A
morte de Ayrton Senna completou 10 anos no último dia 1º.
Para evitar aqueles textos melosos e cheios de clichês do
tipo “ele foi meu grande ídolo” ou “é
o maior de todos os tempos” (frases com as quais eu concordo
plenamente), prefiro prestar uma homenagem lembrando as grandes
obras-primas do brasileiro durante sua carreira na Fórmula
1.

GP
de Mônaco, Monte Carlo, 1984 (Toleman)
Ayrton Senna se apresenta para o mundo. Debaixo de uma forte chuva,
vai passando os rivais com maestria e só não vence
porque o diretor da prova, Jack Icky, termina a corrida pouco antes
dele superar o primeiro colocado, Alain Prost.
GP
de Portugal, Estoril, 1985 (Lotus)
A primeira vitória não poderia vir de maneira mais
absoluta: pole, melhor volta e liderando o GP de ponta a ponta debaixo
de um temporal. Enquanto os outros pilotos sofrem para segurar seus
carros, Senna dá uma aula de controle sobre a pista molhada.
Seu reinado estava apenas começando.
GP
da Espanha, Jerez de la Frontera, 1986 (Lotus)
Um dos grandes duelos protagonizados pela dupla Ayrton Senna e Nigel
Mansell. Mesmo com um carro nitidamente inferior, o brasileiro se
mantém à frente do inglês e, numa chegada de
tirar o fôlego, vence a corrida por uma diferença de
apenas 0,014 segundo.
GP
do EUA, Detroit, e GP de Mônaco, Monte Carlo, 1987 (Lotus)
Antes do começo da temporada, ao perceber que não
tinha carro para disputar o título, Senna promete ao pessoal
da Lotus e da Honda: “Em Detroit e Monte Carlo eu garanto”.
Dito e feito. No braço e na raça!
GP
do Japão, Suzuka, 1988 (Mclaren)
A corrida do primeiro título. Logo na largada, Senna (na
pole) sofre com um pequeno problema na embreagem e cai para 16º
lugar. De maneira brilhante, passa seus rivais um a um e, praticamente
na metade da prova, já está na cola de Alain Prost.
Aí uma chuva divina cai na pista de Suzuka. Nada muito forte,
mas o suficiente para Senna ultrapassar o francês com tranqüilidade
e seguir para a vitória.
GP
do Brasil, Interlagos, 1991 (Mclaren)
Sem dúvida, uma das maiores corridas de Senna. O brasileiro,
na liderança, vai perdendo suas marchas ao longo da corrida
até que, nas últimas dez voltas, fica apenas com a
sexta. Mostrando um controle incrível do carro, Senna segura
o ímpeto de Patrese - que vinha diminuindo a diferença
assustadoramente -, adapta seu estilo de pilotagem e ganha para
delírio da torcida presente ao autódromo de Interlagos.
No pódio, o retrato do que foi a corrida: o brasileiro está
tão extenuado que mal consegue levantar seu troféu.
GP
de Mônaco, Monte Carlo, 1992 (Mclaren)
Mais uma do “rei de Mônaco”. Com uma Mclaren totalmente
decadente, Senna se aproveita de um azar de Mansell, que tem de
parar nos boxes para trocar um pneu, assume a liderança e
segura o leão e sua Williams, tida como imbatível,
até a vitória. Após a corrida, o inglês
se curva ao talento do brasileiro: "...ele fez o trabalho com
tanta perícia que eu ia para a direita, depois para a esquerda,
e não conseguia ultrapassar, pareciam haver três carros
à minha frente".
GP
do Brasil, Interlagos, 1993 (Mclaren)
Outra vitória inesquecível. Novamente a chuva ajuda
Senna, que em condições normais não teria como
brigar com as poderosas Williams. Pois bem, com o temporal o brasileiro
coloca fogo na corrida. Alain Prost fica no meio do caminho, batendo
em Christian Fittipaldi no fim da reta principal. Damon Hill até
resiste à chuva, mas é tirado para dançar por
Ayrton Senna, que o ultrapassa de maneira sensacional.
GP
da Europa, Donington Park, 1993 (Mclaren)
A maior demonstração de habilidade que um piloto já
deu na Fórmula 1 moderna. A primeira volta de Senna debaixo
do temporal que caía em Donington é considerada a
melhor da história. Largando em quarto, o brasileiro é
praticamente jogado na grama por Michael Schumacher. Antes mesmo
da primeira curva, dá um X no alemão e retoma a quarta
posição. Logo adiante, faz uma manobra incrível
e até então considerada impossível, passando
a Sauber de Karl Wendlinger por fora em uma curva estilo “mergulho”.
Em seguida, o ataque às Williams: ele ultrapassa Damon Hill
com propriedade e, quase no fim da volta, freia bem dentro de uma
curva para “jantar” Alain Prost. Daí até
o fim da prova, o brasileiro passeia pelo circuito, terminando o
GP uma volta à frente de Prost e com mais de 1m23s de vantagem
para o segundo colocado, Hill. Dias mais tarde, o francês
procura o fabricante de freios da Mclaren e pergunta se a equipe
rival tinha desenvolvido um sistema ABS. Prost simplesmente não
conseguia acreditar que o brasileiro tinha dado aquele show com
freios comuns!

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