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Beagá, 06 de março de 2006 d.C.
 

Vai ser dada a largada

Por Grand Chelem
 

(Atualizado em 06/03)

A temporada 2006 da Fórmula 1, que será aberta no próximo dia 12, com o GP do Bahrein, promete muita disputa e equilíbrio. Tudo por conta das novas regras, que resgataram os motores V8 e as trocas de pneus durante as corridas e, não bastasse, lançaram um formato de classificação dividido em três etapas.

Os motores V10 de 3.0 litros da Fórmula 1 competiram pela última vez na China, em outubro passado. Este ano, as principais equipes terão que usar propulsores V8 de 2.4 litros em uma tentativa por parte da FIA (Federação Internacional de Automobilismo) de reduzir a velocidade dos carros, que a cada ano são muito mais rápidos que na temporada anterior. De acordo com estimativas da Renault, os novos motores apresentarão uma perda de potência da ordem de 20% - ou de cerca de 200 cv. As equipes menores tiveram a permissão de utilizar um V10 adaptado, com restrição de potência. Apenas a estreante Toro Rosso optou por este caminho.

Outra alteração importante é o retorno da permissão para a troca de pneus durante os pit-stops. Em 2005, cada piloto tinha que usar o mesmo jogo de pneus para as tomadas de tempo e na corrida. Esta era uma restrição que forçava os engenheiros a se concentrarem bastante no comportamento do pneu durante todo o fim de semana. Mas agora cada carro poderá usar sete jogos de pneus durante o final de semana, com trocas permitidas ao longo da corrida. A decisão terá conseqüências importantes tanto para o acerto dos carros quanto para a estratégia de corrida.

A maneira como o grid será formado também sofreu uma alteração importante para 2006. Nas tardes de sábado, todos os carros entrarão na pista ao mesmo tempo. Após 15 minutos, os cinco mais lentos serão eliminados, e ocuparão as cinco últimas posições no grid. Então, após mais uma sessão de 15 minutos, novamente os cinco mais lentos serão retirados do treino para ocupar os lugares de 11 a 15 na largada. Os dez carros restantes disputarão a pole durante 20 minutos - com o detalhe de que usarão o combustível que terão disponível para a primeira parte da prova, até sua parada no boxe para reabastecimento e troca de pneus durante o GP. Mas a gasolina consumida nesta última fase da classificação será recolocada no tanque após a definição do grid.

Quem deve pular na frente

Renault
Objetivo natural
A Renault começa 2006 com um objetivo bem claro: manter os títulos de pilotos e construtores conquistados com brilhantismo em 2005. Para tanto, vem trabalhando no R26 desde o fim da temporada passada. E pelo que demonstrou nos testes do inverno europeu, a equipe francesa tem tudo para disputar as primeiras colocações novamente.

1 - Fernando Alonso (ESP)
Mostrou no ano passado todo o seu talento. Veloz e cerebral, é forte candidato ao bi.

2 - Giancarlo Fisichella (ITA)
Esmagado por Alonso em 2005, quer provar este ano que pode estar em uma equipe grande.

A frase
“Nós certamente somos capazes de repetir as conquistar do ano passado em 2006.”
Bob Bell, diretor-técnico de chassi.

Mclaren-Mercedes
Será que desta vez vai?
Uma sucessão de erros e acertos faz parte do histórico da Mclaren nos últimos anos. Em 2003, disputou o título com a Ferrari mesmo utilizando uma versão revisada do carro de 2002. Em 2004, lançou um modelo revolucionário que se mostrou um verdadeiro fiasco. No ano passado, acertou a mão no chassi, mas sofreu com a falta de confiabilidade do motor Mercedes. O duro é que o os propulsores alemães continuaram explodindo durante os testes para esta temporada, sem falar na falta de potência... Se resolver o problema com o motor, disputa o título.

3 - Kimi Raikkonen (FIN)
Considerado por muitos o piloto mais talentoso da atual geração. Com um carro competitivo em mãos, é favorito.

4 - Juan Pablo Montoya (COL)
Ainda não mostrou a que veio na Fórmula 1. É rápido e arrojado, mas carece de regularidade.

A frase
“Minhas primeiras impressões do carro foram boas, porém precisamos de mais quilometragem.”
Kimi Raikkonen, piloto.

Ferrari
Para recuperar o orgulho
A Ferrari quer esquecer 2005. Depois de seis títulos de construtores seguidos, a equipe terminou o ano passado em uma modesta terceira colocação, com apenas uma vitória - no GP dos EUA, disputado entre seis carros. Para este ano, a mobilização em Maranello foi grande e, ao que parece, o 248 F1 é confiável e competitivo.

5 - Michael Schumacher (ALE)
Talvez em sua última temporada, quer provar que ainda tem lenha para queimar. Seu talento é inquestionável e é fácil observar que Schumacher ainda tem muito a ensinar para nova geração. Olho no alemão.

