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os dias 08 e 16 de setembro aconteceu aqui na capital do pão
de queijo a quarta edição do Indie - Mostra
de Cinema Mundial, com a exibição de 113
filmes no Usina Unibanco de Cinema e no Savassi Cineclube, em sessões
gratuitas. Como no ano passado, estou
aqui fazendo a minha resenha sobre os filmes que assisti - dessa
vez, quatro a mais que no ano passado. O evento é realizado
pela Zeta Filmes - e o agradecimento deste ano vai para a Daniella
Azzi, que me descolou algumas cortesias para que eu pudesse acompanhar
o festival com uma maior abrangência, digamos.
Até
que as filas deste ano estiveram menores que as do ano passado.
Foi tudo mais tranqüilo na hora de pegar os ingressos, os mais
concorridos eram os da retrospectiva do Pedro Almodóvar.
Não tem jeito, o espanhol é realmente o queridinho
dos cabeças. Tive o prazer de conversar com o diretor Carlos
Reichenbach, após a exibição de Garotas
do ABC (ele esteve presente na exibição), um
sujeito extremamente acessível, muito simpático e
cortês. Tomara que o filme faça sucesso.
E as
salas do Usina (especialmente a 2) continuam horríveis. Entra
ano, sai ano... Bem, diz o ditado que a cavalo dado não se
olham os dentes, então deixa quieto. Anyway, vamos todos
louvar a iniciativa da Zeta Filmes e torcer para que o Indie se
consolide ainda mais como evento de grande importância para
o cinema em Berizonte. Foram dias muito agradáveis, vi ótimos
filmes e o festival se encerra com um gostinho agradável
de "ano que vem tem mais"... Tomara que seja ainda melhor.
Agora,
pequeninos comentários sobre os filmes que assisti na mostra.
Lembrando as tradicionais cotações...
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Bonequinho
indo embora do cinema |
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Bonequinho
dormindo |
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Bonequinho
assistindo o filme |
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Bonequinho
aplaudindo |
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Bonequinho
aplaudindo de pé |
Quarta,
08/09
Histórias
Mínimas, de Carlos Sorin (Argentina, 2002)
Belo filme argentino, entrou esta semana em cartaz aqui na roça.
São três histórias de três humildes personagens
que estão viajando pela Patagônia. Histórias
simples, sentimentos sublimes. Extremamente delicado, sabe explorar
muito bem situações que poderiam se tornar jocosas
e ridículas. Muito bem realizado, mostra a força do
cinema argentino.
Cores
dos Cegos, de Huo Jianqi (China, 1998)
Filme fraquinho, fraquinho sobre uma moça cega que é
descoberta por um treinador de atletas deficientes. Claro que ele
se apaixona por ela, o problema é que ele tem uma namorada
pra lá de ciumenta. E tem mais dois carinhas na história
que estão muito interessados na garota - poderosa a menina,
hein! Pois é. Às vezes assumindo um tom meio de documentário,
o filme conta com participações de atletas portadores
de deficiência chineses, o que não deixa de ser uma
curiosidade. Mas a historinha é bem sem graça.
Maus
Hábitos, de Pedro Almodóvar (Espanha, 1983)
Almodóvar em início de carreira (este é seu
terceiro longa) já mostra muita irreverência. E atrevimento.
Falta-lhe a maturidade, que vai adquirir certamente mais tarde.
O melhor do filme é a freira malucona que toma umas bolinhas
e fica completamente psicodélica.
O
Show Não Pode Parar, de Nanette Burnstein e Brett
Morgan (EUA, 2002)
Excelente pedida para cinéfilos, este documentário
conta a história de Robert Evans, um dos produtores mais
poderosos do cinema americano nos anos 60 e 70. Pra quem não
sabe, ele foi o produtor de O Poderoso Chefão, O
Bebê de Rosemary, Chinatown e Love Story.
Só os mais importantes filmes deste período, nada
mais. Está disponível em DVD, se você é
fã da sétima arte, não pode perder de jeito
nenhum. E mesmo que você não conheça muito sobre
cinema mas goste de documentários, é uma boa pedida,
afinal a vida tumultuada do sujeito já daria um ótimo
filme.
Quinta,
09/09
Meninos
de Deus, de Peter Care (EUA, 2002)
Absurdamente não entrou em circuito comercial aqui na roça,
este filmaço produzido pela Jodie Foster (e ela está
no elenco, no papel da freira carrasca) é indispensável
para fãs de quadrinhos em geral (atenção, Katchiannya
Cunha!). São as aventuras de quatro garotos que estudam em
uma tradicional escola do interior e passam o tempo desenhando,
bebendo, fazendo bagunça pela cidade. O filme lembra as comédias
e filmes para adolescentes dos anos 80, mas toca em assuntos muito
sérios, como incesto, por exemplo. E não tem final
feliz. Vale uma conferida.
