
moeda americana. Por isso, não basta ter a posse das reservas
petrolíferas, há que se controlar também sua
produção e o preço de venda - daí podemos
esperar o que vai ser o governo iraquiano pós-Saddam: totalmente
vinculado aos Estados Unidos, assim como as ditaduras de Mubarak
no Egito e da família Assad na Arábia Saudita.
O controle
do Iraque serve para intimidar Irã, Síria e de quebra
a Líbia, além de reforçar a presença
americana na região do Oriente Médio. Se a rapaziada
do Bin Laden queria ver os ianques fora das terras sagradas, o que
aconteceu foi justamente o contrário, já que depois
do Onze de Setembro os EUA endureceram sua política com relação
ao restante do mundo, agindo de forma unilateral e levando em consideração
somente seus próprios interesses.
E pelo
visto, estão fazendo isso sem pensar nas conseqüências.
O controle do Iraque vai ser uma coisa bem mais complicada do que
foi a guerra. A imposição de um governo títere
dos EUA no país vai conseguir unir a população,
composta por um caldeirão de xiitas, sunitas e curdos? Acho
muito improvável. Uma democracia funcionaria nas condições
em que o Iraque se encontra? Também acho difícil que
isso venha a acontecer. Não duvido que os Estados Unidos
a médio prazo venham a patrocinar no país uma "democratura"
como hoje vive o Egito, país alinhado à sua política
e condizente com seus interesses. E depois os americanos ainda se
perguntam por quê o mundo os odeia tanto.
Além
disso tudo, é bom lembrar que a campanha para a reeleição
do Bush filho já começou. A economia americana vai
mal, mas os republicanos conseguiram aprovar uma redução
de impostos completamente maluca e mais gastos exorbitantes para
as operações militares no Iraque. As indústrias
armamentistas agradecem, enquanto o déficit público
norte-americano não pára de aumentar nesses anos de
governo Bush. Os investimentos externos e os pagamentos de dívidas
têm sido capazes de cobrir esse buraco, mas até quando?
Muitos também afirmam que a crise interna do país
ajudou a motivar a guerra, na medida em que as atenções
e preocupações do público americano se dirigem
para bem longe...

Essa
doutrina de ataques preventivos pode ser muito eficaz para convencer
a opinião pública americana de que estão muitos
seguros, mas até agora não prenderam o Bin Laden,
não acharam o Mulá Omar e o Saddam Hussein parece
que evaporou. Eita competência...

Pra
não dizer que eu só meto o pau na imprensa, a revista
Terra publicou uma matéria muito interessante este
mês sobre as guerras no desenrolar da história. Tirando
alguns números meio que chutados ("4 bilhões
de mortos em 5 mil anos de história", de onde tiraram
isso?), a reportagem é muito bem escrita e bastante concisa.
Fica o toque.
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