q

Página principal de Nossos Colunistas
Adicione o ABACAXI ATÔMICO aos seus Favoritos. Faça do ABACAXI ATÔMICO a sua página inicial. Cadastre-se!
Mande o seu recado!
Beagá, 14 de fevereiro de 2005 d.C.
 
Os melhores e os piores do cinema em 2004
Por Cajabis Cannabis
 

Sem muitas delongas, eis aqui minha listinha com os melhores e os piores filmes que assisti no ano que passou lançados ou simplesmente exibidos nos cinemas da capital do pão de queijo. É o terceiro ano que faço essa simpática lista, já que desde 2002 venho mantendo o saudável hábito de ir ao cinema pelo menos uma vez por semana - claro, quando as circustâncias o permitem.

Esta coluna é dedicada ao grande amigo Pablo Villaça, do Cinema em Cena, que é fã do ABACAXI ATÔMICO mas detesta minhas críticas cinematográficas, ré ré ré ré ré...

Os 20 Piores

Isso aí, pra manter a tradição vamos começar pelos piores. Sempre é mais divertido. Eu gosto de filme ruim, sabe? Claro, tem uns filmes ruins que são muito chatos e enfadonhos, mas tem cada filme ruim que é tão ruim, mas tão ruim que chega a ser bom e aí você dá boas gargalhadas enquanto assiste.

Claro que a lista está desfalcada. É o tal negócio: eu gosto de filme ruim, mas o meu dinheiro não é capim e meu tempo é deveras precioso pra eu perder tempo com bombas consagradas tipo Van Helsing, No Pique de Nova Iorque, As Branquelas (é esse o nome do filme?) entre outras pérolas. Em compensação, vi muito filme brasileiro ruim - o pódio da mediocridade este ano, aliás, é todo nacional, viva nóis! Mas veja bem, isso não quer dizer que eu tenha uma especial repulsa pelo cinema tupiniquim (antes que me perguntem, não, eu não vi Cazuza, estava morrendo de preguiça), isso só comprova que nós sabemos fazer tantos filmes ruins quanto os americanos fazem hoje em dia. Olga que o diga.

Vamos lá, então:

20
O Último Samurai

Depois de um começo promissor, o filme literalmente despenca na sua parte final. Daí perde completamente a noção do ridículo na seqüência clímax. Isso sem falar no final forçado.

19
Como Se Fosse a Primeira Vez

Outra idéia até boa desperdiçada. Se você não for exigente (aliás, se não ligar para finais absurdos e inverossímeis), corre até o risco de gostar. Mas o problema maior são as piadinhas escatológicas imbecis - em certo momento, uma foca vomita em um dos personagens. Coisa fina.

18
Cold Mountain

Ronc... ronc... zzz.zzz.z..z.z.z.z.z.z.z.z.z..z...z..z.z..z.zzz ..z.zzz..z.z..z.z. a.a.a..b..b.a.b..z.z..z.z. ronc... ronc... ronc..... ronc.... ronc ... ...aaa zzz.z.z.z.z.zz.zz.z.zzzz z..z.z.z z.z.z.z..z zzzzz..z.z.z z.z.z.z.z..z.zz z.z.z..z.z.zz.

17
Nina

Justiça seja feita, tecnicamente é excepcional, belo trabalho (fotografia, montagem, etc). Mas o roteiro é um lixo. Os personagens são uns idiotas, destacando-se a Nina, interpretada por Guta Stresser, que não passa de uma inútil freqüentadora de raves ("vivendo a agitada cena eletrônica de São Paulo", o Indiegesto iria dar gargalhadas nessa). O filme tenta vender a imagem de que ela está acima das outras pessoas por ser "uma pessoa extraordinária" (uma vagabunda que não trabalha, vai pra balada e se afunda nas drogas, é promíscua e neurótica? O que há de extraordinário nisso?) e bla bla bla, porque vê o mundo de outra maneira, bla bla bla. "Sensibilidade agudíssima e mente fragilizada" o cacete, essa mulher é uma idiota de pai e mãe, além de mau-caráter. Eu não caí na conversa fiada deste filme, pretensioso e cabeça.

