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Prometi
na semana passada que ia falar sobre o Indie
2003, festival de cinema que aconteceu na capital do pão
de queijo semana passada (22 a 28 de agosto). 172 filmes exibidos
gratuitamente durante a semana, nas quatro salas do Usina Unibanco
de Cinema. Filas intermináveis, disputa ferrenha por ingressos,
oportunidade única para conferir muitos filmes que não
vão passar nem perto dos cinemas brasileiros em exibição
comercial. Houve seis mostras: a mundial, com filmes recentes de
vários países; a indie Brasil, exibindo cinco filmes
brasileiros (destaque para Amarelo Manga, de Cláudio
Assis); o música do underground, exibindo clipes, documentários
e making-offs da produção musical em várias
partes do mundo; o cinema fantástico, com filmes cult que
vão do terror ao suspense; as retrospectivas Fellini, Godard,
Buñel e de filmes mexicanos; e a mostra kino para crianças,
somente filmes infantis para a meninada.
O evento
foi realizado pela Zeta
Filmes, sob os auspícios da Lei Estadual de Incentivo
à Cultura. Como todo mundo aqui em Minas já desconfia,
é provável que a Lei Estadual esteja indo pro brejo,
portanto esse pode ser o último ano do Indie... torçamos
para que isso não aconteça, porque é uma oportunidade
única para satisfazer a vontade de ir ao cinema e conhecer
filmes que vão passar bem longe das salas dos xópins
(muitos, com certeza, nem serão exibidos no Brasil). A de
se lamentar a falta total de estrutura do Usina Unibanco de Cinema
para um evento de tamanhas proporções. As filas eram
quilométricas e desorganizadas, poderiam ter sido evitadas
mediante uma distribuição mais eficiente dos ingressos.
Os banheiros (só havia um para cada sexo, sem contar os das
salas) dispensam maiores comentários: sempre com filas. Além
disso, as salas do Usina são, disparado, as piores de Belo
Horizonte. A primeira fila da Sala 4 é uma vergonha, assisti
ao filme praticamente deitado na cadeira e saí do cinema
com uma baita dor nas costas. A sala 2 tem um ar condicionado (parece-me)
que faz um barulhinho chato o filme inteiro. Isso sem falar nas
poltronas... Felizmente, no geral o público era light, o
silêncio reinava nas exibições, embora sempre
tenha algum imbecil mal-educado ("Ih, esse povo chato pedindo
silêncio... Mas o filme tem legendas!", foi a frase mais
idiota que ouvi na semana, enquanto assistia o filme Três
Por Oito, na Sala 1).
Está
certo, valeu a iniciativa, mas pro ano que vem poderiam melhorar
a divulgação do festival (muito restrita) e a distribuição
antecipada de ingressos. Só distribuíram ingressos
em dois pontos, na Loja Telemig Celular e no Unicentro Newton Paiva.
Na Telemig Celular, as filas eram enormes, fiquei duas horas pra
descolar meia dúzia de entradas. Outra coisa: por que não
trocar cada ingresso por um quilo de alimento não perecível,
daí poderiam doar a alguma instituição, etc.
E como
prometido, vamos à análise dos filmes que assisti
neste mega-evento cinematográfico! Tive a oportunidade de
conferir quinze filmes, de variadas tendências. Vi quase tudo
que queria - exceto Ken Park, do Larry Clark, de Kids,
o japonês Dolls, o documentário Aqui Favela
e o polêmico Irreversível. Mas acho que não
posso reclamar. Em virtude de compromissos com a Universidade, não
pude ir aos primeiros dias do Indie, a sexta 22 e o sábado,
23 de agosto. Comecei minha epopéia de cinéfilo no
domingo, 24.
