| O Orkut é, indubitavelmente, a mais recente
praga da internet. Aquilo é realmente um saco, um exagero
de pessoas, comunidades, assuntos, posts e o diabo a quatro, com
muita babaquice e pouca coisa realmente relevante e interessante.
E você clica em uma comunidade, daí vê outras
comunidades "relacionadas", vai clicando, clicando, clicando
e, quando vê, já se passaram três ou quatro
preciosas horas da sua vida, ou talvez até mais.
O
que será que as pessoas procuram no Orkut? Afinal de
contas, eu não consigo enxergar nesta... gigantesca comunidade
virtual (eu nem sei definir o que é Orkut) nada além
de excessos. Excesso de pessoas, excesso de informações,
excesso de futilidades. São várias e várias
comunidades que não têm o menor sentido em existir,
com discussões totalmente irrelevantes. Está certo
que algumas pessoas utilizam o Orkut para fins profissionais, você pode
manter sua página com um currículo, descrever suas
habilidades e pretensões ou algo parecido, daí quem
sabe o Roberto Justus não estaria por coincidência
navegando pelo site e daria de cara com sua página, ficaria
embasbacado com toda sua experiência e capacidade profissional
e te contrataria para ganhar um salário de 200 mil dólares
por ano. Mas, na maioria absoluta das vezes, o que vemos no Orkut
são personagens patéticos que certamente nada vão
acrescentar em nossas vidas.
Isso sem falar no que há de mais grotesco, como as "simpáticas" comunidades "Eu
odeio negros", "Odeio baianos", "Odeio homossexuais",
de culto a Adolf Hitler e neonazistas, entre outras pérolas. É o
preço que temos a pagar pela liberdade de expressão,
ou seja: um bando de dementes oligofrênicos vomitando preconceitos, ódios
infundados e muita porrada online, pra todos os lados. Engraçado:
mesmo dentro de casa ou no cybercafé, quando nos supomos
seguros da violência das ruas, somos também coagidos
por mensagens preconceituosas, ameaçadoras, desagregadoras.
Será que o Orkut simplesmente leva para o virtual o que
já vemos no mundo real, aquele palpável que está a
nossa frente? Dá pra se pensar nisso. Hoje em dia estamos
tão acostumados com o exagero, a enorme quantidade de coisas,
o excesso de estímulos que nos chegam de todos os lados,
e a imbecilidade institucionalizada nas pessoas que estão
ao nosso redor, nas revistas, na TV, na imprensa em geral, na música
e no cinema, nas artes... Então, olhando por esta ótica,
o Orkut nada mais é do que a transposição
da angústia que estamos vivendo aqui fora para dentro da
teia cibernética. No Orkut, podemos falsear, selecionar,
deletar, mentir com maior desenvoltura, pois estamos protegidos
atrás de uma tela de computador.
Uma das coisas que mais me irrita no Orkut é aquela coisa
ridícula de você ficar ranqueando seus amigos, como
se amizade fosse algo a ser quantificado. Mais "amigos" cadastrados
significam mais prestígio no site - faltou só quantificar
a babaquice de quem inventou essa pérola. Quer dizer, até os
sentimentos podem ser quantificados. O que interessa é a
quantidade de amigos, não o que eles realmente significam
pra você, a qualidade. Estamos tão cheios das coisas
que a vida está cheia de um imenso vazio. Estamos tão
cheios de "amigos" que são tantos que enchem o
saco. Estamos tão cheios de estímulos que eles nos
estimulam a não fazer nada. O Orkut passa para o mundo virtual
toda a precariedade do pensamento (ou a falta de pensamento) que
marca nossos dias.
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