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Quem
acompanha este magnânimo site há mais tempo sabe que
fizemos certa campanha nas eleições de 2002 em favor
da candidatura de Luis Inácio Lula da Silva à Presidência
do Brasil. Penso que nós, assim como cerca de 65% dos eleitores
brasileiros, estávamos descontentes com os rumos que o nosso
país estava seguindo. A intenção era óbvia:
votamos na oposição porque queríamos uma mudança
de orientação em nossas políticas econômica,
externa, social... Precisávamos, na verdade, de uma verdadeira
reorientação.
Ainda
reconhecendo que a vitória de Lula significou um marco na
história de nosso país, e que vislumbrou um amadurecimento
de nossas instituições democráticas, após
15 meses de governo petista venho demonstrar aqui no ABACAXI ATÔMICO
toda a minha frustração com este governo comandado
por Luis Inácio. Poderia escrever artigos e mais artigos,
mas como estou meio de saco cheio, posso resumir a minha insatisfação
com apenas uma queixa: a de que o Brasil continua sem rumo.
Sim,
porque oito anos de FHC no poder significaram uma significativa
piora dos indicadores sociais do Brasil, e isso não foi mudado
em absolutamente nada neste praticamente primeiro terço do
governo Lula. Fome Zero e Primeiro Emprego são programas
sociais pífios, não houve uma verdadeira reforma tributária,
as estradas e rodovias brasileiras estão piorando cada vez
mais. E continua a mesma política econômica subserviente
aos interesses do FMI e de especuladores internacionais.
O Brasil
continua dependente do capital especulativo internacional, e nada
foi feito para que essa situação fosse revertida.
Os juros continuam tremendamente altos, aumentando cada vez mais
a dívida pública, levando o país a um círculo
vicioso: não pode abaixar juros, porque senão a inflação
aumenta, mas como uma economia pode crescer com juros altos, sem
investimentos na produção? E assim continuamos estagnados,
perdendo preciosas oportunidades, sem romper com a dinâmica
neoliberal que só beneficia o capital especulativo financeiro.
Não
foi para isso que votei em Lula. E não adianta vir falar
que "as mudanças são lentas", porque não
há sinais de mudança na política econômica.
O que parece é que o governo está sem rumo, Antônio
Pallocci não entende bulhufas de economia e Henrique Meirelles
não tem o menor preparo para dirigir o Banco Central. Na
verdade, o que parece é que com uma ou outra exceção,
a equipe econômica e ministerial é composta por um
bando de incompetentes, que estão lá antes por questões
políticas do que por mérito. Parece que estamos pagando
caro pela inexperiência política do PT em se tratando
de governo federal. Mas o tempo passa e parece que não aprendem
nada.
No
mais, esperança e paciência têm limite. E pior
que o medo, é a raiva, a frustração. No governo
de Lula, mais do que comando, o que falta mesmo é direção.
Estamos simplesmente estagnados.

Prova
maior do despreparo deste governo é o quiprocó armado
pela reportagem do New York Times sobre a "bebedeira"
do Lula. Reportagem publicada, todo mundo veio em favor do presidente
- até senadores da oposição foram protestar
contra o texto, que é leviano, mal-escrito, estúpido,
imbecil. Coisa de jornalista, mesmo.
Pra
quem não sabe, o New York Times ainda está
com sua credibilidade bastante arranhada pelo episódio envolvendo
o jornalista Jayson Blair, que durante mais de um ano trabalhando
na redação do jornal forjou matérias, inventou
declarações de personalidades, escreveu entrevistas
que não aconteceram... Uma beleza. Um grande show de picaretagem
no mais respeitado jornaleco americano.
Ao
invés de limpar a bunda com o jornal e esquecer o assunto,
os geniais assessores do presidente entupiram a cabeça de
Lula para que ele tomasse uma decisão totalmente arbitrária:
cancelar o visto de permanência do jornalista autor da matéria.
As antas não pensaram na conseqüência deste ato,
obviamente impensado e resolvido no calor das paixões.
Um
líder político que se deixa dominar pelas paixões
acaba perdendo o respeito. E nesse episódio, foi exatamente
isso o que aconteceu com Lula. Claro, a Veja e os histéricos
do PSDB deitaram e rolaram com a história. E como defender
um governo que faz uma bobagem dessas, repercutindo internacionalmente
uma reportagem tão idiota e irrelevante quanto o disco novo
do Caetano Veloso e ainda transformando o jornalista picareta em
uma vítima?
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