16
Querido Estranho

Se fosse para a TV, daria mais certo. Este filme, baseado numa peça teatral (percebe-se), se parece mais com um episódio tipo teleteatro que a Globo fazia muito antigamente. Tem Daniel Filho, Suely Franco, Ana Beatriz Nogueira e Cláudia Netto no elenco, e eles seguram um pouco as rédeas. Não chega a aborrecer totalmente, mas é bem fraquinho, não comove, não emociona. Pra esquecer fácil fácil.

15
Os Esquecidos

Por falar em esquecer, que coisa hein! Difícil engolir essa palhaçada estrelada por Julianne Moore. Ela interpreta uma mãe traumatizada pela morte de seu filho. De repente, não mais que de repente, todas as pessoas em sua volta, inclusive seu psiquiatra (ixi, pior ainda) começam a negar que este filho sequer um dia tenha existido. As coisas começam a ficar ainda mais estranhas quando todas as lembranças da criança (fotos, vídeos e etc) desaparecem. Intrigante, né? Pois é. O problema é que ninguém deve ter sabido como arrumar direito esse balaio de gatos, daí inventaram uma das soluções mais estapafúrdias e absurdas que eu já vi...

14
A Sétima Vítima

Pelo visto, a onda agora do cinema espanhol é babar ovo para o mercado norte-americano. Com Os Outros pelo menos deu razoavelmente certo. Esse suspense bobo, repleto de clichês, confuso e sem graça é falado em inglês e traz Anna Paquin (a Vampira de X-Men) no elenco.

13
Anaconda 2

Eu falei que gosto de ver filmes ruins. Este aqui, como comédia, até funciona. Só tem história mesmo nos cinco primeiros minutos, quando vão inventar uma desculpa para colocarem um grupo de cientistas (?) pra lá de um fim de mundo selvagem no meio da selva a procurar uma flor que só desabrocha de sete em sete anos (número cabalístico, hein...). Lá tem umas cobras enormes e ponto final. É tosqueira total, bem engraçado e garante boas risadas. O melhor de tudo: é curto (dura cerca de uma hora e meia). Um bom filme ruim.

12
O Vestido

Filme nacional filmado por aqui, em Sabará (eita nóis!). Pena que o filme seja ruim. Até que é tecnicamente bem realizado, mas a história (adaptada de um poema de Carlos Drummond de Andrade, que deve ter dado voltas e voltas no túmulo) é confusa, o final é de um moralismo disfarçado que irrita profundamente. Na verdade, é tudo muito difícil de engolir. E Gabriela Duarte ainda consegue irritar bastante no papel principal. Isso é um elogio? Afinal de contas, normalmente ela é tão insossa!

11
Em Carne Viva

Outro interessante fiasco do ano passado, já que foi aguardado com bastante expectativa por causa das "picantes" cenas de séquissu com a Meg Ryan. Mas o filme não passa de um suspense (onde? onde? onde?) para insones com um final "inesperado". Quem paga mico aqui dessa vez é a própria Meg Ryan mas, que ela tá uma quarentona enxuta, ah isso ninguém pode negar. Dá de 10 a zero em muita menina de 20 por aí...

10
Mulheres Perfeitas

Hã... Interessante é refletir: como a Nicole Kidman (linda, linda, linda, linda, linda, linda, linda, linda, linda) foi inventar de embarcar numa canoa tão furada quanto essa? O filme soa completamente anacrônico: afinal de contas, uma crítica ao machismo ou ao feminismo? A "revelação" final é grotesca, porque desnuda um roteiro completamente furado - deve ter sido escrito por um robô.

9
Alguém Tem Que Ceder

Este foi um dos filmes que realmente conseguiu me irritar. É um romance que tenta ser comédia, mas não é engraçado ou especialmente interessante. O final força a barra para que tudo termine bem, com todos felizes, mas é completamente sem graça. Dessa vez, nota zero pra Jack Nicholson e Diane Keaton, afinal atores como eles têm um nome a zelar e deveriam escolher seus projetos com mais cuidado.

