Leia
abaixo os comentários mais brilhantes e coerentes do mundo
da Fórmula 1. Primeiramente falo - com um pouco de atraso,
é verdade - do Grande Prêmio que selou o sétimo
título de Michael Schumacher na categoria, disputado na Bélgica.
Em seguida, acompanhe a repercussão do GP da Itália,
vencido magnificamente pelo sempre tão criticado Rubens Barrichello.
E, claro, confira as notas do já tradicional Troféu
de Ponta a Ponta.
Bélgica:
não tem mais graça
Até o alemão azedo já está
enjoado. Vocês repararam na tímida comemoração
dele após o segundo lugar que lhe deu o título? Acho
que devia estar pensando: “Ah é, né? Mais um...
Mas foi tão sem graça... Não tive concorrentes,
meu companheiro de equipe é mais lento e, mesmo que não
fosse, não pode me passar...”. Pois é, a cada
campeonato que passa, Michael Schumacher consolida ainda mais o
seu nome na história.
E a corrida? Podemos dizer que foi, assim, interessante.
Kimi Raikkonen deu show, dominando e vencendo a prova. E Juan Pablo
Montoya voltou à velha forma de criar pontos de ultrapassagens,
dando um “chega para lá” por fora em Michael
Schumacher e Jarno Trulli na Bus Stop. Destaque também para
o trio brasileiro Massa-Pizzonia-Zonta que, cada um à sua
maneira, andou no pelotão da frente.
Troféu
De Ponta a Ponta
1
- Raikkonen - 9,0
Soberano durante todo o fim de semana.
2
- Schumacher - 7,0
Fez o suficiente para levar o título.
3
- Barrichello - 7,0
Boa prova. Só isso.
4
- Massa - 8,0
Esse é o Felipe Massa que eu admiro.
5
- Fisichella - 7,0
Desta vez ficou atrás de Massa o tempo todo.
6
- Klien - 7,0
Fez sua melhor (ou seria menos pior?) corrida na categoria.
7
- Coulthard - 4,0
Tinha carro para vencer.
8
- Panis - 6,0
Apenas mediano.
-
Trulli - 4,0
Broxou depois que anunciou sua saída da Renault.
-
Zonta - 8,0
Belíssima corrida de recuperação. Só
não chegou em quarto porque foi traído pelo motor
Toyota no fim da corrida.
-
Heidfeld, Button e Alonso - 4,0
Não fizeram nada de especial.
-
Montoya - 8,0
Voltou a ser o colombiano macho. Suas ultrapassagens por fora sobre
Schumacher e Trulli em um ponto improvável (a Bus Stop) foram
de gente grande.
-
Pizzonia - 8,5
Andou à frente de Montoya, suportou a pressão do companheiro
de equipe. Mas o carro abriu o bico e ele perdeu um pódio
certo.
-
Baumgartner, Webber, Sato, Bruni e Pântano - 1,0
Envolveram-se em acidentes na primeira volta e nada puderam mostrar.
Itália:
Rubinho faz corrida de gente grande
Todo ano é assim: em um ou dois GPs da temporada,
Rubens Barrichello tem o seu dia de Michael Schumacher. Em 2004,
o palco do show foi o autódromo de Monza, na Itália.
Primeiro veio a pole, com mais de meio segundo de vantagem em cima
da concorrência. No domingo, a ousadia de Rubinho começou
antes da largada, na escolha dos pneus. Enquanto a maioria optou
por compostos para o seco, o brazuca escolheu os intermediários.
A escolha se mostrou acertada. Rubinho manteve a dianteira e logo
na primeira volta abriu mais de sete segundos de vantagem para Fernando
Alonso. O problema é que a pista secou rapidamente, e Barrichello
demorou a trocar os pneus (deveria ter parado na quarta volta, não
na quinta). Quando fez o primeiro pit-stop, já havia sido
ultrapassado pelo espanhol. Retornou no meio do pelotão.
Com uma tática diferente (carro leve e pouco
combustível), restou a Rubinho voar nos momentos de pista
livre. E ele quase decolou, fazendo seguidas voltas mais rápidas,
principalmente na parte final da corrida. Esta foi a chave da vitória.
Ao entrar para o último pit-stop, Barrichello tinha vantagem
suficiente para voltar em primeiro. Depois, foi só desfilar
pelo circuito - escoltado por Michael Schumacher, que fez uma boa
prova de recuperação.
Transmissão
atrapalhada
Mais uma vez o destaque negativo da corrida ficou
por conta da transmissão da Rede Globo. Dá para citar
inúmeras trapalhadas da dupla Cléber Machado e Reginaldo
Leme. A primeira pisada de bola foi a insistência dos dois
em dizer que Schumacher estava com pneus intermediários na
hora da largada - quando a TV mostrava para qualquer um que entende
vagamente de automobilismo o contrário. Após a primeira
rodada de pit-stops, todo mundo viu Jenson Button voltando em primeiro
lugar. Menos a dupla dinâmica, que falava que o líder
era Schumacher. Será falta de motivação?
Troféu
De Ponta a Ponta
1
- Barrichello - 9,5
Praticamente perfeito.
2
- Schumacher - 8,5
Rodou na primeira volta, caiu para 15º lugar e fez uma grande
corrida de recuperação.
3
- Button - 8,0
Chegou onde costuma chegar: em terceiro. Ou seja, o melhor do resto.
4
- Sato - 8,0
Sato parece ter se contagiado com o desempenho do Rubinho e também
teve o seu dia de grande piloto.
5
- Montoya - 7,0
Esperava mais do colombiano.
6
- Coulthard - 6,0
Já devia ter se aposentado...
7
- Pizzonia - 7,0
Se envolveu em um acidente na primeira volta, despencou para último
e se recuperou com uma pilotagem agressiva. Mas errou demais: foi
visto passeando na grama um par de vezes, além de trombar
com Coulthard no fim da corrida.
8
- Fisichella - 7,0
Fez uma corrida burocrática - e eficiente - para chegar aos
pontos.
-
Webber, Klien, Heidfeld e Zonta - 5,0
Chegaram. E só.
-
Trulli - 2,5
Será que há uma “Teoria da Conspiração”
contra ele na Renault? Desempenho ridículo.
-
Massa - 3,5
Largou bem e fazia uma corrida razoável. Mas, atrapalhado,
trombou com Heidfeld e jogou fora as chances de pontuação.
-
Alonso - 4,5
Andou no pelotão dianteiro na primeira parte da corrida.
E vinha bem até rodar infantilmente.
-
Baumgartner e Pantano - 2,5
O que estes caras estão fazendo na Fórmula 1?
-
Bruni - 2,5
Apareceu na TV apenas uma vez, quando seu carro pegou fogo nos boxes.
-
Raikkonen - 3,5
Desta vez o carro não ajudou.
-
Panis - 2,0
Levou azar e não passou da primeira volta.
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