Antes
que eu me esqueça, vamos ao "momento Maguila" (como
gosta de falar o Sukrilius). Abração pro Pablo Villaça,
do Cinema
em Cena, vi o sujeito durante quase toda a semana, o cara
está em plena forma... de quibe. Abração pra
simpática Mariana Tavares, apresentadora do Curta
Minas - ela pediu pra avisar aos abacaxinautas o novo dia
e horário da exibição do programa na Rede Minas:
quarta-feira, 22 horas. E abração pra todo mundo da
AAAV (Associação dos Amigos da Artemis de Vinólia),
galera simpática que eu conheci na fila e encontrei quase
todos os dias: Poliana (olha o nome da figura...), Sabrina, Fernando
(duplamente sofredor, profissão professor - como eu - e atleticano
- como eu) e a Maria Etílica.
Ok,
agora vamos lá... Lembrando as cotações que
valem aqui no site:
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Jota
Quest |
 |
Pato
Fu |
 |
Deep
Purple |
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U2 |
 |
Beatles |
Ou
seja: quanto mais abacaxis... mais podreira. Estrelinha vermelha
é o que há.
Domingo
- 24 de agosto
Baran,
de Majid Majidi (Irã)
Mais um trabalho do mesmo diretor de Filhos do Paraíso,
mais uma sensível obra-prima. Sou suspeito pra falar sobre
filmes iranianos, porque já vou ao cinema sugestionado para
gostar do filme... É o típico "não vi,
mas já gostei". É impressionante como as histórias,
simples e até mesmo ingênuas (do ponto de vista ocidental),
são permeadas com muito lirismo. O que pode haver de poético
e maravilhoso em uma simples pegada? Assista a esse filme e descubra.
Sexo
Por Compaixão, de Laura Mañá (Espanha/México)
Este filme tem que ser encarado como uma fábula, pois é
de uma deliciosa amoralidade. Conta a história de Dolores,
dona de casa muito querida no vilarejo onde vive por ser uma senhora
muito caridosa. Depois de ser abandonada pelo marido, Dolores se
torna caridosa até demais... com os homens do lugar, dando
(literalmente) felicidade para todos. O filme explora bem as contradições
de uma moral cristã enrijecida, e é uma comédia
muito divertida, com diálogos bastante interessantes.
Segunda
- 25 de agosto
Samia,
de Philippe Faucon (França)
Esse negócio de globalização, de choque cultural
e tal é manancial para bons filmes e para boas bombas. Samia
é uma adolescente de origem argelina e vive na França.
O filme conta (ou tenta contar...) seus conflitos com o irmão
mais velho e as dificuldades que têm de relacionamento com
seus colegas e com a sua própria cultura. Em princípio
a proposta é interessante e o filme até que não
começa ruim, mas o roteiro se perde completamente até
desabar em um final terrível. Parece que o dinheiro do filme
acabou, daí foram até o porto e fizeram algumas imagens
e pronto, encerraram as filmagens, editaram de qualquer jeito o
final...
O
Culpado é Voltaire, de Abdel Kechiche (França)
Mais choque cultural... Bem, esse filme pelo menos dá pra
acompanhar direitinho. É a história de Jallel, imigrante
tunisiano ilegal que tenta ganhar a vida em Paris. É realmente
interessante o passeio por uma cidade que não está
nos cartões postais e que a gente não imagina que
existe... Nosso herói passa por centro de desabrigados, clínica
psiquiátrica, é enganado, tem que sobreviver passando
a perna no serviço de imigração... A França
não é o país da liberdade? A culpa é
do Voltaire! Legal o título desse filme. Destaque para a
personagem maluquinha que faz amizade com ele durante sua passagem
na clínica. Pena que o filme seja desnecessariamente longo
e seu final abrupto demais, frio, impessoal ao extremo.
Cenas
de Crimes, de Frédéric Schoendoerffer (França)
Não gostei. Bem, teve gente que gostou. Aqui, temos um filme
policial francês, onde uma jovem desaparece misteriosamente
e os investigadores encarregados de resolver o caso têm problemas
pessoais e tal... ou seja: além de um imbróglio sem
muita lógica e bem batido, o expectador ainda tem que agüentar
dois malas problemáticos. Um deles a mulher largou justamente
pelo fato do cara ser um pé no saco. O final do filme é
desapontador, a forma como o investigador descobre o assassino não
convence mesmo. E ainda tem autópsia de um cadáver
em decomposição decepado (com direito a uma larvinha
passeando sobre os pelos pubianos), cabeças sendo retiradas
de um lago, um infarto e um suicídio com sangue espirrando
pra todo o lado. Vai encarar?
