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Beagá, 09 de junho de 2003 d.C.
 
Chorão
Por Grand Chelem
 

O piloto brasileiro Rubens Barrichello passou a última semana inteira repetindo que, para ele, o Mundial de Fórmula 1 começa no Canadá. Confesso que as declarações me decepcionaram - ou irritaram - profundamente. Por um simples e pequeno detalhe: o GP do Canadá é a oitava etapa de um campeonato com dezesseis provas. Ora, e o que ele fez até agora? Desfilou com a Ferrari pelos circuitos do mundo afora?

A verdade é que Rubinho sempre tem uma desculpa na ponta da língua para justificar os seus fracassos. Em uma corrida, são os pneus. Noutra, uma gripe que surgiu de última hora. E por aí vai. Enquanto ele chora, Michael Schumacher vai acumulando pontos. E o placar da equipe Ferrari neste ano já aponta 44 x 25 para o alemão.

Você pode dizer que o time italiano trabalha apenas para Schumacher, o que é uma grande verdade. Mas o faz porque o alemão é inegavelmente mais piloto. E também porque Rubinho não tem um pingo de carisma. Quando Ayrton Senna chegou à Mclaren, em 1988, achou a equipe trabalhando para Alain Prost, que já tinha algumas temporadas no time. Só que seu talento - e seu poder de mobilização - equilibraram a situação. Podemos dizer que o mesmo aconteceu com Nelson Piquet nas suas temporadas na Williams, em 1986 e 1987. Encontrou uma equipe inglesa e um piloto inglês, Nigel Mansell. Graças à sua categoria, e às táticas de "guerrilha" que irritavam o Leão (tais como dizer para quem quisesse ouvir que a mulher de Mansell era medonha e tirar o papel higiênico do banheiro quando o inglês se encaminhava para o mesmo), Piquet virou o jogo.

Concluindo: Rubinho é, sem dúvida, um bom piloto. Porém falta para ele o "algo mais", que separa os ótimos dos gênios. Senna e Piquet se enquadram nesta última categoria e, por isso, foram tricampeões. Já Barrichello, muito provavelmente, vai comer poeira pelo resto da sua carreira.

Gracinha que custou caro
Já viu algum piloto perder a corrida por fazer gracinha na reta dos boxes, a poucos metros da bandeirada? Pois foi assim que um ser desprovido de grandes atividades cerebrais, chamado Bjorn Wirdheim, deixou escapar a vitória na última prova da Fórmula 3000, disputada no dia 31, em Mônaco.

Wirdheim até vinha fazendo uma boa corrida. Largou na pole e liderou a prova toda. O problema é que, segundos antes de receber a bandeirada resolveu "aparecer" para a equipe, passando devagarzinho perto da mureta. E esqueceu da vida. Resultado: estava tão lento que Nicolas Kiesa, até então segundo colocado, teve tempo de ultrapassá-lo e vencer a corrida.

Vai ser burro assim lá longe. Se eu sou piloto, e perco uma prova deste jeito, entrego minha licença, mudo de país, desapareço por alguns meses para fazer uma plástica e vou vender coxinha bem longe de qualquer autódromo.

A frase
"Honestamente, pensei que já tinha recebido a bandeira quadriculada e por isso reduzi minha velocidade. Fiquei muito surpreso quando vi o nome do Kiesa em primeiro na classificação final."

Bjorn Wirdheim, piloto de Fórmula 3000. Depois da burrada que ele cometeu, melhor era ficar quieto.

 
Grand Chelem é correspondente do ABACAXI ATÔMICO em Curitiba. E-mail: grandchelem@abacaxiatomico.com.br

 

 

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