Abaixo reúno algumas declarações
que mostram quão era grande o talento de Ayrton Senna. São
depoimentos de adversários, mecânicos e de pessoas
que acompanharam de perto parte - ou a totalidade - da carreira
do piloto brasileiro.
"Em
Donnington Park fiz a volta mais rápida, apesar de ter acontecido
uma coisa típica. Fiquei preso no bolo depois da largada.
Estava em quarto ou quinto, por aí. Ayrton teve a habilidade
de fazer a primeira volta mais espantosa - uma largada inacreditavelmente
boa, tremendas primeiras curvas. Comecei a me aproximar dele, me
aproximar. Cheguei a três metros e fiquei olhando-o nas curvas.
Eu estava impressionado. Ele estava jogando poeira cada vez que
saía da Coppice, estava usando não apenas a pista,
mas também as zebras e duas ou três polegadas de terra.
E não foi em uma só volta, era em todas as voltas.
Aquilo era incomum porque uma das coisas mais difíceis de
se fazer na Fórmula Ford 1600 é dirigir com constância.
São carros nojentos de se dirigir. E, volta após volta,
fora da pista por duas ou três polegadas... Eu estava usando
a zebra e devo ter usado a terra uma em cada quatro ou cinco voltas,
se estivesse rápido demais, mas ele estava fazendo aquilo
deliberadamente."
Rick Moris,
adversário de Senna na Fórmula Ford 1600.
"Ayrton
era o piloto mais perfeito e mais dedicado que já existiu.
Um conjunto de percepção, concentração,
força e velocidade, aliado a um talento para dirigir verdadeiramente
abençoado e à capacidade de não cometer erros
nos momentos decisivos. Tinha a visão absoluta do todo, sabia
tudo e podia tudo. Ele estava simplesmente dois ou três degraus
acima de todos nós. Alguém que não o conhecesse
tão bem, ou que não tivesse trabalhado com ele, provavelmente,
não acreditaria. Certamente, hoje na Fórmula 1, há
muitos pilotos que pensam que poderiam ter derrotado Senna. Tudo
que posso dizer quanto a isso é: que pena, eles não
sabem o quão distantes estão de Ayrton. Tive a felicidade
de conhecê-lo suficientemente bem para fazer essa avaliação.
Ele era algo de sobrenatural, não há outra maneira
para expressar isso."
Gerhard Berger,
ex-piloto.
"No
treino de classificação para o GP da Europa de 85,
eu vinha na curva Wetsfield e estava numa volta que valia para marcar
tempo. No mergulho da curva, eu vi aquele carro preto vindo muito
rápido atrás de mim. Exatamente no fundo do mergulho,
Ayrton veio por dentro - deixei espaço. Testemunhei visível
e auditivamente algo que jamais tinha visto alguém fazer
num carro de corrida. Era como se ele tivesse quatro mãos
e quatro pernas. Estava acelerando, freando, pisando na embreagem,
reduzindo a marcha, virando o volante... O carro parecia num fio
de navalha, entre o controle e o descontrole. Tudo isso durou apenas
dois segundos. O que ele estava tentando fazer agora era manter
a pressão do turbo. Ele chegou ao ponto desejado da pista,
para fazer a tomada da curva. O carro mergulhou com uma arrogância,
que fez meus olhos se arregalarem. No duro, era um mestre controlando
uma máquina. Nunca tinha visto um carro turbo pilotado daquela
forma. A habilidade do cérebro em separar cada componente,
e juntá-los novamente, com aquele ritmo e coordenação,
foi algo marcante, um privilégio de se ver!"
John Watson,
ex-piloto.
"Ele
fez o trabalho com tanta perícia que eu ia para a direita,
depois para a esquerda, e não conseguia ultrapassar, parecia
haver três carros à minha frente."
Nigel Mansell,
ex-piloto, comentando o GP de Mônaco, 1992.
"Não
posso tirar da cabeça o acidente que levou aquele que eu
considero o mais digno de meus sucessores e o único que achava
capaz de superar meu recorde de cinco títulos."
Juan Manuel Fangio,
ex-piloto.
"Quando
estava preso na Inglaterra, o Ayrton escreveu uma carta para o juiz.
Incrível - era muito legal e bem escrita. Realmente, aquilo
me tocou."
Bertrand Gachot,
ex-piloto.
"Estava
claro desde o início que ele tinha tudo sob controle. Controle
dele mesmo e do carro. Ayrton sabia exatamente aonde queria chegar."
Frank Williams,
proprietário da Williams.
"Foram
as primeiras voltas mais maravilhosas da história. Foi a
primeira volta mais fantástica da história da Fórmula
1."
Galvão Bueno,
narrador esportivo, referindo-se a Donnington, 93.
“Um
dos segredos de Ayrton Senna era reconhecer o trabalho de quem botava
a mão na graxa, trocando idéias e buscando soluções
junto com os mecânicos. Assim fizemos um carro inferior vencer
seis vezes. Por isso, a vitória de um virava a vitória
de todos. O Ayrton era um piloto de Fórmula 1 completo. Foi
meu herói. Eu aprendi tanto com ele e me inspirei tanto nele
que jamais haverá alguém que chegue perto do que o
Ayrton fez.”
Chris Dinnage,
mecânico da Lotus na década de 80.
“Quando
Ayrton Senna chegou à McLaren, junto com os técnicos
japoneses, ele logo percebeu que tinha encontrado um ambiente perfeito
para fazer aquilo que mais queria: dedicar-se 100% à Fórmula
1. Era o fim daquela época romântica em que os pilotos
só queriam sentar no carro e acelerar. Existem duas eras,
no que diz respeito à dedicação: antes e depois
de Ayrton Senna. Essa dedicação, hoje em dia, é
um lugar-comum. Mas o Ayrton estabeleceu um padrão a ser
seguido nos anos seguintes. Ele foi o maior piloto com quem já
trabalhei."
Ron Dennis,
proprietário da McLaren.
"Ele
tinha todas as qualidades de um grande piloto, mas a maior delas
era a concentração absoluta para as voltas de classificação.
Nesse aspecto, Ayrton foi, de longe, o piloto mais rápido
que já existiu."
Alain Prost,
ex-piloto.
"Acho
que o Michael Schumacher é super, mas se eles estivessem
no mesmo carro, meu dinheiro iria para o Senna. Caso ele estivesse
aqui conosco, certamente teria sido melhor que o Michael. E porque
o Senna teria continuado a vencer, o Michael teria ganhado menos
corridas e campeonatos. Senna trouxe muita coisa à F-1 e
estaria gostando do esporte do jeito que ele se encontra, mesmo
com o domínio de uma única equipe e um só piloto.
Menos da classificação. Ele teria odiado essa coisa
de volta lançada, mesmo sendo brilhante nisso. Só
lembrar dos velhos tempos, quando tínhamos três ou
quatro voltas. Alguém batia o tempo do Senna? Ele era magnífico
nisso."
Bernie Ecclestone,
dirigente da Fórmula 1.
“É
fácil apontar o melhor: o melhor é o Senna, porque
foi o que fez o maior número de corridas brilhantes.”
Anônimo.
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