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Beagá, 26 de maio de 2003 d.C.
 
Os tradicionais retardatários
Por Grand Chelem
 

Neste fim de semana, o circo da Fórmula 1 desembarca no principado de Mônaco para a disputa do GP mais famoso da categoria. Nos bastidores do circuito, muita gente rica, que se aglomera em sacadas de prédios de alto padrão ou em iates milionários. Dentro da apertada pista de Monte Carlo (se é que podemos chamar um monte de ruas cercadas por guard-rails de pista), o GP de Mônaco é sinal de poucas ultrapassagens e de muita confusão. É também o palco perfeito para a consagração dos retardatários, esta espécie de pilotos que, por sua ruindade ou por seu azar de estar em uma equipe pequena, sempre atrapalha os líderes da corrida.

Os retardatários, aliás, se dividem em várias subespécies, a saber:

Em atividade

Metralhadora
Sempre tem uma desculpa na ponta da língua para justificar os seus maus resultados. E, invariavelmente, sai atirando para todos os lados. Claro que, na F-1 atual, o canadense Jacques Villeneuve (BAR) exemplifica bem esta categoria. Entre as desculpas que ele já inventou estão a falta de coragem dos outros pilotos, uma sutil mudança na direção do vento e o aumento de 2º Celsius na temperatura da pista. Pode?

Amigão
Em todas as provas dá um jeito de facilitar as ultrapassagens dos amigos. Nem que para isso seja preciso parar o carro na pista ou dar um passeio na grama. Hoje, Ralf Schumacher (Williams) é o grande exemplo desta subespécie. É só ele ver a Ferrari do irmão Michael pelo seu retrovisor para esquecer de tudo, disputa de posição, melhor volta, etc, e achar uma maneira de ajudar a família.

Comigo todos podem
Este nem que queira consegue atrapalhar os concorrentes. Seja por falta de talento, ou por ineficiência do carro, em todas as corridas é mais lento do que os demais. Se encaixam nesta subespécie, atualmente, Justin Wilson e Jos Verstappen, dupla da sofrível equipe Minardi. Precisa explicar? A situação deles é igual a de um piloto que está dentro de um ônibus disputando uma corrida de carros.

Turista
Está sempre passeando por algum lugar diferente. Em determinados momentos, passa pela grama. Em outros, pela área de escape. Não raro, é localizado nos boxes, consertando alguma das suas bobagens. Muitas vezes, também é visto "beijando" um muro ou um guard-rail. E, em poucas ocasiões, está na pista. Hoje, Ralf Firman (Jordan) representa com louvável maestria esta subespécie. Em todas as provas ele dá um jeito de fazer uma besteira, seja no treino ou na corrida. Ou ainda, nos dois. Pobre Eddie Jordan, que já contabiliza um considerável prejuízo financeiro na sua equipe desde o começo da temporada. Quem mandou não aceitar o Felipe Massa?

Em extinção

Metido a campeão
É aquele que por já ter disputado a vitória em algumas provas se acha no direito de, quando fica para trás, complicar a vida dos líderes. O grande representante desta subespécie foi o francês René Arnoux, que no fim da década de 80 deu um grande "calor" em pilotos do quilate de Ayrton Senna e Alain Prost. A dupla, por sinal, cansava de desferir impropérios a Arnoux cada vez que se aproximava do mesmo.

Ousado
Não liga se está uma ou duas voltas atrás e insiste em disputar posição com os líderes da prova. Esta "categoria" teve seu ápice no Grande Prêmio do Japão de 1991, quando o então retardatário Eddie Irvinie, pouco depois de ser ultrapassado pelo primeiro colocado Ayrton Senna, resolveu dar o troco no brasileiro. A atitude de Irvinie, aliás, rendeu-lhe alguns sopapos após a corrida, já que Senna não gostou nem um pouco da brincadeira.

Bandeiradas
Pódio brasileiro nas 500 milhas - O automobilismo brasileiro continua em alta. Vem ano, passa ano e tem sempre algum representante tupiniquim dando show nas pistas pelo mundo afora. No último domingo, entretanto, os brasileiros exageraram: dominaram completamente as 500 milhas de Indianápolis (EUA), a mais tradicional prova do automobilismo mundial - que atualmente faz parte do calendário da IRL (Indy Racing League). Gil de Ferran ficou com a vitória. Hélio Castro Neves chegou em segundo e Tony Kanaan, em terceiro. Os três pilotos, por sinal, mereciam uma chance na Fórmula 1.

Rubinho valorizado - Deu na internet: Rubens Barrichello vale mais do que Ronaldo, Fernando Meligeni, Robert Scheidt e o Corinthians juntos! Pelo menos foi isso que comprovou um leilão beneficente organizado pelo apresentador global Luciano Huck, na última semana, em São Paulo. Os lotes que envolviam os atletas eram os seguintes: uma volta de Ferrari com Rubinho no autódromo de Interlagos (arrematado por R$ 92 mil), uma partida de golfe com Ronaldo (R$ 15 mil), uma aula de tênis com Meligeni (R$ 14,5 mil), uma aula de vela com Scheidt (R$ 16 mil), e assistir a um jogo do Corinthians sentado no banco de reservas do time (R$ 40 mil). Destilando um veneninho: acho que, na verdade, a Ferrari é que está valorizada e que chamou a atenção dos participantes do leilão.

A frase
"Eu amo leite."

Gil de Ferran, logo após ganhar as 500 milhas de Indianápolis, disputada no último domingo, e receber o famoso leitinho dado aos vencedores da competição.

 
Grand Chelem é correspondente do ABACAXI ATÔMICO em Curitiba. E-mail: grandchelem@abacaxiatomico.com.br

 

 

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