Ele
é heptacampeão mundial. Veloz. Praticamente imbatível.
Sem dúvida, um dos maiores vencedores do esporte atual. Não,
não estou falando de Michael Schumacher, que, vamos ser sinceros
e realistas, já ganhou seu sétimo título na
Fórmula 1 - só falta oficializar, o que vai ocorrer
esta semana durante o GP da Bélgica. Falo do iatista Robert
Scheidt, que no último domingo, em Atenas, conquistou sua
segunda medalha de ouro na classe Laser (já havia sido campeão
em Atlanta 96) e se tornou o maior vencedor olímpico do Brasil.
Um feito e tanto, afinal acaba de ultrapassar o bicampeão
Adhemar Ferreira da Silva, ouro no salto triplo em Helsinque 52
e Melbourne 56 (lembrem-se que Scheidt tem uma prata conquistada
em Sidney 2000).
Sete títulos
mundiais e três medalhas olímpicas, as glórias
do iatista tupiniquim ganham proporções ainda maiores
ao observamos as condições em que foram obtidas. O
Brasil tem tudo para ser uma potência do esporte, mas vive
de medalhas esporádicas e de talentos que conseguem superar
a falta de apoio governamental e empresarial. Só há
patrocínio para atletas de destaque mundial. O investimento
em categorias de base, na formação de futuros campeões,
é praticamente nulo. Scheidt é um grande exemplo.
Hoje, tem uma dúzia de patrocinadores, mas começou
no iatismo apenas com o apoio do pai. Se fosse filho de uma família
menos abastada financeiramente, estaria pegando jacaré nas
praias deste país afora e vendo os jogos olímpicos
pela televisão. Seria mais um dos milhares de brasileiros
talentosos que não foram em frente por total ausência
de apoio.
Vencidas as
dificuldades financeiras, vale destacar que a classe Laser é
uma das mais equilibradas do iatismo mundial. Todos os barcos são
rigorosamente iguais e oferecidos pela organização
do torneio. Não tem jeito, ganha o melhor. Seria o mesmo
que o campeonato de Fórmula 1 ser disputado por 20 Ferraris.
Ou 20 Minardis. E o brasileiro é tão bom que venceu
os 11 torneios que disputou em 2004.
É por
tudo isso que Robert Scheidt merece uma estátua na sua cidade
natal, desfile em caminhão do corpo de bombeiros quando voltar
ao Brasil, festa familiar com feijoada, brigadeiro e cerveja e,
acima de tudo, nosso respeito. Muito respeito.
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