Falando
de Sexo, de John McNaughton (EUA, 2001)
Curioso filme com elenco interessante: James Spader, Melora Walters
e Bill Murray. É uma comédia às vezes engraçada,
às vezes não, com uma historinha bem inverossímel.
Os psicólogos vão gostar, vá lá. Spader
faz um terapeuta especialista em depressão que se envolve
com uma paciente indicada por uma colega que trabalha com terapias
para casais. A psicóloga descobre, fica irada e induz a paciente
a abrir um processo contra ele. E vira tudo uma confusão
dos diabos. As cenas do depoimento da paciente para o processo são
hilárias, o resto do filme é o tradicional "mais
ou menos"...
Osama,
de Siddiq Barmak (Afeganistão, Japão, Irlanda, 2003)
Ainda inédito aqui na roça, é o primeiro filme
feito no Afeganistão pós-Taleban. Contando com atores
excepcionais (todos amadores!) e um orçamento ínfimo
(cerca de 50 mil dólares), é muito bem realizado,
sem dúvida. Tem seus méritos e a atriz que faz a menina
(o nome dela é Marina Golbahari) é realmente extraordinária.
Mas eu, pessoalmente, esperava mais. A história da garota
que tem que se fingir de menino para poder trabalhar e ajudar a
mãe e a avó é bastante similar a Baran,
sem o mesmo resultado (além de o roteiro, ao meu ver, ter
um "furo" que compromete uma resolução satisfatória
para a trama). De qualquer maneira, é um filme corajoso,
que tem grandes momentos ao mostrar a violência das ações
opressoras do nefasto Taleban (vide a seqüência dos julgamentos
sumários) e por isso merece ser visto.
Sexta,
10/09
Respiro,
de Emanuele Crialese (Itália, França, 2001)
Filme meio legal e meio besta. A bela personagem principal do filme
é meio pirada, e fica aprontando das suas em uma pequena
vila na Sicília. E quem agüenta o rojão é
seu marido, pescador, e os três filhos. Filme bonito de se
ver, fácil de se esquecer - a não ser a bela seqüência
final, que também não tem muita serventia, mas plasticamente
é lindíssima. Ainda não estreou por aqui.
Carteiros
das Montanhas, de Huo Jianqi (China, 1998)
Ah... Bem, este filme é daqueles "bonito, mas..."
É bonito, mas é lento... lento... lento... Conta a
história de um carteiro novato de uma aldeia nos confins
da China que está substituindo seu pai na profissão
e faz sua primeira viagem a serviço acompanhado por ele.
Fazendo sua última viagem antes de se aposentar, o pai tenta
passar ao filho a sua experiência após anos nesta atividade.
Vale pelas belíssimas paisagens - e mesmo a história
não deixa de ser bonita.
O
Amigo Americano, de Wim Wenders (Alemanha Oc., França,
1977)
Filme pra lá de chato do Wim Wenders, confusa adaptação
do livro Ripley´s Game, de Patricia Highsmith - o
personagem é o Tom Ripley, protagonizado pelo Dennis Hopper.
O filme é chatíssimo, sem ação, com
personagens excessivamente frios e uma direção pouco
inspirada. Uma pequena bomba.
Sombra
Mágica, de Ann Hu (China, 2000)
Uma
singela homenagem aos primórdios do cinema chinês,
misturando fatos reais e ficção. Uma bela história
num filme divertido. Tem algumas imagens reais de arquivo de filmes
da virada do século 19 para o 20, o que o torna ainda mais
interessante.
Sábado,
11/09
Wilco
- I am Triying To Break Your Heart, de Sam Jones (EUA,
2001)
O grande momento do festival - pra mim, claro. Eu sou um grande
fã do Wilco (que novidade) e estava ansioso para assistir
este filme, inédito no Brasil - nem foi lançado em
vídeo, DVD, nada... Valeu a pena. Indispensável para
os fãs, é um bom documentário que mostra os
bastidores da gravação do quarto disco da banda, Yankee
Hotel Foxtrot, os desentendimentos que levaram à saída
de Jay Bennett do grupo e os problemas com a gravadora Reprise,
que se recusou a lançar o álbum. E não posso
esquecer, há também trechos de shows (o Wilco é
uma banda que surpreende ao vivo). Para quem gosta de boa música
e não conhece o trabalho dos caras, pode ser válido.
Afinal de contas, o filme é tudo, menos chato.