Histórias
do Olhar, de Isa Albuquerque (Brasil)
Sensacional. Fabuloso. Este filme é tão ruim, mas
tão ruim, tão ruim, que chega a ser bom, de tão
tosco. Dá pra dar boas gargalhadas, seja na cena do assassinato
com balas de festim (dá pra ver a fumacinha saindo do revólver),
nas passagens de tempo pavorosas do episódio "Amor"
(a cara de satisfação do Jonas Bloch é hilária),
no cabelo tufo de algodão do Walmor Chagas (o que é
aquilo, meu Deus), na direção de atores tenebrosa
(todos estão horríveis)... É impossível
achar alguma coisa que preste neste filme. São quatro histórias
que só têm uma coisa em comum entre si: são
horríveis, não têm pé nem cabeça.
Quando é pra ser comédia, ninguém acha graça,
chega a ser constrangedor, e quando é pra ser dramático,
a platéia vem abaixo, de tanto rir. Dizem na sinopse que
este filme ganhou o prêmio do público no Festival de
cinema não sei o quê de não sei aonde. Bom,
tenho três hipóteses para explicar o porquê deste
prêmio para Histórias do Olhar: 1) O filme era
o único concorrente do tal festival; 2) O filme concorria
contra A Paixão de Jacobina, Três Marias
e As Panteras Detonando e na saída do cinema houve
um suicídio coletivo dos expectadores - para evitar mais
mortes, suspenderam o festival e fizeram um sorteio, tiraram no
papelzinho pra saber quem ia ganhar; 3) Botaram alguma coisa na
água dos bebedouros do cinema.
Terça
- 26 de agosto
Little
Senegal, de Rachid Bouchareb (França/EUA)
Gostei muito! Talvez a melhor surpresa do festival. Com muita delicadeza,
sensibilidade mas sem muitas concessões, o filme conta a
história do professor Alloune, que sai da África em
visita aos Estados Unidos para procurar descendentes de seus ancestrais
traficados como escravos para a América no início
do século XVIII. Passeando pelos arquivos, traça uma
fascinante árvore genealógica que chega até
o Harlem. O filme mostra o abismo existente entre os negros na América
e na África, e não dá margem a esperanças
de uma reaproximação. O trauma da escravidão
é marcante e presente em nossos dias, mas enquanto os africanos
tendem a buscar refúgio nas tradições e nos
laços de parentesco, os negros norte-americanos tentam olhar
para a realidade de forma pragmática e indiferente. Aí
está a base das discrepâncias entre esses povos que,
embora tenham os mesmos ancestrais, são tão inconciliáveis.
Vou torcer para que esta fita entre em cartaz, mas acho meio difícil...
Sem
Deixar Pistas, de María Novaro (México)
Esse foi o dia das surpresas, teve também esse simpático
road movie mexicano. O filme conta a história de duas
mulheres que fogem pelas estradas do país juntas, ouvindo
uma trilha sonora hilária; uma é mãe de dois
filhos e resolveu fugir com o dinheiro do namorado, um traficante;
a outra é uma contrabandista que tem que lidar com as investidas
de um policial gorducho, cuja obsessão é agarrá-la...
no mau sentido. Divertido, bem humorado, com boas pitadas de suspense,
o filme não perde o ritmo, os personagens são meio
estereotipados mas isso dá um tom mais escrachado à
história.
Três
Por Oito, de Philippe le Guay (França)
Fechando um bom dia, mais um bom filme. Temos o conflito entre dois
operários de uma fábrica de vidros, o novato Pierre,
que chega e conquista os colegas com sua simpatia e simplicidade,
mas atiça os ciúmes de Fred, um cara meio psicótico
que passa a azucrinar a sua vida. Pra piorar, trabalhar a noite
está prejudicando seu casamento e detonando o relacionamento
com seu filho. Ótimo retrato das relações humanas
em um ambiente de trabalho. Os personagens são fortes, marcantes,
o roteiro é muito bom e a história é muito
bem contada, os conflitos são bastante verossímeis.
