Já virou lugar-comum chamar
Kimi Raikkonen de azarado. Já virou lugar-comum chamar Fernando
Alonso de sortudo. Mas o que mais podemos falar a respeito do GP
da Itália, disputado em Monza? Bom, vou procurar assuntos,
digamos, mais “terrenos”.
Antônio Pizzonia, por exemplo, estava no lugar certo na
hora certa: fez uma corrida brilhante no exato momento que os times
começam a definir seus pilotos para 2006. Largando em 16º com
a banheira da Williams, galgou degraus com precisão até conquistar
um excelente sétimo lugar. Ao chegar nos boxes, foi recebido
com aplausos pela equipe. Quer maior reconhecimento?
Continuo achando que Pizzonia merece ser titular no ano que vem.
Talvez como segundo piloto da Sauber-BMW ou até na Midland.
O que não dá é ficar mais uma temporada só testando.
Chega!
Enquanto alguns comemoram um sétimo lugar, outros lamentam
a disputa por posições intermediárias. Neste último
caso entra a Ferrari, que em Monza atingiu o auge da sua decadência.
Ver Schumacher e Rubinho disputando sétimo, oitavo, nono
lugar no “quintal de casa” é deprimente. Realmente
perderam o rumo, por fatores que já expliquei em colunas
anteriores.
Ah, um detalhezinho histórico: todos os pilotos que largaram
no GP da Itália (20) concluíram a corrida. Isso não
ocorria na Fórmula 1 desde o longínquo GP da Holanda
de 1961!
Nota dos pilotos
1 - Montoya - 10,0
Rápido como sempre. Constante como nunca.
2 - Alonso - 9,0
Preciso como sempre. Campeão como nunca.
3 - Fisichella - 8,5
Comendo poeira como sempre. Sortudo como nunca.
4 - Raikkonen - 8,5
Azarado como sempre. Braço-duro como nunca. Bom, braço-duro
com certeza é um exagero usado apenas para não perder
o trocadilho infame. A verdade é que Raikkonen barbarizou
nos treinos (mesmo com um carro mais pesado que a concorrência
fez o melhor tempo) e vinha com uma boa estratégia para
vencer a corrida, mas aí o azar de sempre... Depois do pit-stop
inesperado, restaria a ele lutar pelo pódio, só que
uma rodada nas voltas finais acabou com suas últimas pretensões,
mostrando que até mesmo o homem de gelo não tem sangue
de barata e erra de vez em quando.
5 - Trulli - 8,0
Dentro das suas possibilidades, faz uma boa temporada e provou
isso em Monza.
6 - Ralf - 7,0
A cada corrida que passa, mostra que não tem como competir
com Trulli.
7 - Pizzonia - 9,0
Um dos grandes nomes da prova. Há um ano sem correr, há três
meses sem treinar, sentou no carro e mandou ver como um veterano.
Mostrou maturidade.
8 - Button - 6,5
Esperava mais da BAR e de Button.
- Massa e Villeneuve, Barrichello e Schumacher - 5,5
Tanto a dupla da Sauber quanto a da Ferrari terminou no “empate”:
um dos pilotos mostrou mais talento nos treinos e outro, na corrida.
- Klien, Webber, Coulthard e Sato - 4,0
Cada um teve um problema diferente, mas não acho que seriam
protagonistas do GP mesmo se tudo desse certo.
- Monteiro - 4,0
Novamente foi o vencedor da Fórmula 1000 (mil vezes pior).
- Doornbos, Albers e Karthikeyan - 3,5
Pelo menos desta vez não fizeram grandes asneiras.

Dica:
Convido a todos os abacaxinautas a visitarem o site www.automobiles.com.br,
quase uma versão online do jornal Jornal MotorBR,
do qual sou editor. As atualizações são diárias. |