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Beagá, 17 de maio de 2004 d.C.
 
Ayrton Senna, pelos outros
Por Grand Chelem
 

Abaixo reúno algumas declarações que mostram quão era grande o talento de Ayrton Senna. São depoimentos de adversários, mecânicos e de pessoas que acompanharam de perto parte - ou a totalidade - da carreira do piloto brasileiro.

"Em Donnington Park fiz a volta mais rápida, apesar de ter acontecido uma coisa típica. Fiquei preso no bolo depois da largada. Estava em quarto ou quinto, por aí. Ayrton teve a habilidade de fazer a primeira volta mais espantosa - uma largada inacreditavelmente boa, tremendas primeiras curvas. Comecei a me aproximar dele, me aproximar. Cheguei a três metros e fiquei olhando-o nas curvas. Eu estava impressionado. Ele estava jogando poeira cada vez que saía da Coppice, estava usando não apenas a pista, mas também as zebras e duas ou três polegadas de terra. E não foi em uma só volta, era em todas as voltas. Aquilo era incomum porque uma das coisas mais difíceis de se fazer na Fórmula Ford 1600 é dirigir com constância. São carros nojentos de se dirigir. E, volta após volta, fora da pista por duas ou três polegadas... Eu estava usando a zebra e devo ter usado a terra uma em cada quatro ou cinco voltas, se estivesse rápido demais, mas ele estava fazendo aquilo deliberadamente."
Rick Moris,
adversário de Senna na Fórmula Ford 1600.

"Ayrton era o piloto mais perfeito e mais dedicado que já existiu. Um conjunto de percepção, concentração, força e velocidade, aliado a um talento para dirigir verdadeiramente abençoado e à capacidade de não cometer erros nos momentos decisivos. Tinha a visão absoluta do todo, sabia tudo e podia tudo. Ele estava simplesmente dois ou três degraus acima de todos nós. Alguém que não o conhecesse tão bem, ou que não tivesse trabalhado com ele, provavelmente, não acreditaria. Certamente, hoje na Fórmula 1, há muitos pilotos que pensam que poderiam ter derrotado Senna. Tudo que posso dizer quanto a isso é: que pena, eles não sabem o quão distantes estão de Ayrton. Tive a felicidade de conhecê-lo suficientemente bem para fazer essa avaliação. Ele era algo de sobrenatural, não há outra maneira para expressar isso."
Gerhard Berger,
ex-piloto.

"No treino de classificação para o GP da Europa de 85, eu vinha na curva Wetsfield e estava numa volta que valia para marcar tempo. No mergulho da curva, eu vi aquele carro preto vindo muito rápido atrás de mim. Exatamente no fundo do mergulho, Ayrton veio por dentro - deixei espaço. Testemunhei visível e auditivamente algo que jamais tinha visto alguém fazer num carro de corrida. Era como se ele tivesse quatro mãos e quatro pernas. Estava acelerando, freando, pisando na embreagem, reduzindo a marcha, virando o volante... O carro parecia num fio de navalha, entre o controle e o descontrole. Tudo isso durou apenas dois segundos. O que ele estava tentando fazer agora era manter a pressão do turbo. Ele chegou ao ponto desejado da pista, para fazer a tomada da curva. O carro mergulhou com uma arrogância, que fez meus olhos se arregalarem. No duro, era um mestre controlando uma máquina. Nunca tinha visto um carro turbo pilotado daquela forma. A habilidade do cérebro em separar cada componente, e juntá-los novamente, com aquele ritmo e coordenação, foi algo marcante, um privilégio de se ver!"
John Watson,
ex-piloto.

"Ele fez o trabalho com tanta perícia que eu ia para a direita, depois para a esquerda, e não conseguia ultrapassar, parecia haver três carros à minha frente."
Nigel Mansell,
ex-piloto, comentando o GP de Mônaco, 1992.

"Não posso tirar da cabeça o acidente que levou aquele que eu considero o mais digno de meus sucessores e o único que achava capaz de superar meu recorde de cinco títulos."
Juan Manuel Fangio,
ex-piloto.

"Quando estava preso na Inglaterra, o Ayrton escreveu uma carta para o juiz. Incrível - era muito legal e bem escrita. Realmente, aquilo me tocou."
Bertrand Gachot,
ex-piloto.

"Estava claro desde o início que ele tinha tudo sob controle. Controle dele mesmo e do carro. Ayrton sabia exatamente aonde queria chegar."
Frank Williams,
proprietário da Williams.

"Foram as primeiras voltas mais maravilhosas da história. Foi a primeira volta mais fantástica da história da Fórmula 1."
Galvão Bueno,
narrador esportivo, referindo-se a Donnington, 93.

“Um dos segredos de Ayrton Senna era reconhecer o trabalho de quem botava a mão na graxa, trocando idéias e buscando soluções junto com os mecânicos. Assim fizemos um carro inferior vencer seis vezes. Por isso, a vitória de um virava a vitória de todos. O Ayrton era um piloto de Fórmula 1 completo. Foi meu herói. Eu aprendi tanto com ele e me inspirei tanto nele que jamais haverá alguém que chegue perto do que o Ayrton fez.”
Chris Dinnage,
mecânico da Lotus na década de 80.

“Quando Ayrton Senna chegou à McLaren, junto com os técnicos japoneses, ele logo percebeu que tinha encontrado um ambiente perfeito para fazer aquilo que mais queria: dedicar-se 100% à Fórmula 1. Era o fim daquela época romântica em que os pilotos só queriam sentar no carro e acelerar. Existem duas eras, no que diz respeito à dedicação: antes e depois de Ayrton Senna. Essa dedicação, hoje em dia, é um lugar-comum. Mas o Ayrton estabeleceu um padrão a ser seguido nos anos seguintes. Ele foi o maior piloto com quem já trabalhei."
Ron Dennis,
proprietário da McLaren.

"Ele tinha todas as qualidades de um grande piloto, mas a maior delas era a concentração absoluta para as voltas de classificação. Nesse aspecto, Ayrton foi, de longe, o piloto mais rápido que já existiu."
Alain Prost,
ex-piloto.

"Acho que o Michael Schumacher é super, mas se eles estivessem no mesmo carro, meu dinheiro iria para o Senna. Caso ele estivesse aqui conosco, certamente teria sido melhor que o Michael. E porque o Senna teria continuado a vencer, o Michael teria ganhado menos corridas e campeonatos. Senna trouxe muita coisa à F-1 e estaria gostando do esporte do jeito que ele se encontra, mesmo com o domínio de uma única equipe e um só piloto. Menos da classificação. Ele teria odiado essa coisa de volta lançada, mesmo sendo brilhante nisso. Só lembrar dos velhos tempos, quando tínhamos três ou quatro voltas. Alguém batia o tempo do Senna? Ele era magnífico nisso."
Bernie Ecclestone,
dirigente da Fórmula 1.

“É fácil apontar o melhor: o melhor é o Senna, porque foi o que fez o maior número de corridas brilhantes.”
Anônimo.

 
Grand Chelem é correspondente do ABACAXI ATÔMICO em Curitiba. E-mail: grandchelem@abacaxiatomico.com.br

 

 

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