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Beagá, 23 de agosto de 2004 d.C.
 
Fenômeno mundial
Por Grand Chelem
 

Ele é heptacampeão mundial. Veloz. Praticamente imbatível. Sem dúvida, um dos maiores vencedores do esporte atual. Não, não estou falando de Michael Schumacher, que, vamos ser sinceros e realistas, já ganhou seu sétimo título na Fórmula 1 - só falta oficializar, o que vai ocorrer esta semana durante o GP da Bélgica. Falo do iatista Robert Scheidt, que no último domingo, em Atenas, conquistou sua segunda medalha de ouro na classe Laser (já havia sido campeão em Atlanta 96) e se tornou o maior vencedor olímpico do Brasil. Um feito e tanto, afinal acaba de ultrapassar o bicampeão Adhemar Ferreira da Silva, ouro no salto triplo em Helsinque 52 e Melbourne 56 (lembrem-se que Scheidt tem uma prata conquistada em Sidney 2000).

Sete títulos mundiais e três medalhas olímpicas, as glórias do iatista tupiniquim ganham proporções ainda maiores ao observamos as condições em que foram obtidas. O Brasil tem tudo para ser uma potência do esporte, mas vive de medalhas esporádicas e de talentos que conseguem superar a falta de apoio governamental e empresarial. Só há patrocínio para atletas de destaque mundial. O investimento em categorias de base, na formação de futuros campeões, é praticamente nulo. Scheidt é um grande exemplo. Hoje, tem uma dúzia de patrocinadores, mas começou no iatismo apenas com o apoio do pai. Se fosse filho de uma família menos abastada financeiramente, estaria pegando jacaré nas praias deste país afora e vendo os jogos olímpicos pela televisão. Seria mais um dos milhares de brasileiros talentosos que não foram em frente por total ausência de apoio.

Vencidas as dificuldades financeiras, vale destacar que a classe Laser é uma das mais equilibradas do iatismo mundial. Todos os barcos são rigorosamente iguais e oferecidos pela organização do torneio. Não tem jeito, ganha o melhor. Seria o mesmo que o campeonato de Fórmula 1 ser disputado por 20 Ferraris. Ou 20 Minardis. E o brasileiro é tão bom que venceu os 11 torneios que disputou em 2004.

É por tudo isso que Robert Scheidt merece uma estátua na sua cidade natal, desfile em caminhão do corpo de bombeiros quando voltar ao Brasil, festa familiar com feijoada, brigadeiro e cerveja e, acima de tudo, nosso respeito. Muito respeito.

 
Grand Chelem é correspondente do ABACAXI ATÔMICO em Curitiba. E-mail: grandchelem@abacaxiatomico.com.br

 

 

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