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Não
adianta. Não tem choro e nem vela. Na Fórmula 1, a Ferrari é sempre
a Ferrari. E coitado de quem disser o contrário. Por que estou escrevendo
isso? Ora, porque a equipe de Maranello, invariavelmente, é favorecida
por decisões dos comissários da FIA. Vamos aos exemplos mais recentes.
1)
O caso dos pneus gordos da Michelin
Um episódio que resume bem a situação. Dias depois do GP da Hungria,
alguns manda-chuvas da F-1 foram convidados para comer um macarrone
al funghi e tomar um bom lambrusco na sede da Ferrari. Saíram de
lá dizendo que os pneus da Michelin (concorrentes dos Bridgestone,
que calçam o time italiano) poderiam estar fora do regulamento depois
de aquecidos. Resultado prático da visita: a fábrica francesa foi
praticamente obrigada a fazer um novo composto - às pressas - e,
coincidência ou não, perdeu as duas corridas seguintes.
2)
O caso da bandeira amarela escancarada
O mundo inteiro viu Schumacher, descaradamente, ultrapassar Olivier
Panis durante uma bandeira amarela no GP dos EUA. Qualquer outro
piloto tomaria uma punição e seria obrigado a passar pelos boxes
em baixa velocidade. Menos o alemão queixudo e a Ferrari.
3)
O caso da largada frustrada de Rubinho
Sinceramente, eu com meu possante Gol 1.0 8V seria capaz de largar
mais rápido do que Barrichello em Indianápolis. Quem entende um
pouco de Fórmula 1 sabe que hoje é possível controlar todo o carro
por um computador. É um software para lá, outro para cá... E já
ouvi muita gente especializada no assunto levantando a bola de que
alguém, furtivamente, possa ter mexido no Ferrari de Rubinho para
fazê-lo largar lentamente e, assim, segurar Montoya - que vinha
logo atrás. Ora, se fez alguma malandragem, a equipe deveria ser
punida. Mas ninguém na FIA comentou nadinha, nem levantou a hipótese.
Se fosse outro time... O próprio Barrichello quase deu com a língua
nos dentes, afirmando que "qualquer carro no sinal seria mais rápido
que o meu na largada". Onde há fumaça, há fogo.
4)
O caso da ridícula punição de Montoya
Logo nas primeiras voltas da corrida nos Estados Unidos, Montoya
se enroscou com Rubinho em uma das curvas do circuito. O colombiano
seguiu na prova e o brasileiro parou atolado na brita. Até aí tudo
bem. Primeiro ponto a ser analisado: pouco antes do acidente, Barrichello
deixou Coulthard lhe passar com extrema facilidade. Com esta manobra,
ficou posicionado logo à frente de Montoya. E na seqüência, pimba:
a batida. Podemos entender o enrosco como um acidente normal de
corrida. É até demasiadamente paranóico pensar o contrário. Mas
punir o colombiano foi demais. O título foi parar no colo de Schumacher.
A Ferrari agradeceu.
Jogando
no liquidificador todos os fatos e as paranóias, concluímos que
o alemão, além do talento incontestável, é auxiliado (via Ferrari)
por inúmeros itens extrapista. Ou seja, a política dos bastidores
funciona claramente a favor da equipe de Maranello. Sorte do alemão
azedo, azar dos concorrentes...
A
frase
"É uma pena."
Ralf
Schumacher, lamentando que seu companheiro de equipe, Juan Pablo
Montoya, tenha ficado de fora da disputa do título deste ano. Quanta
hipocrisia, ele deve é estar rindo por dentro.
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