8
Benjamim

Desastrosa adaptação de romance do Chico Buarque. Pra ser justo, louve-se o Paulo José, que é um grande ator. Fora isso, me ajuda. Cléo Pires é linda de morrer e só. O final não se justifica, é ilógico (porque a personagem de Cléo Pires não interfere?), chegando a ser constrangedor, enquanto a idéia é que fosse carregado de dramaticidade. Isso sem falar em bizarrices desnecessárias, como o Wando cantando numa gincana. Porra, pagar ingresso pra assistir um filme e ver o Wando cantar numa gincana numa cena totalmente desnecessária é demais pra mim (e o show de horrores continua, uma das tarefas da tal gincana era levar ao palco uma menina de doze anos grávida). Vá pra putaqueopariu.

7
Rei Arthur

Argh, está esquentando... O filme se baseia em pesquisas históricas (hein? hein? hein? hein?), mas comete anacronismos - a meu ver, um deles notável para os especialistas é atribuir à igreja de Roma um poder que ela certamente não tinha na época (o filme se passa no século V). Bom, isso é apenas um detalhe. Ao tentar dar relevo histórico a um personagem sobre o qual conhecemos muito pouco e está envolto em lendas e mitos, o filme mete os pés pelas mãos. A história do filme é desinteressante, os personagens não são marcantes, não há nenhum pelo qual o espectador se sinta atraído ou se interesse por ele em especial. Entretanto, o pior de tudo mesmo é o final piegas, com direito à chuva de flores e mais uma baboseirada danada.

6
O Sorriso de Mona Lisa

Aqui nesta bomba, Julia Roberts é uma professora de artes numa escola feminina conservadora dos anos 50. Ela é liberada, sexualmente avançada (seja lá o que isso queira dizer) e vai instigar suas pupilas a se tornarem mulheres independentes. Roteiro pavoroso, as histórias dela e das personagens secundárias não têm sentido algum. Duro de agüentar... O final "emocionante" é simplesmente horroroso. Todo mundo falou que é uma espécie de Sociedade dos Poetas Mortos de saias, só que há uma diferença fundamental: Sociedade... é bom, já este filme é péssimo.

5
Na Companhia do Medo

Este foi o ano da Halle Berry. Duvida? Aqui, ela faz uma psiquiatra atormentada, daí passa a atormentar os incautos que pagaram pra assistir a isto. Lastimável.

4
Mulher-Gato

Fala sério!!!!!!

3
Olga

Medalha de bronze para o Brasil-sil-sil! O bordão "Eu estou grávida de Luís... Carlos... Prestes!!!" esteve na moda por aí, segundo alguns noticiaram. O detalhe é que esta cena era pra ser dramática e virou motivo de chacota. Preciso falar mais?

2
A Cartomante

Um dos filmes mais espetaculares dos últimos anos. Espetacularmente ruim, bem entendido. Mas este é o clássico "tão ruim tão ruim mas tããããão ruim que chega a ser bom". A Giovana Antonelli de sutiã e calcinha é uma visão esplendorosa, mas tinha que ter tirado o resto! E que história é essa da Debora Secco toda vestidinha? Que moralidade é essa??? Isso é cinema nacional, pô!!! Cadê a mulherada gostosa pelada??? Enfim, a "revelação surpreendente" que o filme nos faz é uma das coisas mais bizarras que vi nos últimos tempos, arranca gargalhadas de tão absurda. Não podemos nos esquecer, é claro, da atuação da Silvia Pfeiffer (onde é que ela arrumou este sobrenome, meu Deus?). Ela é realmente uma atriz versátil: estando feliz da vida ou com prisão de ventre faz sempre a mesma cara. Segundo lugar com louvor.

1
Filme de Amor

Julio Bressane em sua maior forma. Ou seja: fazendo filmes péssimos. Este daqui é simplesmente abominável, insuportável. Conta a história (tem história?) de duas mocréias e um babaca que passam o fim de semana trancados num apartamento trepando e tergiversando sobre temas os mais variados, inclusive o amor (ah, o amor!!!). No meio disso, bizarrices como usar o ferro de passar roupa pra passar o bife (o apartamento é uma pocilga, mas não tinha nem um batedor de carne não?), uma representação mal ajambrada de Moby Dick (o que Moby Dick tem a ver com putaria eu ainda não fui capaz de abstrair), ou ainda um close de um pênis ejaculando em câmera lenta (obviamente inspirado em Matrix). Pelo menos esta pérola pode se orgulhar de ter sido vaiada em Cannes. E você pode refletir um pouco: nem os franceses agüentaram isso! Os franceses!!!!

