Super Aguri, Toro Rosso, Midland, Red Bull: que Fórmula 1 é essa? É a Fórmula 1 2006! Podem me chamar de saudosista, mas preferia a época da Brabham, Lotus, Tyrrell... Até a heróica Minardi capitulou. Das tradicionais, sobraram apenas Mclaren, Ferrari, Williams (cambaleando) e a Renault que, depois de um tempo no estaleiro, voltou com força total.
Tenho saudades dos tempos em que a paixão dominava o automobilismo. Tempos em que os pilotos tinham personalidade, falavam o que pensavam e não se prendiam a contratos que ditam até a hora em que eles podem ir ao banheiro. Quer pilotos mais sem-graça que Kimi Raikkonen e Fernando Alonso, os ícones da nova geração? Gigantes dentro do carro, sem o menor sal fora dele. Não falam quase nada, não alimentam a rivalidade... Sou muito mais Nelson Piquet, Alain Prost, Nigel Mansell e Ayrton Senna trocando farpas pela imprensa e batendo rodas em disputas memoráveis.
Hoje quem manda é o marketing. Um exemplo: qual foi um dos assuntos mais discutidos neste fim de temporada da Fórmula 1? O tal “Red Bull Bulletin”, informativo da equipe do vendedor de energético que, a cada corrida, desancava a cultura local com muita irreverência. Não raro, vinha acompanhado do seguinte comentário (da imprensa, dos amantes do automobilismo, enfim, de todos): “Que jogada de marketing!”. As mesmas palavras foram ouvidas quando a Red Bull anunciou que sua nova equipe, a antiga Minardi, ia se chamar “Toro Rosso” (Touro Vermelho em italiano). As ações do time chegaram a ser apontadas como o melhor fato do ano por especialistas na última edição da revista Racing. O braço de Kimi Raikkonen e a grandeza de Fernando Alonso ficaram em segundo plano...
Notas dos pilotos
Com um pouco de atraso, forçado por problemas que fugiram ao meu controle, seguem as tradicionais notas dos pilotos nos dois últimos GPs do ano.
GP do Japão
1 - Raikkonen - 10,0
Uma corrida genial. Largando no fim do grid, voou pelo circuito com uma perfeição incrível. A ultrapassagem sobre Fisichella na última volta apenas coroou um dia fantástico.
2 - Fisichella - 8,0
A disputa com Raikkonen comprovou que Fisichella é apenas um bom (e não um grande) piloto. Na manobra que definiu o GP, acelerou demais na saída da chicane anterior a reta principal, perdeu tração e velocidade e foi ultrapassado com facilidade. Fosse um top, não se afobaria e ganharia a corrida.
3 - Alonso - 7,5
Ainda de ressaca pelo título, ficou no arroz-com-feijão.
4 - Webber - 8,0
Vez ou outra o canguru-traíra faz uma boa corrida. No Japão foi assim.
5 - Button, 6 - Coulthard, 7 - M. Schumacher e 8 - Ralf Schumacher - 7,0
Andaram no limite dos seus carros.
- Klien - 6,5
Aos poucos, vai aprendendo. Talvez lentamente demais, porém já melhorou bastante.
- Massa - 5,5
Teve apenas um mérito: chegou à frente do seu companheiro de equipe.
- Villeneuve e Barrichello - 4,5
Sem comentários, sem comentários...
- Sato - 1,0
Desta vez se superou. A quantidade de asneiras que ele fez foi realmente fantástica.
- Monteiro - 4,0
Para variar, o primeiro colocado da Fórmula Mil (mil vezes pior).
- Doornbos, Karthikeyan e Albers - 3,0
Ao menos não fizeram grandes besteiras.
- Trulli - 4,0
Abalroado por Sato, não teve grandes chances.
- Pizzonia - 2,0
Ridículo, se queimou.
- Montoya - 4,0
Se estabacou logo de cara em uma disputa dura com Villeneuve.
GP da China
1 - Alonso - 9,0
Deu o troco em Raikkonen.
2 - Raikkonen - 8,0
Não manteve o brilhantismo do GP do Japão.
3 - Ralf - 8,5
Belo desempenho.
4 - Fisichella - 7,0
Além de não ser um grande piloto, ainda é azarado. Raikkonen segurou todo mundo na entrada nos boxes no GP da Bélgica e não foi punido. Ele fez o mesmo na China e tomou um stop and go.
5 - Klien - 8,0
Fantástica evolução.
6 - Massa - 8,0
Apoiado por uma boa estratégia, fez grande corrida.
7 - Webber - 7,0
Encerrou bem a temporada. Para alegria do seu empresário e do seu assessor de marketing.
8 - Button - 6,0
Esperava ver Button mais à frente.
- Coulthard - 5,5
Merecia um pontinho para encerrar com chave de ouro um bom ano.
- Villeneuve e Monteiro - 5,0
Chegaram onde sempre estiveram: no pelotão intermediário.
- Barrichello e Pizzonia - 3,5
Patéticos.
- Doornbos, Trulli e Albers - 2,5
Nada a falar.
- Sato e Karthikeyan - 1,5
Patéticos ao quadrado.
- Montoya - 6,0
Com o perdão do trocadilho, mas viu sua vitória escorrer pelo ralo...
- Schumacher - 1,0
Sem dúvida, uma das piores corridas da sua carreira. O que foi aquela rodada, sozinho, com o safety-car na pista? Nem Sato ou Karthikeyan fariam pior!

Dica:
Convido a todos os abacaxinautas a visitarem o site www.automobiles.com.br,
quase uma versão online do jornal Jornal MotorBR,
do qual sou editor. As atualizações são diárias. |