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Beagá, 09 de fevereiro de 2003 d.C.
 
Marketing
Por Grand Chelem
 

Marketing. 1 - Comercialização. 2 - Execução de todos os atos de comércio que sirvam para dirigir o escoamento de mercadorias e serviços do produtor ao consumidor. 3 - Conjunto de operações que envolvem a vida do produto, desde a planificação de sua produção até o momento em que é adquirido pelo consumidor. (Dicionário Michaelis).

Marketing. Esta é a palavra-chave do mundo da Fórmula 1.

Marketing. É o que garante a sobrevivência das equipes em uma competição tão cara e disputada.

Marketing, e somente o marketing, explica a quebradeira de recordes de circuitos que estamos acompanhando nos últimos dias.

Ora, a equação é simples:

Carro fora do regulamento, mais leve = “bom” desempenho = quebra de recorde = mais receita = sobrevivência e grana no bolso dos chefões.

Trocando em miúdos: muitas equipes fazem de tudo para andar bem na pré-temporada (inclusive tirar uma centena de quilinhos do carro) e arrebanhar alguns patrocinadores mais desavisados. No caso das equipes grandes, o artifício ainda serve para atemorizar ou pelo menos deixar uma pulga atrás da orelha das rivais.

A tática é antiga. O exemplo mais famoso é o da Arrows de alguns anos atrás. Pulverizou meia-dúzia de recordes com um carro totalmente abaixo do peso e impressionou muita gente. Pois foi a temporada começar e logo a equipe rumou para o fundo do grid. Faliu pouco tempo depois.

Vamos analisar dois casos recentes. Primeiro, a Mclaren. Lançou o carro com toda pompa e se mandou para o autódromo de Valência, na Espanha. Detonou o recorde do circuito. Ainda em solo espanhol, seguiu para Jerez e estabeleceu uma nova marca para a pista. Até aí tudo bem. O problema é que nos últimos testes, em Barcelona, a equipe tem apanhado de times menores como Toyota e Sauber. Das duas uma, ou o carro é bom só em circuitos travados (como Jerez e Valência) ou a equipe decidiu colocar o bólido dentro do regulamento e viu que não era tudo aquilo. É aguardar para ver.

Porém o maior feito da pré-temporada foi protagonizado pelo japonês Takuma Sato (BAR). O representante nipônico simplesmente baixou em quase um segundo o recorde da pista de Barcelona, impressionando até os mais céticos e botando tempo em ninguém mais ninguém menos do que Michael Schumacher. Só que este assombroso tempo é fácil de explicar: o contrato da equipe com a Honda vence no fim do ano, as negociações de renovação estão em pleno andamento...

Marketing, puro Marketing.

A frase
“David Coulthard é uma pessoa bacana, um piloto bacana, mas tem um cabeção... Tivemos que redesenhar todo o seu capacete. Sua cabeça é, no mínimo, 15% maior do que a de Michael Schumacher, por exemplo.”

Oliver Schimpf, designer de capacetes. O cabeção de David Coulthard me faz lembrar de um companheiro do ABACAXI ATÔMICO, cujo nome prefiro manter em sigilo.

 
Grand Chelem é correspondente do ABACAXI ATÔMICO em Curitiba. E-mail: grandchelem@abacaxiatomico.com.br

 

 

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