Os 20 Melhores

Sobrevivemos, passamos incólumes a estas 20 bombas! Sim, é uma façanha. Mas antes do listão dos melhores, tenho que fazer o mea culpa, afinal perdi três filmes que não deveria ter perdido quando de suas exibições. São eles: Anti-Herói Americano, Na Captura dos Friedmans e Kill Bill Vol. 2 - este último ficou apenas três semanas em cartaz aqui na roça, e eu estava viajando (recusei o convite da Menina Enciclopédia pra assistir o filme com ela em São Paulo, "quando eu chegar em BH eu assisto, estou viajando, quero passear"...). Pois é, me dei mal.

Ah, quero comentar algumas ausências propositais. São filmes bons, mas não entraram no top 20 por um julgamento puramente subjetivo:

Dogville é particularmente interessante, passa raspando na lista, é um bom filme, mas não achei nada de fenomenal como todo mundo achou. Em primeiro lugar, é um filme pretensioso e babaca - feito em estúdios e sem cenários, que bobagem... Em segundo lugar, é uma boa metáfora sobre a imigração nos Estados Unidos, nada mais do que isso. Pra mim, é uma filosofia barata sobre a condição humana - o ser humano é mau!!! Meu Deus, que descoberta fascinante do Lars Von Trier. É uma moral de adolescente, uma história boba e superestimada com uma personagem principal tão retardada (e difícil de aceitar) como a Selma de Dançando no Escuro. Ademais, três horas de teatro filmado é de lascar - a primeira meia hora do filme é simplesmente insuportável. Eis que aparece a Nicole Kidman, simplesmente maravilhosa... Daí o filme começa a pegar no tranco.

Escola de Rock é muito simpático e divertido. Aliás, Homem-Aranha 2 também. Só isso. Encontros e Desencontros é um filme agradável, gostoso de se assistir, bonito, termina com "Just Like Honey", do Jesus and Mary Chain, mas perde muito tempo com um inútil Karaokê, além de abusar do inverossímel e de piadas batidas (publicitário e médico japoneses que não sabem falar inglês? Ah! Conta outra, mané!!!). Outro ausente na lista é O Show Não Pode Parar, ótimo documentário exibido somente no Indie 2004, que é inegavelmente muito bom, mas só deve interessar a um público mais específico - os cinéfilos de plantão. Falando em documentário, Fahrenheit 11 de Setembro até entraria na lista se o Bush não tivesse sido reeleito. Ou seja: o próprio resultado das eleições mostra que Michael Moore apenas pregou para os já convertidos.

Outro que está ausente, mas este está ausente porque não é bom mesmo, é Peixe Grande e Suas Histórias Maravilhosas, um filme apenas razoável (razoável mesmo!), onde o Tim Burton faz o que mais sabe fazer: escorregar na hora de contar história. Assistível e só.

Não foi fácil, devo confessar, fazer a lista dos melhores, foi mais difícil que a dos piores. A qualidade das películas de 2004 melhorou em relação a 2003. Então, let's go!

20
Histórias Mínimas

Pérola vinda da Argentina. Simples, terno, honesto e sensível. Personagens cativantes. Você sai até mais leve do cinema.

19
21 Gramas

A força do filme está no seu elenco. Benicio Del Toro e
Naomi Watts seguram o filme no braço. E repito novamente: Sean Penn deveria ter ganho o Oscar por sua interpretação neste filme, não pelo superestimado Sobre Meninos e Lobos.

18
Elefante

Tá bem, essa metáfora do Gus Van Sant é dose pra... elefante. Mas o filme é bom, não dá espaço pra explicações fáceis no que ambiciona mostrar, é tecnicamente competente com belos movimentos de câmera e induz o espectador a pensar, a refletir sobre as tragédias de nosso cotidiano. E só de fazer o público pensar, o filme já merece estar na lista.

