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Que
coisa! Estava planejando escrever mais sobre mídia e manipulação...
E esse é, realmente, um assunto que rende muita conversa.
Poderia citar o silêncio da grande imprensa a respeito do
escândalo da "Operação 14 de Julho",
descoberta e noticiada amplamente pela revista Carta Capital,
mas solenemente ignorada pelos principais meios de comunicação
de nosso país. O que? Você não sabe do que se
trata?
Você
não sabia que no mês de julho passado o governo da
França organizou uma expedição para libertar
Ingrid Bittencourt, cidadã francesa seqüestrada pela
guerrilha das Farcs na Colômbia? Detalhe: sem que o governo
brasileiro fosse notificado do fato, um avião militar francês
pousou em Manaus com alguns cidadãos franceses portando identidades
diplomáticas. Esses cidadãos não permitiram
que o avião fosse inspecionado... O que ele levava?... E
que história é essa de o governo francês negociar
com as Farc em território brasileiro passando por cima da
soberania de nosso país? A pergunta é mais do que
relevante: o que havia dentro daquele avião? Niguém
sabe, mas especula-se que alguma coisa seria trocada pela refém
- armas?
Um
fato de extrema gravidade, que foi noticiado em todo o mundo - só
aqui no Brasil praticamente nada foi transmitido ao público.
A França tratou nosso país como um lote vago e ficou
por isso mesmo. O Itamaraty tomou as devidas providências,
exigindo que o avião e os cidadãos franceses se retirassem
do país por se recusarem a explicar o motivo exato de estarem
em Manaus num avião militar francês. A conversa de
"missão humanitária" não colou, a
trapalhada "operação resgate" falhou e o
governo brasileiro exigiu desculpas. Com muito custo, os arrogantes
franceses mandaram um "lamentamos o incidente".
Infelizmente,
só os leitores de Carta Capital (entre os quais me
incluo) ficaram sabendo da história. No mais, alguma notinha
na Folha de São Paulo, uma menção no
Jornal Nacional, e um destaque maior nos telejornais da Record,
graças a Paulo Henrique Amorim e Boris Casoy. Parece que
a revista Carta Capital não é muito bem quista
pela maioria dos outros órgãos de imprensa, afinal
foi um furo de reportagem que interessou a vários países.
Na França, foi manchete na primeira página dos principais
jornais do país, gerando muita polêmica e mal-estar
no governo, com direito a acusações ao próprio
primeiro-ministro Jacques Chirac; na Espanha e na Colômbia
o caso também teve enorme repercussão. Até
nos Estados Unidos o caso ganhou páginas nos principais jornais.
Até na China... Enfim. No Brasil, silêncio quase mortuário.
Por
que?

Eis
que, algumas semanas atrás, o programa Domingo Legal
exibe uma entrevista com dois supostos membros do PCC, e estes dois
fazem uma série de ameaças a jornalistas, políticos,
até ao Padre Marcelo. Um rebu total. E eis que se descobre
que tudo não passou de uma farsa, a entrevista foi forjada
e os atores que fizeram o papel de criminosos acusam o apresentador
Augusto Liberato de não apenas ter conhecimento da fraude,
mas também de ter aprovado a veiculação da
"matéria".
Pessoalmente,
tenho imenso desprezo pela figura de Augusto Liberato. Penso que
nem mesmo João Kleber atinge os píncaros da falta
de respeito à dignidade humana como esse sujeito faz. A maneira
como explora a pobreza e a ignorância das pessoas mais humildes
em seu programa dominical me provoca imenso mal-estar. Em suma,
considero-o um indivíduo repugnante.
Mesmo
que Augusto Liberato não tivesse conhecimento do teor da
entrevista, mesmo que não tivesse visto seu conteúdo
antes de sua exibição (o que é pouco provável)
e mesmo que esteja falando a verdade, ou seja, que não soubesse
que era tudo uma armação (o que é pouquíssimo
provável), ele é responsável pela exibição
da reportagem em seu programa. Ele não é o apresentador?
Quem é que define o que vai para o ar no programa Domingo
Legal?
Negando
seu envolvimento com a armação até o fim, o
apresentador apareceu ao vivo no programa da Hebe, fez várias
declarações e colocou a culpa nos seus subalternos.
Fica a palavra de um graúdo contra a dos peixes pequenos.
Na hora de depor na polícia, o famigerado ainda invocou a
amizade com o governador de São Paulo, Geraldo Alckimin,
dizendo ser seu amigo, e lembrando a todos que trabalhou em sua
campanha eleitoral. Qual a relevância disso para o caso? O
que será que Augusto Liberato quis insinuar com essas declarações?
O sujeito
ganha três milhões por mês para semanalmente
exibir lixo, vulgaridades e demonstrações sentimentalóides
de filantropia para seduzir os mais humildes e incautos. Numa demonstração
tacanha de falta de caráter, vergonha, moral e decência,
permite a exibição de uma "entrevista bombástica"
onde pessoas têm suas vidas ameaçadas por supostos
criminosos diante de milhões de telespectadores Brasil afora.
E, em seu depoimento, apela para sua amizade com figuras importantes
e politicamente poderosas como se estivesse acima do bem e do mal,
como se fosse intocável.
Um
indivíduo dessa estirpe, um desclassificado como é
Augusto Liberato, tinha que ser varrido para sempre da imprensa
brasileira. Agir da forma que ele agiu para ganhar uns míseros
pontos no Ibope é algo que supera toda forma de mesquinharia.
E o que aconteceu serve como reflexão: será que devemos
acreditar em tudo o que vemos ou ouvimos?

A Oi
é a campeã de reclamações no Procon.
Sabe como fiquei sabendo disso? Simples: eu pessoalmente fui reclamar
dela. Pois é. O trouxa aqui comprou um celular e fez um plano
pela Oi: se arrependimento matasse... O meu prejuízo
foi pequeno, apenas 4 reais, mas pior que o dinheiro é ser
feito de otário, é se sentir enganado. É perceber
que lhe passaram a perna.
Já
sabe a dica, caro abacaxinauta: pra Oi, dê um sonoro
tchau! Não cometa o mesmo erro que eu e tantos outros já
cometeram.
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