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Beagá, 03 de maio de 2004 d.C.
 
Ayrton Senna, as obras-primas
Por Grand Chelem
 

A morte de Ayrton Senna completou 10 anos no último dia 1º. Para evitar aqueles textos melosos e cheios de clichês do tipo “ele foi meu grande ídolo” ou “é o maior de todos os tempos” (frases com as quais eu concordo plenamente), prefiro prestar uma homenagem lembrando as grandes obras-primas do brasileiro durante sua carreira na Fórmula 1.

GP de Mônaco, Monte Carlo, 1984 (Toleman)
Ayrton Senna se apresenta para o mundo. Debaixo de uma forte chuva, vai passando os rivais com maestria e só não vence porque o diretor da prova, Jack Icky, termina a corrida pouco antes dele superar o primeiro colocado, Alain Prost.

GP de Portugal, Estoril, 1985 (Lotus)
A primeira vitória não poderia vir de maneira mais absoluta: pole, melhor volta e liderando o GP de ponta a ponta debaixo de um temporal. Enquanto os outros pilotos sofrem para segurar seus carros, Senna dá uma aula de controle sobre a pista molhada. Seu reinado estava apenas começando.

GP da Espanha, Jerez de la Frontera, 1986 (Lotus)
Um dos grandes duelos protagonizados pela dupla Ayrton Senna e Nigel Mansell. Mesmo com um carro nitidamente inferior, o brasileiro se mantém à frente do inglês e, numa chegada de tirar o fôlego, vence a corrida por uma diferença de apenas 0,014 segundo.

GP do EUA, Detroit, e GP de Mônaco, Monte Carlo, 1987 (Lotus)
Antes do começo da temporada, ao perceber que não tinha carro para disputar o título, Senna promete ao pessoal da Lotus e da Honda: “Em Detroit e Monte Carlo eu garanto”. Dito e feito. No braço e na raça!

GP do Japão, Suzuka, 1988 (Mclaren)
A corrida do primeiro título. Logo na largada, Senna (na pole) sofre com um pequeno problema na embreagem e cai para 16º lugar. De maneira brilhante, passa seus rivais um a um e, praticamente na metade da prova, já está na cola de Alain Prost. Aí uma chuva divina cai na pista de Suzuka. Nada muito forte, mas o suficiente para Senna ultrapassar o francês com tranqüilidade e seguir para a vitória.

GP do Brasil, Interlagos, 1991 (Mclaren)
Sem dúvida, uma das maiores corridas de Senna. O brasileiro, na liderança, vai perdendo suas marchas ao longo da corrida até que, nas últimas dez voltas, fica apenas com a sexta. Mostrando um controle incrível do carro, Senna segura o ímpeto de Patrese - que vinha diminuindo a diferença assustadoramente -, adapta seu estilo de pilotagem e ganha para delírio da torcida presente ao autódromo de Interlagos. No pódio, o retrato do que foi a corrida: o brasileiro está tão extenuado que mal consegue levantar seu troféu.

GP de Mônaco, Monte Carlo, 1992 (Mclaren)
Mais uma do “rei de Mônaco”. Com uma Mclaren totalmente decadente, Senna se aproveita de um azar de Mansell, que tem de parar nos boxes para trocar um pneu, assume a liderança e segura o leão e sua Williams, tida como imbatível, até a vitória. Após a corrida, o inglês se curva ao talento do brasileiro: "...ele fez o trabalho com tanta perícia que eu ia para a direita, depois para a esquerda, e não conseguia ultrapassar, pareciam haver três carros à minha frente".

GP do Brasil, Interlagos, 1993 (Mclaren)
Outra vitória inesquecível. Novamente a chuva ajuda Senna, que em condições normais não teria como brigar com as poderosas Williams. Pois bem, com o temporal o brasileiro coloca fogo na corrida. Alain Prost fica no meio do caminho, batendo em Christian Fittipaldi no fim da reta principal. Damon Hill até resiste à chuva, mas é tirado para dançar por Ayrton Senna, que o ultrapassa de maneira sensacional.

GP da Europa, Donington Park, 1993 (Mclaren)
A maior demonstração de habilidade que um piloto já deu na Fórmula 1 moderna. A primeira volta de Senna debaixo do temporal que caía em Donington é considerada a melhor da história. Largando em quarto, o brasileiro é praticamente jogado na grama por Michael Schumacher. Antes mesmo da primeira curva, dá um X no alemão e retoma a quarta posição. Logo adiante, faz uma manobra incrível e até então considerada impossível, passando a Sauber de Karl Wendlinger por fora em uma curva estilo “mergulho”. Em seguida, o ataque às Williams: ele ultrapassa Damon Hill com propriedade e, quase no fim da volta, freia bem dentro de uma curva para “jantar” Alain Prost. Daí até o fim da prova, o brasileiro passeia pelo circuito, terminando o GP uma volta à frente de Prost e com mais de 1m23s de vantagem para o segundo colocado, Hill. Dias mais tarde, o francês procura o fabricante de freios da Mclaren e pergunta se a equipe rival tinha desenvolvido um sistema ABS. Prost simplesmente não conseguia acreditar que o brasileiro tinha dado aquele show com freios comuns!

 
Grand Chelem é correspondente do ABACAXI ATÔMICO em Curitiba. E-mail: grandchelem@abacaxiatomico.com.br

 

 

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