17
Meninos de Deus

Exibido somente no Indie (essa não!), este é um filme obrigatório sobre adolescentes. Ao menos, é o melhor que já assisti. Engraçado, divertido, mas sério e provocador. Curiosidade: não teve a repercussão merecida, mesmo tendo Jodie Foster no elenco.

16
Contra Todos

Bom filme nacional! Surpreendente, com ótimas atuações, é uma feliz estréia na direção de Roberto Moreira (que também escreveu o roteiro). O filme tem como pano de fundo a zona leste de São Paulo (aê, Menina Enciclopédia!) e seus personagens principais, que formam uma família marcada pelas contradições e pela violência. História bem bolada, que foge aos padrões, clichês e moralismos.

15
Moça Com Brinco de Pérola

Talvez o filme mais "bonito" de 2004, é indispensável para os fãs de arte. Aqui, Scarlett Johansson faz uma jovem camponesa que vai trabalhar como empregada na casa do renomado pintor holandês Johannes Vermeer. O filme é uma ficção sobre a origem (desconhecida) do mais famoso quadro deste pintor, que tem justamente o nome de Moça Com Brinco de Pérola. Com uma bela reconstituição de época (a direção de arte e a fotografia são impecáveis, já valem o filme) e ótimos atores (Scarlett Johansson é de uma ternura arrebatadora), é um filme apaixonante.

14
Papai Noel Às Avessas

Olha, se não fosse o final, estaria na primeira posição. PRIMEIRA POSIÇÃO, entendeu? Porque é engraçado, irreverente, bem sacado, anti-natal, tosco até não poder mais. Mesmo com o final meio decepcionante (aaaaaaahhhhhhhh...), é anárquico e divertido. Billy Bob Thornton já havia brilhado em A Última Ceia e O Homem Que Não Estava Lá, este último dirigido pelos irmãos Coen, os produtores executivos e autores do argumento de Papai Noel Às Avessas. Aqui, este ótimo ator mata a pau fazendo um Papai Noel ladrão, bebum, tarado e desbocado. Uma sensacional crítica ao consumismo natalino.

13
Kill Bill Vol. 1

Diversão garantida. Pode não ser essencialmente criativo, é apenas um catalisador da cultura trash-pop, mas garante ótimas gargalhadas. E a Uma Thurman é realmente uma belezura.

12
O Abraço Partido

Outro filme arrrrrrrentino, com personagens simplesmente fabulosos. Tendo como pano de fundo uma galeria de lojas do centro de Buenos Aires, a história foca o jovem judeu Ariel, que está na merda como grande parte da juventude argentina. Ajuda na loja de lingeries de sua mãe depois de ter largado a faculdade, tem um rolo com uma das funcionárias da galeria, sonha em conseguir cidadania polonesa e fugir da crise para procurar emprego na Europa. Sarcástico, o cara ainda faz piadas (algumas muito engraçadas...) sobre tudo isso. No meio disso, mantém uma eterna dúvida sobre os motivos que levaram seu pai a abandonar a família e ir lutar na Guerra do Yom Kippur, em Israel no começo dos anos 70. A cena final é simplesmente maravilhosa. Em suma: tem uma pitada de humor (às vezes negro), é comovente, é inteligente... É brilhante.

11
Suspiro

Este só passou no Indie e é o filme chinês mais surpreendente que já vi. Dirigido por Feng Xiaogang (queeeeeeem???), conta a história de um escritor de novelas casado e pai de uma filha que se apaixona perdidamente por sua nova secretária, uma garota linda e mais nova, e entra em um grande conflito pessoal ao decidir abandonar sua família para ficar com sua nova paixão. Não é um dramalhão qualquer: o filme trata os sentimentos de todos os envolvidos com muita dignidade, sem fazer julgamentos ou pregações moralistas. E isso tendo como pano de fundo uma sociedade extremamente conservadora e repressora, onde os costumes são muito arraigados. Se puder conferir, não hesite.

10
As Bicicletas de Belleville

Desenho animado encantador, praticamente sem diálogos. É pra adultos e crianças maiores. Tem o toque mais sentimental na relação da avó com o neto, mas o filme passa longe do sentimentalismo barato, e acaba se tornando uma aventura empolgante e divertida.

