O GP da França de Fórmula
1 deste ano lembrou as sonolentas temporadas de 2001, 2002 e 2004,
quando só acompanhávamos corridas chatas, sem ultrapassagens
ou grandes lances de emoção. Por isso mesmo o único
assunto que merece comentário após a bocejante disputa
na terra do narigudo Alain Prost é a volta por cima da Michelin.
Depois do vexame nos Estados Unidos, virou lugar-comum descer o
verbo nos compostos franceses. Todo mundo caiu de pau em cima de
Pierre Dupasquier e sua patota. Pois ontem os pneus rodaram direitinho,
não estouraram e ainda foram fator determinante na vitória
de Fernando Alonso e no segundo lugar de Kimi Raikkonen.
Mas ninguém me tira da cabeça que a Michelin levou
para a França compostos bem mais duros do que o normal. Devem
ter pensado, “Melhor não arriscar demais, né?”.
Talvez por isso a Ferrari tenha reduzido de forma tão drástica
em Magny Cours a diferença que vinha tomando nas classificações.
Claro, a tal “caixinha mágica” que aquece os
pneus, inventada por Rory Byrne, também deve ter ajudado,
porém não acho que tenha sido preponderante - até
por que ela já era utilizada e jamais a Ferrari havia lutado
pela pole-position.
No fim das contas, tudo saiu conforme o sonho dos franceses (leia-se
torcedores, Renault e Michelin): vitória do time da casa,
com os pneus da casa, Marselhesa e muito champagne no pódio.
Ferrari
Tá bom, tá bom. Deve haver um monte de gente rindo
da minha cara pelo que falei da Ferrari na semana passada. Botei
a maior fé nos caras e eles protagonizaram um meio-fiasco
na França (que só não foi inteiro graças
ao talento de Schumacher). No sábado, após os treinos,
já ensaiava - feliz da vida achando que tinha talentos paranormais
semelhantes aos das melhores videntes - a abertura desta coluna.
Pensava em dizer coisas do tipo “tá vendo, eu avisei
que os vermelhos vinham forte”, “Schumacher está
vivo e vai disputar o título”, etc. Bullshit. Dancei.
Notas das pilotos
1 - Alonso e 2 - Raikkonen - 10,0
Perfeitos, irrepreensíveis.
3 - Schumacher - 8,0
Mesmo sem ser brilhante, fez o seu trabalho direitinho.
4 - Button e 5 - Trulli - 7,5
A regularidade marca estes pilotos. Mais um bom fim de semana para
ambos.
6 - Fisichella - 6,5
Novamente enfrentou problemas, dessa vez nos boxes. Eita pé-frio.
7 - Ralf - 5,5
Mostra, nessa temporada, que não é bom piloto.
8 - Villeneuve - 7,0
Estaria ele se recuperando?
- Barrichello - 4,5
Abaixo da crítica. Usou os freios como desculpa.
- Coulthard - 5,5
Sempre tirando o máximo do carro.
- Sato - 5,0
Bem nos treinos e no começo da corrida, quando fez uma bonita
ultrapassagem. Depois voltou a ser o Sato de sempre, saindo duas
vezes da pista.
- Webber - 4,5
Terminou a prova literalmente queimado - em função
de um problema de aquecimento no cokpit. Ao menos não fez
nenhuma besteira.
- Monteiro e Karthikeyan - 4,0
Voltaram ao normal: lá no fundo do pelotão.
- Heidfeld - 4,0
Sofreu com um carro ruim.
- Montoya - 5,5
Outro que sofre com o azar em 2005.
- Albers e Friesacher - 3,5
Apareceram na TV apenas quando seus pneus estouraram. Obviamente,
quando ocupavam as últimas posições.
- Massa - 6,0
Se não fossem os problemas mecânicos, pontuaria novamente.
Enquanto esteve na pista, foi bem.
- Klien - 3,5
Fraco, como costumeiramente.

Dica:
Convido a todos os abacaxinautas a visitarem o site www.automobiles.com.br,
quase uma versão online do jornal Jornal MotorBR,
do qual sou editor. As atualizações são diárias. |