Os ferraristas estão com o
orgulho ferido. Depois de anos de absoluto domínio, o time
de Maranello amarga uma fase das piores. O duro é ter que
admitir que parte da crise nasceu dentro de casa, por pura soberba.
Começar 2005 com uma versão revisada do carro de
2004 foi o primeiro grande erro. O regulamento mudou muito, só podia
dar zebra. Incrível como profissionais do quilate dos existentes
na Ferrari cometeram um equívoco desses. Pensaram que a
temporada seria mais uma baba e dançaram. Arrogância
pura. Também por esse motivo o desenvolvimento da F-2005
atrasou. Aí, quando viram que o caldo engrossou, tentaram
correr atrás do prejuízo. Tarde demais. Em um esporte
de alto rendimento como a Fórmula 1, deitar-se sobre os
louros da vitória é fatal.
Mas é claro que outros fatores contribuem com o mau momento.
Os pneus, por exemplo. Está na cara que a Bridgestone ainda
não fez compostos tão bons quanto os da Michelin.
E, obviamente, o próprio carro da Ferrari, o primeiro não
projetado pelo mago Rory Byrne em alguns anos. Entregaram a tarefa
para o modesto Aldo Costa, que não fez nada de bom na F-1.
Resultado: um bólido razoável - sem rapidez suficiente
para lutar constantemente por vitórias.
Finalmente, vale destacar o brilhante desempenho de Mclaren e
Renault. A primeira por se recuperar de forma fantástica
dos fiascos dos últimos anos. A segunda por cumprir à risca
seu cronograma de desenvolvimento. Estão, merecidamente,
colhendo os frutos que plantaram.

Dica:
Convido a todos os abacaxinautas a visitarem o site www.automobiles.com.br,
quase uma versão online do jornal Jornal MotorBR,
do qual sou editor. As atualizações são diárias. |