Não podia ser melhor. Ajudada
por São Pedro, que mandou uma providencial chuva no sábado,
e pelo novo regulamento, que - a bem da verdade - cria um equilíbrio
artificial entre as equipes, a Fórmula 1 teve um fim de semana
emocionante.
Analisando o GP da Austrália, é possível
tirar algumas conclusões para o restante da temporada. Primeiro,
a classificação com duas voltas lançadas é
extremamente confusa para o público em geral. Por outro lado,
certamente, vai embaralhar muitos grids ao longo do ano. Segundo,
a regra de um jogo de pneus por corrida mudou o leque de estratégias
das equipes. Agora, poupar o carro é fundamental. Mas pelas
imagens dos compostos ao fim do GP ficou bem claro que tanto Michelin
como Bridgestone já atingiram um ótimo nível
de excelência. Aquela história de “pneus em frangalhos”,
tão repetida pelo Galvão Bueno na transmissão
da TV Globo, só vai acontecer para quem travar as rodas demais
durante a corrida.
Quanto às equipes, ficou nítida a
força da Renault. Fisichella largou na ponta e por lá
se manteve até o fim da prova. Alonso, partindo do meio do
pelotão, veio abrindo espaço até o terceiro
lugar. E para quem achava que a Ferrari estava morta, Barrichello
deu o recado: mesmo com o carro antigo, um segundo lugar bem convincente
e consistente.
Da Mclaren pouco pode se dizer. A impressão
inicial é de que o MP 4/20 não é tudo isso
que andaram falando por aí. Os pilotos se apressaram em dizer,
após a corrida, que não puderam explorar o carro ao
máximo. Até é possível. Raikkonen teve
problemas antes da largada e partiu dos boxes para um modesto oitavo
lugar, sempre andando no meio do tráfego. Montoya, para variar,
perdeu tempo ao passear pela grama, conquistando um decepcionante
sexto posto.
E a surpresa da primeira corrida do ano foi a Red
Bull. Com uma boa performance durante todo o Grande Prêmio,
conseguiu um quarto lugar com David Coulthard e um sétimo
com Cristian Klien. Impressionante. Será que vai manter o
ritmo nas próximas provas?
Por outro lado, duas equipes decepcionaram. Uma
delas é a BAR, que comeu poeira de quase todo mundo. A outra
é a Toyota, que confirmou as impressões iniciais de
Jarno Trulli: o carro anda bem uma ou duas voltas e depois perde
desempenho. Tanto é verdade que o italiano largou em segundo
e chegou em nono.
Notas
dos pilotos
1
- Fisichella (Renault) - 10,0
Perfeito durante todo o fim de semana. Dominou a corrida com maestria.
2-
Barrichello (Ferrari) - 9,0
Bom começo de temporada. Veloz e consistente, foi ajudado
por uma estratégia inteligente da Ferrari.
3
- Alonso (Renault) - 9,0
Largando no meio do pelotão, foi abrindo caminho até
o terceiro lugar. Demonstrou regularidade.
4
- Coulthard (Red Bull) - 9,0
Surpreendente. Tudo o que ele não correu nos últimos
anos de Mclaren, correu na Austrália com a Red Bull. Belo
desempenho.
5
- Webber (Williams) - 5,5
Fez o básico. Só isso.
6
- Montoya (Mclaren) - 5,0
Manteve a velha forma: quando não roda, passeia pela grama.
Falta-lhe a consistência dos campeões.
7
- Klien (Red Bull) - 6,0
O carro foi bem e ele não decepcionou. Porém também
não impressionou.
8
- Raikkonen (Mclaren) - 6,5
Levou azar na largada. Saindo dos boxes, fez uma razoável
corrida de recuperação.
9
- Trulli (Toyota) - 6,0
Bem nos treinos, teve seu desempenho na corrida limitado pela fragilidade
da Toyota.
10
- Massa (Sauber) - 5,0
O azar na classificação prejudicou todo o seu fim
de semana. Para piorar, ainda visitou a brita durante a prova.
11
- Button (BAR) - 5,0
Não teve muito o que fazer. O BAR 007 é ruim demais.
12
- Ralf (Toyota) - 4,0
Apagado.
13
- Villeneuve (Sauber) - 3,5
Será que um dia vai recuperar o ritmo dos bons tempos?
14
- Sato (BAR) - 3,5
Outro que padeceu com a ruindade da BAR.
15
- Karthikeyan (Jordan) e 16 - Monteiro (Jordan) - 3,0
O carro é péssimo. O motor é péssimo.
Os dois pilotos são péssimos...
17
- Friesacher (Minardi) - 3,0
Pelo menos chegou ao fim da corrida...
-
Schumacher (Ferrari) - 2,0
Ridículo. Lembrando os velhos tempos, o Dick Vigarista tentou
fechar a porta de Nick Heidfeld, mas se deu mal. Acabou na brita.
-
Heidfeld (Williams) - 4,0
Fazia uma corrida razoável até ser fechado por Schumacher.
-
Albers (Minardi) - 3,0
Sempre entre os últimos, como um bom piloto da Minardi deve
fazer.
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