Poderia ter abordado de forma mais incisiva a questão do
trabalho em turnos (o título do filme é a referência
mais explícita), que desgasta o trabalhador e é fonte
de inúmeras doenças do trabalho. Até que ponto
especificamente as condições adversas de trabalho
influenciaram o conflito entre os dois personagens? É uma
pergunta que fica sem resposta. Uma pena. Ainda assim, filmão.
Quarta
- 27 de agosto
O
Filho, de Jean-Pierre Dardenne e Luc Dardenne (Bélgica)
Detestei. Não adianta, achei um porre. É a história
de um carpinteiro que ensina a jovens e adolescentes que tiveram
problemas com a justiça. Um belo dia (depois de muuuuito
tempo de filme), aparece um novo aluno na sua carpintaria, e por
uma dessas coincidências do destino, é o rapaz que
assassinou o seu filho, uma criança - que não revelam
a idade em nenhum momento do filme, só se fala que isso ocorreu
cinco anos antes. E aí, o carpinteiro aceita ensinar o garoto
ou não aceita? O problema do filme é sua lentidão,
que irrita, irrita, irrita muito. A câmera está quase
sempre atrás do personagem, invariavelmente tremendo no melhor
estilo Dogma. E a gente acaba tendo uma baita e desnecessária
aula de carpintaria. É preciso tantos pormenores para descrever
um personagem e a gente saber o quanto é um profissional
dedicado? São 100 minutos que parecem uma eternidade. E a
história dava um curta-metragem. Pode ser uma questão
de gostar ou não gostar do estilo, tudo bem. Eu odiei. Além
do argumento não ser lá tão original.
Anita
Não Perde a Chance, de Ventura Pons (Espanha)
Simpático e divertido filme espanhol cuja personagem principal
é a bilheteira de um tradicional cinema de rua, desses que
não existem mais. O prédio do cinema foi destruído
e o terreno vendido, daí Anita perde o emprego depois de
mais de trinta anos de serviços. Sem ter o que fazer da vida,
continua mantendo o hábito de ir ao local de trabalho, que
se transformou num canteiro de obras. E é muito interessante
o quanto o trabalho de uma pessoa marca profundamente sua vida:
ao se ver privado dele, muitas vezes o indivíduo perde completamente
sua referência com o mundo, daí podendo tomar atitudes
ridículas... como a de Anita. Bem, o fato é que a
ex-bilheteira faz amizades com o pessoal da obra e acaba conhecendo
um dos operários... tudo bem que a história é
meio furada (como é que esse operário descobre o telefone
dela?, por exemplo), mas o filme funciona graças a umas piadinhas
bobas da protagonista. As referências cinematográficas
é que incomodam, são meio equivocadas, embora a parte
em que ela fala sobre o público que freqüentava o cinema
em que trabalhava seja bem legal. É um filme cujos personagens
são cheios de estereótipos, daí não
pode ser levado a sério. Mas é bacana.
Segunda-feira
ao Sol, de Fernando León de Aranda (Espanha)
Talvez o grande filme do festival. Foi o indicado da Espanha ao
Oscar de Filme Estrangeiro, no lugar do superestimado Fale Com
Ela, do Almodóvar. E é muito melhor mesmo. Não
tem nem como comparar, Fale Com Ela é filminho perto
deste. Começa com cenas de uma greve, onde houve um grave
conflito entre trabalhadores e policiais; daí corta e discorre
sobre a situação dos desempregados de um estaleiro
em uma cidade portuária da Espanha a partir de alguns personagens.