Domingo,
12/09
O Céu de Lisboa, de Wim Wenders (EUA, 2001)
Definitivamente, eu joguei pedra na cruz. Horripilante filme com
a participação do Madredeus... Argh... É chato
pra caramba. A Teresa Salgueiro é muito simpática
e muito charmosa. Mas Madredeus é um porre. E a história
simplesmente não existe... Tenta ser ficção,
documentário... Muito bla bla bla, papo cabeça sem
pé nem cabeça. Uma bomba portuguesa, com certeza.
Depois dessa, tinha mais era que voltar pra casa e ir dormir...
Segunda,
13/09
Verão
Negro - Falsa Acusação, de
Kei Kumai (Japão, 2001)
Filme
japonês que retrata a história de um homem acusado
injustamente de provocar um vazamento de gás sarin na cidade
de Matsumoto, que deixou sete pessoas mortas. As investigações
da polícia são capciosas e a mídia acaba embarcando
no sensacionalismo. Filme com narrativa envolvente, que questiona
os métodos dos jornalistas e da cobertura televisiva desses
fatos. Obrigatório para os profissionais de imprensa - lembram-se
do escândalo da Escola de Base, em São Paulo?
A
Lei do Desejo, de Pedro Almodóvar
(Espanha, 1987)
Meia-boca.
Quanto mais assisto a filmes seus, mais me convenço de que
Almodóvar é, realmente, o diretor mais superestimado
da atualidade. Os cabeças de plantão deliram e fazem
fila pra ver (não necessariamente nessa ordem). Como curiosidade,
tem o Antonio Banderas em cenas pra lá de comprometedoras.
Ele é um rapaz que se apaixona loucamente por um escritor
que não quer saber de compromissos. Sua irmã, Tina,
é um transexual e é o personagem que está no
meio do conflito entre os dois. Assistível, às vezes
engraçado, às vezes dispensável.
Stand-By,
de Roch Stephanik (França, 2000)
Filme
francês cuja história se passa quase que inteiramente
em um aeroporto. A trama é a seguinte: um casal aguarda o
embarque para Buenos Aires, para onde eles deverão se mudar.
Mas eis que, surpreendentemente, o marido dá um belo fora
na esposa, Helene, justamente ali, na lanchonete do aeroporto, antes
do avião decolar. Ele então viaja sozinho e deixa
a mulher em estado de choque. Ela pira e não consegue sair
do aeroporto, passa a viver lá mesmo - há uma certa
semelhança com O Terminal, do Spielberg. Tem uma
trama pouco promissora, pega no tranco aos poucos... Mas é
surpreendente, inteligente, muito bem escrito - a construção
da personalidade dos personagens é muito bem feita. Imperdível,
excepcional. Será que um dia entra em cartaz no Brasil? Acho
que não.
Minoes,
de Vincent Bal (Holanda, 2001)
Uma
fábula, uma historinha bobinha e engraçada, para assistir
com crianças. Aliás, o filme é infantil...
Só não avisam na sinopse. Bem, a história é
de uma gata que bebe um líquido misterioso e se transforma
em mulher. Muito gata, aliás. Tem o mocinho pateta (claro
que a gata vai gostar do mocinho, né), a menina esperta e
o vilão malvado. A despeito das limitações
de seu roteiro, é um divertimento delicioso, pra sair do
cinema feliz.
Quarta,
15/09
Num
Céu Azul Escuro, de Jan Sverák (República
Tcheca, Inglaterra, Itália, 2001)
Espetacular
filme de guerra da República Tcheca. É um filme sobre
a 2ª Guerra envolvente, cativante, com momentos engraçados,
tristes, tocantes. Tem de tudo, ação, romance, drama...
E um roteiro impecável. Ainda por cima, resgata uma história
pouco lembrada: os pilotos da Força Aérea da Tchecoslováquia
que fogem para a Inglaterra quando da invasão de seu país
pela Alemanha de Hitler. Com a eclosão da guerra, eles lutarão
ao lado dos aliados. Pra quem gosta dessa parte da história,
é bom lembrar que a visão que os europeus têm
da guerra é completamente diferente da visão norte-americana,
a qual estamos mais acostumados graças a superproduções
como O Resgate do Soldado Ryan. E isso torna este filme
ainda mais obrigatório.
O
Quarto dos Oficiais, de François
Dupeyron (França, 2001)
Drama cuja história se desenrola na época da 1ª
Guerra Mundial. Logo no princípio da guerra, o tenente Adrien
tem o rosto completamente dilacerado pela explosão de uma
bomba. O filme, que retrata toda a trajetória de seu terrível
sofrimento, é um manifesto claro contra todas as guerras.
