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Já
faz algum tempo que uma daquelas ondinhas cabeçóides está invadindo
as noites insossas de Beagá, e ela se autodenomina samba-rock. Nas
festinhas deste estilo se toca "o que há de melhor em nossa música":
Jorge Ben, Tim Maia, Noriel Vilela, Gilberto Gil e outras coisas
do gênero. Todo mundo se diverte com músicas despretensiosas e que
não fazem mal a ninguém, e o melhor, estas baladas estão recheadas
de gatinhas da melhor qualidade, loucas para sambar e agitar.
Tudo
bem, todos temos o direito de sermos felizes e aproveitar a vida.
A grande questão é que nos meios universitários todos estão se achando
grandes gênios da música por estar gostando de sons esquecidos do
bem. Na verdade, estas músicas são tão chatas quanto as outras populares
brasileiras e as pessoas que agradam disso são igualmente entediantes.
A galera está a fim de arrumar um jeitinho de gostar de música nacional
e aí pronto, está resolvido o problema.
O que
acho estranho é colocar o rock no meio desta jogada. Falar que Max
de Castro, Simoninha, Paula Lima e companhia limitada (diga-se limitadíssima)
fazem parte deste movimento todo intitulado samba-rock. O samba
de que tenho conhecimento não tem nada a ver com isso aí, e o rock
então nem se fala; por que então chamam isso de samba-rock? Até
agora não entendi, mesmo porque esta balela de misturar estilos
já está pra lá de desgastada: todo mundo sempre misturou sons, mas
depois do manguebit isso virou uma grande jogada de marketing, ou
para parecer intelectualmente correto ou mesmo para poder angariar
fãs de diferentes modalidades musicais.
Essa
estória toda só comprova o quanto somos fracos em território nacional
musical. Essa brasilidade toda da qual temos tanto orgulho (?) é
uma grande invenção nossa, ficamos tropeçando nas nossas próprias
asneiras. A grande pergunta que faço é: até quando ficaremos nos
enganando com relação à música tupiniquim? Até quando precisaremos
de ondinhas e mais ondinhas para comprovarmos que somos melhores
que alguém? Muitos ficam do lado de cá metendo o malho nos americanos
e ingleses com seus hypes, e nós daqui inventando estilos novos
para provar que somos mais do que alguém. Podemos embolar tudo no
mesmo balaio e colocarmos no lixo reciclável que no fim dará na
mesma babaquice de sempre. O problema é que movimentos legais como
o hip hop acabam caindo nessas armadilhas e se juntando com o que
há de mais podre em nossa música. É uma vontade incrível e inexplicável
de querer agradar o máximo de pessoas possível que no fim dá numa
grande e interminável música do nada, que não serve pra nada a não
ser alimentar o próprio ego de cada um desses pseudovanguardistas
do momento.
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