Quem
assistiu o GP do Bahrein, domingo, viu uma cena que já se
tornou corriqueira: Michael Schumacher e a Ferrari esmagaram, destruíram,
pulverizaram, detonaram, massacraram a concorrência. Não
é preciso ser nenhum vidente para saber qual será
o resultado final do mundial de Fórmula 1 de 2004: Schumacher
hepta, Rubinho vice novamente e Ferrari disparada no campeonato
de construtores. Simples assim. Na verdade, o marasmo da Fórmula
1 é o resultado de muita competência de um lado e muita
incompetência do outro.
Competência
por parte de uma equipe, a Ferrari. O time de Maranello reúne,
hoje, o melhor staff da categoria. Nomes de peso como Rory Byrne,
Jean Todt e Ross Brawn. Os carros são bem nascidos e bem
testados, a estratégia de corrida é sempre precisa
e, na pista, o genial Michael Schumacher faz o resto - apoiado por
um fiel cachorrinho, digo, escudeiro chamado Rubens Barrichello.
A incompetência
fica por conta das outras equipes, com exceção da
pobre Minardi, é claro. Veja o absurdo protagonizado pela
Mclaren e por seu “revolucionário” MP 4/19 (filho
de um MP 4/18 que nunca disputou uma corrida, de tão ruim
que era). Foi anunciado com pompa e circunstância, bateu recorde
de pista logo no primeiro treino (abaixo do peso mínimo,
aposto) e aí...
...E
aí rodaram quase 15 mil quilômetros na pré-temporada
para nada. Ou pior, para passar vergonha, porque qualquer macaco
de auditório percebe que o motor é fraco e explosivo
e que o carro é instável. A pergunta que fica é
a seguinte: o MP 4/19 estava pronto desde novembro do ano passado,
será que ninguém percebeu que havia muita coisa a
ser ajustada? Sim, porque o fiasco na estréia foi tão
grande que deu a impressão de que o carro tinha acabado de
chegar da fábrica sem nenhum teste. Vexame este, aliás,
que se repetiu nas corridas seguintes.
E a
Mclaren não é a única. Até a Williams,
que no ano passado deu alguma esperança para quem não
agüenta mais ver carrinhos vermelhos nas duas primeiras posições,
andou para trás. Foi outra que quis inventar moda, lançando
um batmóvel medonho que está mais para o cinema ou
para um museu dos “carros mais feios da história”
do que para a Fórmula 1. Deu no que deu. “Revolucionário”
é uma palavra que poucas vezes deu certo no automobilismo.
Colin Chapman que o diga!
Troféu
De Ponta a Ponta
1
- Schumacher - 10,0
O alemão azedo vai virar hours concours. Novamente perfeito,
sem dar chance para a concorrência.
2
- Barrichello - 7,0
Começou o ano “liberado” pela Ferrari para disputar
o título. Nunca mais fez uma grande corrida.
3
- Button - 9,5
É fera. Outra grande apresentação.
4
- Trulli - 8,5
Canso de dizer que o italiano é bom. Deixou o companheiro
Alonso para trás.
5
- Sato - 7,5
E não é que o japonês fez uma boa corrida? Mesmo
se atrapalhando com Ralf Schumacher, esteve sempre entre os primeiros.
6
- Alonso - 4,0
Tenho que concordar com o Galvão Bueno: está andando
mais do que o carro. Foi mal nos treinos, se atrapalhou na largada,
passeou nas áreas de escape...
7
- Ralf - 6,0
Parece desmotivado.
8
- Webber - 7,0
Desta vez, até que foi bem.
Panis
e Da Matta - 6,0
Fizeram o que podiam com um carro que está longe de ser bom.
Fisichella
e Massa - 5,0
Esperava mais da dupla da Sauber: 11º e 12º é brincadeira.
Montoya
- 8,5
Teria chegado em terceiro se não fosse traído pelo
câmbio da Williams.
Klien
e Heidfeld - 4,0
Nada a comentar.
Pantano,
Bruni e Baumgartner - 2,5
Comédia, comédia, comédia...
Raikkonen
- 3,0
Ô maré de azar! Novamente o motor Mercedes abriu o
bico (duas vezes) e o deixou a pé.
Coulthard
- 4,0
Coitado, o carro é tão ruim que dá até
dó.
|