6 - Felipe Massa (BRA)
Ganhou uma chance de ouro: correr em uma grande equipe e ao lado de Michael Schumacher. Precisa lapidar seu talento e vai ter uma temporada para fazer isso.

A frase
“Os primeiros sinais a respeito do 248 F1 são positivos. O carro é fácil de dirigir.”
Michael Schumacher, piloto.

Honda
Finalmente grande
Após anos de dobradinha com a BAR, a Honda resolveu que 2006 seria a temporada de arregaçar as mangas e montar sua própria equipe. Para tanto, fez o lógico: comprou a parte da antiga parceira na equipe, mudou o nome de BAR-Honda para Honda e deu a cara para bater. Os primeiros resultados da mudança foram animadores. Na pré-temporada, a Honda sempre andou perto da Renault, a atual referência da Fórmula 1.

11 - Rubens Barrichello (BRA)
Finalmente tomou coragem, deixou de ser submisso e largou a Ferrari. É um bom piloto e, motivado, pode dar trabalho, principalmente se repetir atuações como a dos GPs da Alemanha 2001 e da Inglaterra 2003.

12 - Jenson Button (ING)
Deve ter a oportunidade de mostrar este ano que é de fato um grande piloto, no qual, aliás, os fãs ingleses depositam boa parte das suas fichas.

A frase
“Ainda não chegamos lá, mas o ritmo do RA-106 é muito bom.”
Jenson Button, piloto.

As candidatas à zebra

Conheça os times que podem beliscar alguns pódios e, com um pouquinho de sorte, uma vitória.

Toyota
Em busca da primeira vez
Ano vai, ano vem, a Toyota despeja um caminhão de dinheiro na Fórmula 1 e segue sem vitórias em seu currículo. Aos poucos, entretanto, os nipônicos arrumam a casa. Para 2006, a principal aposta foi no talento e prestígio de Mike Gascoyne, responsável pelo projeto do TF-106. Resta saber até quando a paciência oriental da diretoria da montadora vai durar se os triunfos continuarem a não aparecer...

7 - Ralf Schumacher (ALE)
Terminou 2005 com boas atuações. Será que finalmente encontrou a maturidade necessária a um bom piloto?

8 - Jarno Trulli (ITA)
É rápido, um dos melhores da categoria, mas passa a impressão de que, na hora H, pipoca.

A frase
“Tudo parece certo, o motor é forte e confiável e o chassi é bom. A possibilidade de vitória realmente existe.”
Ralf Schumacher, piloto.

Williams-Cosworth
Frank quer voltar ao topo
O jogo de forças muda rapidamente na Fórmula 1. Frank Williams e seu sócio, Patrick Head, sabem bem disso. Pouco a pouco, a Williams perdeu espaço nas primeiras posições do grid para equipes como Renault e Honda. E agora quer recuperar o terreno perdido. Para manter o costume, o FW 28 parece ter o melhor motor da categoria (já era assim desde os tempos da parceria com a BMW) e um chassi e projeto aerodinâmico medianos.

9 - Mark Webber (AUS)
Muito se fala de Mark Webber: que ele é rápido, arrojado... Mas a verdade é que, até agora, ele pouco provou.

10 - Nico Rosberg (ALE)
Tem pedigree. Seu pai, Keke, foi campeão com a própria Williams em 1982. Muito novo, deve fazer uma temporada de alguns erros e bastante aprendizado.

A frase
“Pudemos confirmar nos primeiros testes de pista o potencial aerodinâmico que o carro havia apresentado nos trabalhos no túnel de vento.”
Sam Michael, diretor técnico.

Red Bull-Ferrari
O ano da afirmação
A primeira temporada da Red Bull, ano passado, superou as expectativas. Aproveitando-se da experiência de David Coulthard, e da ausência de pressão por resultados, a equipe esteve na zona de pontuação com freqüência. Para este ano, o pódio é o objetivo. Mas o time começou 2006 enfrentando dificuldades: nos testes de pré-temporada, o RB 02 demonstrou que é um carro que tem problemas crônicos no seu projeto.

14 - David Coulthard (ESC)
Quando saiu da Mclaren, ao final de 2004, muitos acharam que ele estava acabado para a Fórmula 1. O bom desempenho em 2005 mostrou aos seus críticos que a experiência ainda vale muito na categoria.

15 - Christian Klien (AUT)
Entre erros e acertos (mais erros do que acertos), vai se firmando na categoria. Será muito cobrado em 2006 e só se corresponder garante vaga para 2007.

A frase
“O RB 02 é um carro bom e rápido.”
David Coulthard, piloto.

BMW-Sauber
Um passo de cada vez
Após uma turbulenta parceria com a Williams, que em pouco resultou, a BMW começa 2006 assumindo uma equipe própria. Os objetivos para este ano são modestos: pontos e, talvez, alguns pódios (quem sabe uma vitória?). Os primeiros testes com o BMW Sauber F1.06 foram promissores e a equipe esteve sempre ocupando os primeiros lugares da pré-temporada. A conferir.

