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Beagá, 07 de abril de 2003 d.C.

 
Samba ou rock?
Por El Jako
 

Já faz algum tempo que uma daquelas ondinhas cabeçóides está invadindo as noites insossas de Beagá, e ela se autodenomina samba-rock. Nas festinhas deste estilo se toca "o que há de melhor em nossa música": Jorge Ben, Tim Maia, Noriel Vilela, Gilberto Gil e outras coisas do gênero. Todo mundo se diverte com músicas despretensiosas e que não fazem mal a ninguém, e o melhor, estas baladas estão recheadas de gatinhas da melhor qualidade, loucas para sambar e agitar.

Tudo bem, todos temos o direito de sermos felizes e aproveitar a vida. A grande questão é que nos meios universitários todos estão se achando grandes gênios da música por estar gostando de sons esquecidos do bem. Na verdade, estas músicas são tão chatas quanto as outras populares brasileiras e as pessoas que agradam disso são igualmente entediantes. A galera está a fim de arrumar um jeitinho de gostar de música nacional e aí pronto, está resolvido o problema.

O que acho estranho é colocar o rock no meio desta jogada. Falar que Max de Castro, Simoninha, Paula Lima e companhia limitada (diga-se limitadíssima) fazem parte deste movimento todo intitulado samba-rock. O samba de que tenho conhecimento não tem nada a ver com isso aí, e o rock então nem se fala; por que então chamam isso de samba-rock? Até agora não entendi, mesmo porque esta balela de misturar estilos já está pra lá de desgastada: todo mundo sempre misturou sons, mas depois do manguebit isso virou uma grande jogada de marketing, ou para parecer intelectualmente correto ou mesmo para poder angariar fãs de diferentes modalidades musicais.

Essa estória toda só comprova o quanto somos fracos em território nacional musical. Essa brasilidade toda da qual temos tanto orgulho (?) é uma grande invenção nossa, ficamos tropeçando nas nossas próprias asneiras. A grande pergunta que faço é: até quando ficaremos nos enganando com relação à música tupiniquim? Até quando precisaremos de ondinhas e mais ondinhas para comprovarmos que somos melhores que alguém? Muitos ficam do lado de cá metendo o malho nos americanos e ingleses com seus hypes, e nós daqui inventando estilos novos para provar que somos mais do que alguém. Podemos embolar tudo no mesmo balaio e colocarmos no lixo reciclável que no fim dará na mesma babaquice de sempre. O problema é que movimentos legais como o hip hop acabam caindo nessas armadilhas e se juntando com o que há de mais podre em nossa música. É uma vontade incrível e inexplicável de querer agradar o máximo de pessoas possível que no fim dá numa grande e interminável música do nada, que não serve pra nada a não ser alimentar o próprio ego de cada um desses pseudovanguardistas do momento.

 
El Jako é professor de história e não acredita mais que vai realmente mudar o mundo. Na verdade, nunca acreditou. Se quiser xingá-lo, esteja à vontade: eljako@abacaxiatomico.com.br.

 

 

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