É impressionante como o jogo
de forças da Fórmula 1 pode mudar rapidamente quando
se trabalha com competência. Esta temporada é um bom
exemplo. Nas três primeiras corridas, vitórias tranqüilas
da Renault indicavam que o vermelho da Ferrari havia sido trocado
pelo azul francês. Aí vamos para Ímola e Schumacher
não ganha, mas anda 2 segundos mais rápido do que
todos os concorrentes, dando a entender que os carros de Maranello
haviam se recuperado no campeonato.
E a Fórmula 1 se mandou para a Espanha com uma certeza:
teríamos um novo duelo entre Ferrari e Renault. Eis que o
jogo vira novamente. E a Mclaren aparece no circuito catalão
com força total, dominando os treinos. Na corrida, Raikkonen
sumiu na frente, deixando Schumacher e Rubinho no meio do pelotão
e inibindo qualquer tentativa de ataque de Alonso e Fisichella.
Agora, temos o seguinte enredo. Mclaren renascendo das cinzas.
Renault chegando ao limite do desenvolvimento. Ferrari lutando contra
a inconstância dos pneus Bridgestone. Qual será o próximo
capítulo? Ou melhor: para quem o final vai ser feliz? Em
2003, o filme foi parecido, apenas trocando um dos protagonistas
(sai Renault e entra Williams). E todos sabem o que deu.
Troféu Comédia
O Troféu Comédia do GP de Barcelona vai para... tchan,
tchan, tchan, tchan... a nossa querida e gloriosa Minardi. Desta
vez precisamos admitir que o time italiano se superou. E o revolucionário
PS05 deixou os dois pilotos da escuderia empacados na largada, numa
cena digna daqueles piores filmes pastelão. Mais engraçado
ainda foi ver o desespero dos integrantes da equipe tentando resolver
o problema. Como o staff é pequeno, não sabiam em
cima de qual carro iam. Por via das dúvidas, enquanto a situação
não era resolvida, a direção da prova inteligentemente
mandou o safety-car para a pista.
Enquanto a Fórmula 1 vivia este momento de tensão,
Paul Stoddart e Giancarlo Minardi, dizem as más línguas,
organizavam nos boxes um rápido torneio de palitinho para
decidir qual dos dois bólidos os funcionários iam
tentar mandar para a corrida. Nem precisou. Por um daqueles milagres
que de vez em quando acontecem, os dois carros voltaram a funcionar.
Naturalmente, ambos abandonaram voltas depois. Albers com problemas
técnicos no PS05. E Friesacher passou reto em uma curva,
parando na brita para desespero de todos os integrantes da equipe
- que viram seu louvável esforço desaparecer no meio
da poeira (poético, não?).
Notas dos pilotos
1 - Raikkonen - 10,0
Brilhante nos treinos e na corrida.
2 - Alonso - 8,5
Vem fazendo uma temporada muito regular. Com pinta de campeão.
3 - Trulli - 8,0
Outro que faz um campeonato bem acima das expectativas.
4 - Ralf - 7,5
Finalmente andou perto do companheiro de equipe.
5 - Fisichella - 7,5
Chegaria em segundo, mas novamente levou azar.
6 - Webber - 6,0
Para variar, teve um desempenho abaixo do esperado.
7 - Montoya - 5,5
Voltou com a velha forma de sempre: batendo nos treinos, rodando
na corrida.
8 - Coulthard - 6,5
É o piloto certo para a Red Bull. Tira o máximo do
carro e não perde chances para pontuar. E olha que eu sugeri
aposentadoria para ele...
Barrichello - 5,5
O que dizer de Rubinho? Melhor não falar nada.
Heidfeld - 6,0
Partindo do fundo do pelotão, fez o que pôde.
Massa - 5,0
Apagado, assim como sua equipe.
Monteiro e Karthikeyan - 3,5
Pelo menos a Jordan chega ao fim das corridas...
Villeneuve - 3,5
Retornou ao seu (lento) ritmo tradicional.
Schumacher - 6,5
Vinha em uma boa corrida, até ser traído pelos pneus.
Albers e Friesacher - 2,5
Foram a atração da largada. E só.
Liuzzi - 3,5
Errou feio e foi parar na brita logo no começo da corrida.

Dica:
Convido a todos os abacaxinautas a visitarem o site www.automobiles.com.br,
quase uma versão online do jornal Jornal MotorBR,
do qual sou editor. As atualizações são diárias. |