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Beagá, 24 de outubro de 2005 d.C.
 

Duelo de gigantes

Por Grand Chelem
 

Quem foi melhor: Ayrton Senna ou Michael Schumacher? Infelizmente, os deuses da Fórmula 1 não permitiram que víssemos esse fantástico duelo. Então resolvi botar a mão na massa e estabelecer um comparativo entre os dois maiores gênios do automobilismo moderno.

Para efeitos de estatística, considerei o aproveitamento de vitórias dos pilotos em cada ano e cheguei a uma média. Porém não pura e simplesmente. Para deixar o duelo mais justo, excluí da contabilidade as corridas em que o piloto teve problemas mecânicos e acidentes nos quais ele notadamente não foi culpado.

Exemplos para facilitar: Mônaco 88 entra como “derrota” na estatística de Senna e Austrália 94, na de Schumacher (ambos erraram claramente). Japão 89 não entra na conta do brasileiro e Grã-Bretanha 95, não é contabilizada para o alemão (foram abalroados por outros adversários). Deu para entender? Estamos considerando o índice porcentual de vitórias excetuando-se abandonos por falhas mecânicas ou por acidentes não provocados.

O resultado demonstra o equilíbrio. Senna, que correu em uma época na qual os problemas no carro eram mais comuns, vence apertado: 40,9% x 40,1%. Claro, os números são frios e não consideram o nível dos adversários, a qualidade dos bólidos e muito menos o fator “genialidade”. De qualquer forma, confiram abaixo os dados esmiuçados.

Ayrton Senna
Aproveitamento em 1985: 33,3% (2 vitórias em 6 corridas)
Aproveitamento em 1986: 20% (2 vitórias em 10 corridas)
Aproveitamento em 1987: 18,2% (2 vitórias em 11 corridas)
Aproveitamento em 1988: 53,3% (8 vitórias em 15 corridas)
Aproveitamento em 1989: 60% (6 vitórias em 10 corridas)
Aproveitamento em 1990: 50% (6 vitórias em 12 corridas)
Aproveitamento em 1991: 50% (7 vitórias em 14 corridas)
Aproveitamento em 1992: 37,5% (3 vitórias em 8 corridas)
Aproveitamento em 1993: 45,5% (5 vitórias em 11 corridas)
Média de aproveitamento: 40,9%

Michael Schumacher
Aproveitamento em 1992: 7,7% (1 vitórias em 13 corridas)
Aproveitamento em 1993: 10% (1 vitórias em 10 corridas)
Aproveitamento em 1994: 53,3% (8 vitórias em 15 corridas)
Aproveitamento em 1995: 64,2% (9 vitórias em 14 corridas)
Aproveitamento em 1996: 30% (3 vitórias em 10 corridas)
Aproveitamento em 1997: 33,3% (5 vitórias em 15 corridas)
Aproveitamento em 1998: 42,8% (6 vitórias em 14 corridas)
Aproveitamento em 1999: 22,2% (2 vitórias em 9 corridas)
Aproveitamento em 2000: 56,2% (9 vitórias em 16 corridas)
Aproveitamento em 2001: 56,2% (9 vitórias em 16 corridas)
Aproveitamento em 2002: 64% (11 vitórias em 17 corridas)
Aproveitamento em 2003: 37,5% (6 vitórias em 16 corridas)
Aproveitamento em 2004: 72,2% (13 vitórias em 18 corridas)
Aproveitamento em 2005: 11,1% (1 vitória em 9 corridas)
Média de aproveitamento: 40,1%

Observações

Não considerei a primeira temporada de cada piloto (1984 para Senna e 1991 para Schumacher). Além disso, o maldito 1994 não entra na conta do brasileiro por terem sido apenas três corridas, que obviamente não são suficientes para mensurar como seria seu desempenho no ano.

Senna morreu no auge da carreira (vide a brilhante temporada de 1993). Possivelmente os anos seguintes incrementariam as suas estatísticas.

Vitórias provocadas por jogo de equipe, das quais Schumacher foi favorecido algumas vezes, contam normalmente.

Talvez eu tenha cometido um ou outro lapso de memória quanto aos acidentes. Mas acredito que o resultado final não seria alterado significativamente.

Prometo que um dia ainda vou fazer a mesma comparação entre os dois maiores gênios da Fórmula 1 antiga: Juan Manuel Fangio e Jim Clark.

Dica:

Convido a todos os abacaxinautas a visitarem o site www.automobiles.com.br, quase uma versão online do jornal Jornal MotorBR, do qual sou editor. As atualizações são diárias.

 
Grand Chelem é correspondente do ABACAXI ATÔMICO em Curitiba. E-mail: grandchelem@abacaxiatomico.com.br

 

 

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