A Fórmula 1 está cada
vez mais chata. Hoje, a corrida não é mais decidida
na pista. Ganha quem tiver o melhor carro (antigamente um bom piloto
compensava alguma diferença) e fizer uma boa tática
de pit-stops. Está tudo muito sonolento. A vitória
de Schumacher no último domingo, em San Marino, ilustra bem
o que eu digo. Vejam a cartilha que um piloto de Fórmula
1 atual precisa seguir e observem que a essência do automobilismo
ficou para trás. Ninguém mais se preocupa com ultrapassagens
e disputas. Uma pena!
1) Tenho que largar bem e lembrar: ultrapassagens
na Fórmula 1 hoje só nas primeiras curvas.
2) Preciso jogar qualquer piloto mais lento que
eu para grama/brita/área de escape se ele tentar me superar
devido a uma largada ruim. Assim, evito ficar passeando atrás
dele até o primeiro pit-stop. Como é? Tentar ultrapassá-lo?
Nestes circuitos cada vez mais travados? Só se for na largada.
Além do mais, logo vem uma parada...
3) Sou obrigado a fazer duas voltas em ritmo de
classificação antes de ir para os boxes.
4) Tenho que torcer para a equipe não errar
no reabastecimento e na troca de pneus.
5) Preciso cuidar para não exceder o limite
de velocidade nos boxes (100 km/h na maioria dos circuitos. Em Ímola,
80 km/h. Em Mônaco, 60 km/h).
6) Devo lembrar de olhar no retrovisor na saída
no pit-lane para evitar colisões com retardatários
e, principalmente, verificar o quão para trás ficou
meu adversário.
7) Tenho que tomar muito cuidado para não
sair da pista no meu desfile até o fim da prova, rezando
para toda a eletrônica embarcada funcionar direitinho e não
dar pane. E aplicar os mandamentos número 4,5 e 6 cada vez
que eu parar novamente nos boxes.
8) No fim da corrida, devo rechaçar veementemente
os puxa-sacos de plantão, dizendo: “para que toalha
e desodorante, camarada? Você tá por fora da Fórmula
1. Hoje, o piloto sai sequinho do carro. Olha só, ó
(mostrando o macacão, com raiva). A direção
é hidráulica, o câmbio é no volante,
tudo é eletrônico, ficou muito mais fácil, até
parece o videogame que você joga em casa...”
9) Vou ao pódio, estouro o champagne com
cara de alegria e cansaço, faço uma pequena festa,
despejo o resto da garrafa nas costas do chefe de equipe, cumprimento
formalmente meus rivais e vou para a entrevista coletiva. Lá,
uso aqueles velhos chavões do tipo “a corrida foi emocionante...”,
“tive muitas dificuldades durante a prova”, “a
equipe trabalhou de maneira perfeita...”, “o carro funcionou
muito bem...”.
10) Se algo sair errado em qualquer momento da prova
e meu adversário se aproximar, devo fechar a porta com vontade.
Caso ele tente me ultrapassar de maneira decidida, jogo o carro
em cima - mesmo que a colisão seja inevitável. Depois,
me explico para os comissários, vou à imprensa e digo
“meu rival foi irresponsável”, “ele não
deveria tentar me ultrapassar naquela parte da pista”, “aquele
cidadão está querendo me matar”, “o automobilismo
está cada vez mais arriscado”, “estou pensando
em parar”, “estes jovens pilotos são muito inconseqüentes
e imaturos”, etc.
Troféu
de Ponta a Ponta
1)
Schumacher - 9,5
Tenho que ficar mais exigente com o alemão, senão
ele vai levar 10 em todas as corridas. Minha justificativa: errou
no treino classificatório e não passou o Button na
pista.
2)
Button - 9,5
Brilhante, merecia a vitória.
3)
Montoya - 7,0
Com este batmóvel, não vai longe.
4)
Alonso - 7,5
Foi bem pela primeira vez no ano. E também foi um dos poucos
(ou único?) que verdadeiramente tentou uma ultrapassagem
no meio da prova. Tudo bem, não foi totalmente bem sucedido,
afinal se enroscou com Ralf, mas tentou.
5)
Trulli - 7,0
Faz uma boa temporada.
6)
Barrichello - 3,0
Nem vou comentar para não falar besteira...
7)
Ralf - 3,0
De novo: nem vou comentar para não falar besteira...
8)
Raikkonen - 5,5
Aleluia, finalmente marcou um ponto.
Fisichella
e Massa - 4,5
Bons pilotos, mas sofrem com um carro ruim.
Panis,
Webber e Klien - 4,5
Apagados, não fizeram nada de bom.
Coulthard
- 2,5
É um gênio da Fórmula 1. Logo na largada, jogou
a corrida fora enfiando sua Mclaren na traseira de Alonso. Depois,
passeou pela grama e fez outras asneiras que resultaram em um brilhante
12º lugar.
Baumgartner
- 4,0
Esse é um herói. Terminar uma corrida com a Minardi
é um grande feito, mesmo que quatro voltas atrás do
líder.
Sato
- 5,0
Estava razoavelmente bem (oitavo) até o motor Honda estourar.
Heidfeld
e Pantano - 3,0
O que dizer da dupla da Jordan? Nada, ficaram no meio do caminho.
Da
Matta - 4,5
Até que tentou, mas foi traído pelo limitador de velocidade
(!), que travou. Essa é nova!
Bruni
- 2,5
Coitado...
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