9
Stand-by

Surpreendente e ousado filme francês cuja história se passa inteiramente num aeroporto, de onde a personagem principal não quer sair mais depois de levar um baita fora do marido. Chega à beira do surreal, mas tem uma idéia curiosa e realização impecável. Merece ser conhecido (mas você só vai assistir se comprar o DVD francês, o filme é tão obscuro que só ficou por lá!).

8
Num Céu Azul Escuro

O Pearl Harbor que deu certo! Este empolgante triângulo amoroso no meio da Segunda Guerra foge dos padrões americanos de filmes de guerra - o filme é da República Tcheca, o que explica o olhar mais contido e melancólico sobre as tragédias, a destruição material, os massacres. Mas o maior mérito do filme é resgatar a história dos esquecidos pilotos tchecos que lutaram contra o nazismo durante a ocupação de seu país. E não tem desculpa, esse filme só foi exibido no Indie mas já foi lançado em DVD! Trate de assistir!

7
Edukators

Pois é, pra quem não sabia, existem alemães que fazem filmes legais. Antes de mais nada, ao contrário de certos idiotas que não captaram a mensagem, os personagens de Edukators não estão "certos" ou "errados", eles estão sim inconformados e agem - certos ou não, eles agem a partir de uma mistura de desespero (pela falta de perspectivas sociais e alternativas políticas), idealismo e coragem. Interessa menos as idéias do personagem Jan, às vezes equivocadas, simplistas e inconsistentes, mas a sua coerência e, principalmente, de onde vem a sua insatisfação. E se "Os Educadores" não conseguem encontrar soluções viáveis para os problemas do mundo de hoje, pelo menos fazem perguntas instigantes e observações corretas. Por isso é que eles devem ser ouvidos, por isso é que este filme deve ser visto.

6
Diários de Motocicleta

O melhor filme de Walter Salles. É um mergulho na América Latina na pessoa idealizada de Che Guevara. Na verdade, o filme acompanha o que seria a gestação de um mito. Julgar Che pelo que fez depois, se foi ou não correta sua decisão de pegar em armas e fazer a revolução, isso, para julgar este filme, é irrelevante. O mito é realmente bem maior que o personagem. O filme não teria como escapar disso (e não precisava, mesmo).

5
Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças

Absurdamente esnobado pela "Academia", é um filme extraordinariamente criativo, com uma belíssima história e um show de Jim Carrey no papel de Joel, um rapaz apaixonado pela ex-namorada Clementine (Kate Winslet, ela pelo menos foi indicada ao Oscar de Melhor Atriz). Ela se submete a um tratamento para retirar de sua mente todos os momentos vividos com Joel, para esquecê-lo definitivamente. Ao saber disso, Joel resolve se submeter ao mesmo tratamento por não ver mais esperanças em reatar o romance com Clementine e não ver outra alternativa para superar este relacionamento e seguir em frente. Mas é possível apagar da mente uma experiência? O que é nossa identidade enquanto seres humanos senão o nosso passado, o que nos fez chegar até onde estamos? Seria possível manipular nossa memória para, conseqüentemente, manipularmos nossos sentimentos a nosso bel prazer? É possível crescer e amadurecer sem sofrimento?

4
Adeus, Lênin!

Num pequeno apartamento, a anacrônica República Democrática Alemã sobrevive graças à tenacidade de um rapaz que faz de tudo para proteger a mãe, militante comunista apaixonada, que tem um coração fraco e está se recuperando depois de meses em coma. Ela não pode saber de maneira alguma da frustração de seus ideais socialistas, da queda do muro de Berlim e do avanço do capitalismo sobre sua combalida nação. Extraordinário filme alemão de Wolfgang Becker, com uma história divertida e singela. E descreve a Alemanha Oriental na época da queda do muro de Berlim, o que não deixa de ser uma curiosidade. Atenção! O ator Daniel Bruhl também faz parte do elenco de Edukators, mas o diretor deste último é outro, chama-se Hans Weingartner. Certo?