16 - Nick Heidfeld (ALE)
É, sem dúvida, um bom piloto. Só que não passa disso: um bom piloto.

17 - Jacques Villeneuve (CAN)
Retornou à Fórmula 1 em 2004 protagonizando vexames, que se seguiram durante boa parte da temporada 2005. Fez uma ou outra boa corrida, porém deixou a impressão de que seu tempo na categoria já passou.

A frase
“Os últimos testes foram muito satisfatórios para nós. No geral, a confiabilidade do carro atingiu um bom nível rapidamente.”
Willy Rampf, diretor técnico de chassi.

Última fila, nem pensar

Equipes pequenas sonham em fugir do pelotão traseiro.

Midland-Toyota
Russos desejam brilhar
Ex-Jordan, a Midland estréia na Fórmula 1 prometendo “revolucionar” a categoria. Entre as medidas já anunciadas pela equipe, estão a contratação de engenheiros aeronáuticos russos (país de origem do time) e a utilização de tecnologia militar não-confidencial americana nos sistemas eletrônicos do carro. Se vai dar resultado, só o tempo dirá.

18 - Tiago Monteiro (POR)
Provou em 2005 que é capaz de chegar ao fim das corridas. Resta, agora, apenas (!) mostrar que também pode ser rápido.

19 - Christian Albers (HOL)
Pouco fez na Minardi durante o ano passado. Pouco deve fazer na Midland este ano.

A frase
“Espero uma temporada empolgante. Procuraremos fazer pontos com mais freqüência.”
Tiago Monteiro, piloto.

Toro Rosso-Cosworth
Seguindo os passos da matriz
Tudo o que a Toro Rosso (Touro Vermelho em italiano) deseja é ter uma temporada de estréia como a da sua matriz, Red Bull, em 2005. Ou seja, surpreender e somar quantos pontos forem possíveis. A equipe será a única a usar um motor V10 com limitação de potência (as outras optaram pelo V8). Um ponto positivo é a presença de Gerhard Berger, novo sócio do time, nos boxes. O austríaco pode ser um bom consultor - experiência não lhe falta.

20 - Vitantonio Liuzzi (ITA)
Fez algumas corridas - regulares - no ano passado. Parece ser um piloto mediano, com boas possibilidades de evolução.

21 - Scott Speed (EUA)
Pura escolha de marketing (a Red Bull tem grande interesse no mercado americano de bebidas), começa o ano sob o signo da desconfiança. Vai ter de trabalhar dobrado para provar que não está na categoria por acaso.

A frase
“Temos um bom carro, mas não fazemos os melhores tempos.”
Gerhard Berger, sócio.

Super Aguri-Honda
A nova Minardi?
O carro é um Arrows de 2002 adaptado. A experiência da equipe na Fórmula 1 é nula. Os pilotos têm talento questionável. É possível contar nos dedos os testes que a equipe realizou na pré-temporada. O que esperar da Super Aguri? Nada. É forte candidata à última fila. A esperança do time se resume ao forte motor Honda.

22 - Takuma Sato (JAP)
Chutado da equipe Honda em função da falta de talento, restou a ele uma vaga no time 100% japonês. Os outros pilotos que se cuidem: com Sato na pista, eles não têm garantia de chegar ao fim das corridas.

23 - Yuji Ide (JAP)
Uma verdadeira incógnita. Dará ele seqüência a tradição de pilotos japoneses atrapalhados, que teve em Satoru Nakajima e Ukio Katayama grandes representantes?

A frase
“Estou muito satisfeito por ter esses dois pilotos experientes em minha equipe. Embora eu espere um ano difícil, acredito que poderemos fazer uma estréia positiva.”
Aguri Suzuki, proprietário.

O calendário
12/03 - GP do Bahrein (Sakhir)
19/03 - GP da Malásia (Sepang)
02/04 - GP da Austrália (Melbourne)
23/04 - GP de San Marino (Ímola)
07/05 - GP da Europa (Nürburgring)
14/05 - GP da Espanha (Barcelona)
28/05 - GP de Mônaco (Monte Carlo)
11/06 - GP da Inglaterra (Silverstone)
02/07 - GP dos EUA (Indianápolis)
16/07 - GP da França (Magny-Cours)
06/08 - GP da Hungria (Hungaroring)
27/08 - GP da Turquia (Istambul)
10/09 - GP da Itália (Monza)
01/10 - GP da China (Xangai)
08/10 - GP do Japão (Suzuka)
22/10 - GP do Brasil (Interlagos)

O site:

www.f1.com.

Dica:

Convido a todos os abacaxinautas a visitarem o site www.automobiles.com.br, quase uma versão online do jornal Jornal MotorBR, do qual sou editor. As atualizações são diárias.

 
Grand Chelem é correspondente do ABACAXI ATÔMICO em Curitiba. E-mail: grandchelem@abacaxiatomico.com.br

 

 

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