As questões existenciais do personagem e de seus companheiros
de hospital (também mutilados ou deformados) ganham maior
dramaticidade e ainda mais força. Embora seja talvez um pouco
longo demais e às vezes não consiga manter o ritmo,
é um belo filme, tocante, sem nunca apelar para o sentimentalismo
barato e está longe de virar uma novela mexicana - o que
aconteceria certamente se o Jayme Monjardim fosse o diretor do filme,
por exemplo.
Hotel
de 1 Milhão de Dólares, de Wim Wenders
(Alemanha, Inglaterra, EUA, 2000)
Co-produzido e estrelado por Mel Gibson. Este filme até que
é interessante, tem seus bons momentos e uma bela seqüência
final, mas são tantas viagens e tanto papo furado que fica
meio difícil acompanhá-lo. O problema é que
os personagens são todos pirados, o diretor é pirado,
mas quem escreveu a história, o Bono Vox (sim, ele mesmo),
de pirado não tem nada. Pior ainda, fica fazendo de conta
que é pirado. Não dá muito certo, né?
Quinta,
16/09
Kedma,
de Amos Gitai (França, Israel, Itália, 2002)
Não chegou a estrear aqui na roça - e, pelo visto,
nem será exibido. O filme trata do violento parto do Estado
de Israel, as contradições entre o ideal e a esperança
sionista e a dura e trágica realidade vivida por árabes
e israelenses. Não precisava ser tão lento: o estilo
do diretor quase irrita, com planos seqüência longos,
longos mesmo, sem cortes - fazer a montagem do filme é que
deve ter sido uma baba. Chega a ser até meio teatral, o filme
pode ser dividido em atos. Mas os discursos de dois personagens
do filme (um velho árabe e o recém chegado israelense)
valem, além das boas cenas de combate, muito bem filmadas.
Bom filme.
Suspiro,
de Feng Xiaogang (China, 2000)
Drama familiar chinês perfeito, uma aula de cinema. Simples
e direto, conta a história de um escritor de novelas casado,
que vive uma vida confortável e tranqüila com a esposa
e a filha pequena. Um belo dia, aparece uma outra na jogada... É
uma moça (linda), bem mais jovem que sua esposa, contratada
pelo seu patrão para ser sua secretária. O envolvimento
entre os dois torna-se inevitável. Mas o filme sai do que
seria o lugar comum e mostra o conflito de consciência dos
personagens, o sofrimento que as suas escolhas podem acarretar a
eles, evitando maniqueísmos, soluções fáceis
e julgamentos moralistas. Lírico e delicado, se tiver a oportunidade
de assisti-lo, não perca de jeito nenhum.
Brother,
de Takeshi Kitano
(EUA, Inglaterra, Japão, 2000)
A visão oriental da máfia - ao invés de ser
o Don Corleone comendo spaghetti e bebendo vinho enquanto manda
encher o inimigo de chumbo, é um cara da Yakuza comendo sushi
e mandando um subalterno vacilão cortar fora o mindinho.
Muito tiro e muito clichê num filme de altos e baixos. Mas
entre tantos mortos, feridos e mutilados, valeu. E o diretor Takeshi
Kitano (que depois faria o superestimado Dolls) aqui encabeça
o elenco - e está impagável como o gângster
caladão que foge do Japão para Los Angeles. Se você
curte o gênero, pode arriscar.
Garotas
do ABC, de Carlos Reichenbach
(Brasil, 2004)
A região operária do ABC paulista é retratada
aqui, através principalmente de um grupo de operárias
de uma tecelagem. É uma produção que tem seus
problemas: interpretações irregulares, personagens
estereotipados e pouco desenvolvidos - mas, pelo menos no caso dos
vilões, isso funciona, já que o objetivo do diretor
(e nisso ele acerta em cheio) é ridiculariza-los ao máximo,
rotulando-os. O filme se torna bastante interessante ao abordar
a xenofobia através do bando de neo-integralistas chefiados
pelo advogado (boa sacada!) Salesiano, um cara que só sabe
recitar discursos do Plínio Salgado e ouvir Wagner - pra
quem não sabe, o compositor favorito de Hitler. As situações
forçadas e inverossímeis (como a briga no Clube Democrático)
mostram que o roteiro é claudicante. O filme às vezes
derrapa, mas cumpre o seu papel e tem algo que a maioria dos filmes
brasileiros atuais não tem: honestidade. E o Selton Mello
realmente é o grande destaque do elenco, é um dos
melhores atores do cinema brasileiro atual. É um filme que
merece ser visto e precisa ser analisado de forma mais aprofundada,
com certeza. De qualquer maneira, encerramento digno que valorizou
(e muito) essa mostra.
Site
oficial: www.zetafilmes.com.br/indie.
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