3
Narradores de Javé

Disparado o melhor filme nacional de 2004, é o anti-Olga. Humilde, despretensioso, inteligente, divertido. Elenco notável, onde se destaca o impagável José Dumont. É um filme que mostra o valor da história oral, das narrativas e tradições de um povo, e o quanto as narrativas históricas dependem daqueles que contam os acontecimentos. Repare no aviso escrito na entrada do casebre onde vive (ou sobrevive, dependendo do ponto de vista...) o trapaceiro Antônio Biá: "Proibida a entrada de analfabetos".

2
Os Incríveis

Simplesmente... Incrível. Uma curiosidade: já vi texto aí pela internet falando que "o desenho animado Os Incríveis é propaganda sofisticada e brutal do novo conservadorismo americano...", mas eu sinceramente não vejo por aí. Sabe por quê? O ideal do americano médio, trabalhador e tal, permeia o cinema americano desde que o cinema é cinema, e Frank Capra era um mestre em trabalhar com isso. O Sr. Incrível é um super-herói dentro desta visão do "american way of life", e ela reflete uma velha tradição dos americanos em louvar este determinado estilo de vida. É um conservadorismo tradicional, um ideal americano: o anônimo que é capaz de realizar atos inimagináveis - ou incríveis. Na verdade, diz respeito à autonomia do indíviduo, a sua capacidade de transformar a história e o mundo. Os americanos são realmente assim, e, creio eu, isso não está diretamente ligado a este movimento direitista pró-Bush. Mas posso estar errado... Enfim, leia o texto e discorde ou concorde. E assista o filme, que é pra lá de divertido, empolgante...

1
Geração Roubada

O grande filme do ano veio da Austrália e trata de uma das maiores atrocidades do século 20: a destruição sistemática das populações aborígines australianas. É a história verídica das irmãs Molly, de 14 anos, Daisy, de 10, e sua prima, Gracie, (8 anos), arrancadas do convívio familiar em 1931 a mando do governo e internadas em um "centro educacional", onde seriam devidamente ocidentalizadas e cristianizadas, para apagar a sua cultura "bárbara" e seu passado. As meninas acabam fugindo do centro e iniciam um desesperado retorno ao lar, mas para voltarem a Jigalong, sua terra natal, teriam que andar mais de 2500 km através do deserto! O filme narra essa verdadeira odisséia: três verdadeiras heroínas, sem comida ou água e a pé, realizam este trajeto tendo apenas como orientação a "rabbit-proof fence", uma enorme cerca que impedia o trânsito de coelhos entre diferentes regiões do país. O sofrimento do povo aborígene foi uma daquelas grandes tragédias que quase ninguém ficou sabendo: as leis segregacionistas só foram abolidas em 1972, e o estrago já havia sido feito (essa geração de crianças aborígenes separadas dos pais e das famílias para serem enviadas a esses campos de reeducação foi chamada de "geração roubada", de onde vem o nome do filme). Ao final, num momento comovente, o filme traz as verdadeiras personagens, hoje idosas, contando em seu idioma aborígene os eventos posteriores aos narrados pelo filme. Fotografia deslumbrante, atuações fantásticas - inclusive a de Kenneth Branagh, que faz o bem intencionado Neville, a autoridade do governo responsável pelos "campos de educação", homem que acredita realmente no que faz e é uma das inumeráveis provas vivas de que o caminho do inferno está pavimentado com boas intenções. Mas são os atores aborígenes que dão um verdaeiro show: as meninas, chamadas Everlyn Sampi, Tianna Sansbury e Laura Monaghan, e o implacável perseguidor Moodoo, o ator David Gulpilil. Um filme que faz uma denúncia corajosa de uma das políticas segregacionistas mais cruéis, violentas e absurdas dos tempos recentes. E isso aconteceu logo na Austrália, um país tão civilizado!...

 
Cajabis Cannabis é professor de história, psicólogo, músico, estudioso de parapsicologia, ex-poeta, webmaster, cinéfilo, entre outras coisas inúteis. Se você está tendo algum problema paranormal, mande um e-mail para cajabis@abacaxiatomico.com.br.

 

 

©Todos os direitos reservados
Melhor visualizado com Internet Explorer em 800X600

 
ÚLTIMAS MATÉRIAS
O show bizarro
2005
Resoluções de ano novo
A imbecilidade virtual já tem um nome: Orkut
Os bons, os maus e os mais ou menos
Confira textos mais antigos...