Quem foi melhor: Ayrton Senna ou Michael Schumacher? Infelizmente, os deuses da Fórmula 1 não permitiram que víssemos esse fantástico duelo. Então resolvi botar a mão na massa e estabelecer um comparativo entre os dois maiores gênios do automobilismo moderno.
Para efeitos de estatística, considerei o aproveitamento de vitórias dos pilotos em cada ano e cheguei a uma média. Porém não pura e simplesmente. Para deixar o duelo mais justo, excluí da contabilidade as corridas em que o piloto teve problemas mecânicos e acidentes nos quais ele notadamente não foi culpado.
Exemplos para facilitar: Mônaco 88 entra como “derrota” na estatística de Senna e Austrália 94, na de Schumacher (ambos erraram claramente). Japão 89 não entra na conta do brasileiro e Grã-Bretanha 95, não é contabilizada para o alemão (foram abalroados por outros adversários). Deu para entender? Estamos considerando o índice porcentual de vitórias excetuando-se abandonos por falhas mecânicas ou por acidentes não provocados.
O resultado demonstra o equilíbrio. Senna, que correu em uma época na qual os problemas no carro eram mais comuns, vence apertado: 40,9% x 40,1%. Claro, os números são frios e não consideram o nível dos adversários, a qualidade dos bólidos e muito menos o fator “genialidade”. De qualquer forma, confiram abaixo os dados esmiuçados.
Ayrton Senna
• Aproveitamento em 1985: 33,3% (2 vitórias em 6 corridas)
• Aproveitamento em 1986: 20% (2 vitórias em 10 corridas)
• Aproveitamento em 1987: 18,2% (2 vitórias em 11 corridas)
• Aproveitamento em 1988: 53,3% (8 vitórias em 15 corridas)
• Aproveitamento em 1989: 60% (6 vitórias em 10 corridas)
• Aproveitamento em 1990: 50% (6 vitórias em 12 corridas)
• Aproveitamento em 1991: 50% (7 vitórias em 14 corridas)
• Aproveitamento em 1992: 37,5% (3 vitórias em 8 corridas)
• Aproveitamento em 1993: 45,5% (5 vitórias em 11 corridas)
• Média de aproveitamento: 40,9%
Michael Schumacher
• Aproveitamento em 1992: 7,7% (1 vitórias em 13 corridas)
• Aproveitamento em 1993: 10% (1 vitórias em 10 corridas)
• Aproveitamento em 1994: 53,3% (8 vitórias em 15 corridas)
• Aproveitamento em 1995: 64,2% (9 vitórias em 14 corridas)
• Aproveitamento em 1996: 30% (3 vitórias em 10 corridas)
• Aproveitamento em 1997: 33,3% (5 vitórias em 15 corridas)
• Aproveitamento em 1998: 42,8% (6 vitórias em 14 corridas)
• Aproveitamento em 1999: 22,2% (2 vitórias em 9 corridas)
• Aproveitamento em 2000: 56,2% (9 vitórias em 16 corridas)
• Aproveitamento em 2001: 56,2% (9 vitórias em 16 corridas)
• Aproveitamento em 2002: 64% (11 vitórias em 17 corridas)
• Aproveitamento em 2003: 37,5% (6 vitórias em 16 corridas)
• Aproveitamento em 2004: 72,2% (13 vitórias em 18 corridas)
• Aproveitamento em 2005: 11,1% (1 vitória em 9 corridas)
• Média de aproveitamento: 40,1%
Observações
• Não considerei a primeira temporada de cada piloto (1984 para Senna e 1991 para Schumacher). Além disso, o maldito 1994 não entra na conta do brasileiro por terem sido apenas três corridas, que obviamente não são suficientes para mensurar como seria seu desempenho no ano.
• Senna morreu no auge da carreira (vide a brilhante temporada de 1993). Possivelmente os anos seguintes incrementariam as suas estatísticas.
• Vitórias provocadas por jogo de equipe, das quais Schumacher foi favorecido algumas vezes, contam normalmente.
• Talvez eu tenha cometido um ou outro lapso de memória quanto aos acidentes. Mas acredito que o resultado final não seria alterado significativamente.
• Prometo que um dia ainda vou fazer a mesma comparação entre os dois maiores gênios da Fórmula 1 antiga: Juan Manuel Fangio e Jim Clark.

Dica:
Convido a todos os abacaxinautas a visitarem o site www.automobiles.com.br,
quase uma versão online do jornal Jornal MotorBR,
do qual sou editor. As atualizações são diárias. |