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Depois
de muitos e muitos anos ouvindo música a rodo, a vontade que dá,
observando o cenário musical atual, é de sair correndo pra bem longe,
para o passado, em busca das velharias. Quando digo velharias não
estou falando somente dos jurássicos Stones, Beatles, Led Zeppelin
e Cia. Limitada, mas também do fabuloso início dos anos 90, quando
conhecemos Nirvana, Jane's Addiction, Fugazi e outros.
Lembro-me
muito bem da primeira vez que ouvi Nevermind, foi como se
o rock'n roll puro e simples estivesse nascendo de novo. Estávamos
numa época em que Faith No More e Chili Peppers "salvavam" os nosso
ouvidos de "coisas" como Information Society, Technotronic e Snap.
O mais incrível é que parece que tudo isso aconteceu ontem, só que
lá se vão mais de dez anos - lá se vão as camisas de flanela nas
tardes quentes de Beagá, lá se vão as longas madeixas e barbichas
e lá se foi o jeito simples de se fazer música. Nunca condenei a
tecnologia musical atual, mesmo porque existem aqueles que a utilizam
muito bem (é só lembrar de Massive Atack, Chemical Brothers ou Portishead),
só que um verdadeiro fã de rock precisa de algo mais. Não digo do
"bom e velho rock'n roll", essa expressão é pura idiotice (como
assim "bom e velho"?). Estou falando sim da guitarra, do baixo e
da bateria causando estragos aos ouvidos, das letras rasgadas e
às vezes nonsense e mesmo da atitude de quem não está nem aí. Mas
como vimos no caso dos Tribalistas, até a atitude "não estou ligando"
é proposital. Hoje em dia, vale tudo para chamar a atenção da mídia,
e uma das formas de se conseguir esse objetivo é fazer de conta
que não se liga para isso.
Na
verdade, o cenário musical de hoje me parece um dos mais complicados
dos últimos tempos, principalmente depois que o termo "alternativo"
se tornou comum. O que é ser uma banda alternativa? Antes, a palavra
fazia mais sentido, era na verdade uma alternativa para quem simplesmente
queria algo diferente. Agora não, qualquer cidadão é alternativo.
Por exemplo, o Los Hermanos é uma banda que faz esse tipo: barbas
grandes, referências musicais "cabeça" e uma atitude blasé com a
imprensa e os fãs; no final, um som que pode até parecer ter melhorado
com o tempo, mas na verdade não são experimentações, tudo é bem
calculado para que os caras possam aparecer mais do que os outros.
Por
isso que, se tivesse que montar uma banda hoje, sinceramente não
saberia por onde começar. Tudo parece armado, artificial e repetitivo.
Pode ser que esteja ficando mais velho mesmo e cansado dessa estória
de defender bandeiras no meio musical, mas tudo (digo tudo mesmo)
é muito sem graça, as bandas não empolgam como antes, os músicos
não parecem felizes com o que fazem e o público aprendeu a ser idiota
e cai em armadilhas como se fosse uma besta solta pela floresta.
Hoje
é muito fácil vender discos e fazer sucesso; não que antes só se
davam bem aqueles que tivessem talento, mas pelo menos as táticas
eram inovadoras. E agora, o que é inovador? O que realmente choca?
Espero que esteja errado, mas a cada dia que passa acho que voltarei
mais e mais ao passado e deixarei para os mais jovens julgarem toda
essa indústria musical que hoje domina rádios, tvs e outros meios
de comunicação.
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