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Beagá, 06 de outubro de 2003 d.C.
 
Teoria da conspiração
Por Grand Chelem
 

Não adianta. Não tem choro e nem vela. Na Fórmula 1, a Ferrari é sempre a Ferrari. E coitado de quem disser o contrário. Por que estou escrevendo isso? Ora, porque a equipe de Maranello, invariavelmente, é favorecida por decisões dos comissários da FIA. Vamos aos exemplos mais recentes.

1) O caso dos pneus gordos da Michelin
Um episódio que resume bem a situação. Dias depois do GP da Hungria, alguns manda-chuvas da F-1 foram convidados para comer um macarrone al funghi e tomar um bom lambrusco na sede da Ferrari. Saíram de lá dizendo que os pneus da Michelin (concorrentes dos Bridgestone, que calçam o time italiano) poderiam estar fora do regulamento depois de aquecidos. Resultado prático da visita: a fábrica francesa foi praticamente obrigada a fazer um novo composto - às pressas - e, coincidência ou não, perdeu as duas corridas seguintes.

2) O caso da bandeira amarela escancarada
O mundo inteiro viu Schumacher, descaradamente, ultrapassar Olivier Panis durante uma bandeira amarela no GP dos EUA. Qualquer outro piloto tomaria uma punição e seria obrigado a passar pelos boxes em baixa velocidade. Menos o alemão queixudo e a Ferrari.

3) O caso da largada frustrada de Rubinho
Sinceramente, eu com meu possante Gol 1.0 8V seria capaz de largar mais rápido do que Barrichello em Indianápolis. Quem entende um pouco de Fórmula 1 sabe que hoje é possível controlar todo o carro por um computador. É um software para lá, outro para cá... E já ouvi muita gente especializada no assunto levantando a bola de que alguém, furtivamente, possa ter mexido no Ferrari de Rubinho para fazê-lo largar lentamente e, assim, segurar Montoya - que vinha logo atrás. Ora, se fez alguma malandragem, a equipe deveria ser punida. Mas ninguém na FIA comentou nadinha, nem levantou a hipótese. Se fosse outro time... O próprio Barrichello quase deu com a língua nos dentes, afirmando que "qualquer carro no sinal seria mais rápido que o meu na largada". Onde há fumaça, há fogo.

4) O caso da ridícula punição de Montoya 
Logo nas primeiras voltas da corrida nos Estados Unidos, Montoya se enroscou com Rubinho em uma das curvas do circuito. O colombiano seguiu na prova e o brasileiro parou atolado na brita. Até aí tudo bem. Primeiro ponto a ser analisado: pouco antes do acidente, Barrichello deixou Coulthard lhe passar com extrema facilidade. Com esta manobra, ficou posicionado logo à frente de Montoya. E na seqüência, pimba: a batida. Podemos entender o enrosco como um acidente normal de corrida. É até demasiadamente paranóico pensar o contrário. Mas punir o colombiano foi demais. O título foi parar no colo de Schumacher. A Ferrari agradeceu.

Jogando no liquidificador todos os fatos e as paranóias, concluímos que o alemão, além do talento incontestável, é auxiliado (via Ferrari) por inúmeros itens extrapista. Ou seja, a política dos bastidores funciona claramente a favor da equipe de Maranello. Sorte do alemão azedo, azar dos concorrentes...

A frase
"É uma pena."

Ralf Schumacher, lamentando que seu companheiro de equipe, Juan Pablo Montoya, tenha ficado de fora da disputa do título deste ano. Quanta hipocrisia, ele deve é estar rindo por dentro.

 
Grand Chelem é correspondente do ABACAXI ATÔMICO em Curitiba. E-mail: grandchelem@abacaxiatomico.com.br

 

 

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