Um deles se vira em busca de trabalho, procura emprego em todos
os lugares, mas está "velho"; outro sofre porque
a mulher trabalha numa fábrica de peixes à noite para
sustentar a família (a cena em que ela passa o desodorante
é de uma sensibilidade cruel) enquanto ele está sem
emprego; outro está enfrentando uma ação judicial
porque depredou patrimônio da empresa durante a greve (Javier
Bardem, irreconhecível e sensacional); outro sofre com o
álcool porque... não vou contar, e etc. O filme aborda
esses assuntos sem ser panfletário ou chato, com muita ternura
e humor, às vezes até negro. E nos momentos mais dramáticos,
não apela. É aquilo ali mesmo. A história é
batida? Talvez. É batida porque acontece com milhões
de pessoas em todo mundo. Muitos vão se identificar com aqueles
personagens, com aquelas situações. Com suas tristezas,
suas angústias, suas paixões, seus sonhos, suas fraquezas,
suas desilusões. Isso é cinema.
Quinta
- 28 de agosto
Nos
Meus Lábios, de Jacques Audiard (França)
Interessante filme que conta a história de uma secretária,
Carla, ela não é muito popular no local de trabalho,
tem deficiência auditiva e está estafada com tanto
serviço. Um belo dia, descolam um estagiário pra ela,
um ex-presidiário que está na condicional. Solitária,
desprezada, mal-amada e etc, Carla fica toda ouriçadinha
com a chegada do sujeito... E aí está o trunfo do
filme: Carla é uma personagem cuja sexualidade é sublimada,
mas seu desejo transcende a genitalidade, busca algo maior, o afeto.
Traduzindo: a garota não está simplesmente a fim de
dar pro cara, ela está precisando sim de um chamego... De
desejar e ser desejada. O filme vai muito bem, explorando a surdez
da personagem e o uso do aparelho auditivo (o som do filme diminui
quando ela tira o aparelho, aumenta quando ela coloca, achei isso
bem bolado), a construção do par central, o ex-presidiário
e a secretária feiosa, é muito bem feita. Infelizmente,
aí resolvem colocar no roteiro uma historinha de roubo e
tal, um golpe para que os dois possam tirar o pé da lama
e fugir (dessa vez não é para o Brasil...). E aí
o filme cai. De qualquer maneira, os personagens são bons
e a história prende a atenção até o
final. E justiça seja feita, mesmo com esse rumo bobo que
a história toma, o filme é muito bem realizado.
Amores
Brutos, de Alejandro González Iñárritu
(México)
Você acredita que eu ainda não tinha visto esse filme?
Por isso vou falar pouco sobre ele, já que você já
o deve ter visto. Não viu? Tem na locadora. Ao invés
de alugar Tudo Para Ficar Com Ele ou Jason X, faça
um inestimável favor à sua inteligência: pega
este aqui. Seria o melhor do festival, se não fosse uma reprise...
Bem, Amores Brutos conta três histórias que
se cruzam através de uma tragédia, um acontecimento
estúpido e de conseqüências imprevisíveis
para o rapaz que quer viver com a mulher de seu irmão, aquele
ordinário; para a modelo fútil, que vive em um mundo
fantasioso; para o misterioso mendigo, cercado de amigos caninos.
Não preciso falar mais nada, é um filme fora de série.
Amarelo
Manga, de Cláudio Assis (Brasil)
Encerramento classe A para o festival, pré-estréia
em Birozonte, falando antes do filme Jonas Bloch e o próprio
diretor, este último desceu o cacete... no elitizado cinema
burguês brasileiro. O discurso já antecipou o próprio
filme: um olhar atento sobre os mais humildes, os sem esperança,
os marginalizados. Feito com muita garra, muita valentia, Amarelo
Manga não brinca em serviço. Movimentos de câmera
inusitados mostram um diretor atrevido e muito seguro de si. Os
personagens podem ter o defeito que for, mas são, acima de
tudo, humanos. Não é um filme fácil: é
desafiador. Você pode achar apelativo (não concordo),
mas ninguém pode negar uma coisa: é um filme feito
com muita dignidade.
Como
se vê, foi uma ótima semana! Ano que vem espero ver
mais filmes, em salas melhores e com menos aborrecimentos na hora
de arrumar ingressos para o festival. Bem, nessa altura do campeonato,
espero apenas que o Indie 2004 aconteça...
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