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Beagá, 01 de setembro de 2003 d.C.
 
Barbaridade!
Por Grand Chelem
 

O mundo da Fórmula 1 está ficando louco! A começar pelos integrantes da equipe Ferrari. Tem dó, divulgar uma nota dizendo que Rubens Barrichello foi o culpado pelo estouro da suspensão do seu carro no GP da Hungria, disputado no último dia 24, é no mínimo uma piada sem graça.

Vamos ao texto: "Após uma acurada análise dos dados disponíveis e depois de estudar o vídeo do GP da Hungria, a Ferrari chegou à mais provável causa do acidente de Rubens Barrichello no evento. Quando se viu muito próximo do carro que o precedia, Barrichello, por duas vezes, atingiu as zebras em um ângulo pouco usual (sic) de impacto na chicane entre as curvas 6 e 7. Os impactos produziram excessivo estresse no braço principal do triângulo superior da suspensão traseira esquerda. Esta peça então quebrou sob forte freada na reta principal no início da volta 20." Trocando em miúdos, botaram no rabo do Rubinho.

A declaração é tão absurda que, partindo deste princípio, o passo seguinte da Ferrari deveria ser a divulgação de uma nova nota pedindo o banimento das zebras. Sim, porque pela lógica ferrarista elas estão colocando em risco a vida dos pilotos.

Ora bolas, na mesma corrida muita gente passou de maneira "pouco usual" nas zebras, e nem por isso se ferrou como o Barrichello. Quer melhor exemplo que Montoya? O colombiano macho, quando rodou sozinho, passou quicando pelas zebras na saída e na volta para a pista. E seguiu feliz e sorridente até o fim da prova sem problema algum. PQP!!! A suspensão de um F-1 é feita para suportar grandes impactos. O que a equipe fez, soltando a nota, foi simplesmente desviar as atenções na tentativa de esconder um problema estrutural do carro. Fim de temporada, campeonato indo por água abaixo, pressão... Já vimos esta novela antes.

E Rubinho na Ferrari, coitado, é igual cachorro vira-lata na rua. É sempre culpado de tudo e não fala nada. Sabe como, né? Você está namorando no banco da praça, morrendo de dor de barriga em função da feijoada com chucrutes do dia anterior e larga um "torpeido" arrasador - tão poderoso que é digno de uma convocação do Bin Laden para a chefia do DAQAQ (Departamento de Armas Químicas da Al Qaeda). Sua namorada (ou, neste momento, ex) te olha com cara de espanto e você dispara, na maior cara de pau: "Foi esse pulguento que está deitado aí na frente..." É a saída mais lógica, afinal o cachorro não pode falar para se defender.

Pois Barrichello é bem assim. Sempre detonam nosso brazuca, nem que seja veladamente. O cavalete ficou embaixo do carro na volta de apresentação? Culpa do Rubinho, que não avisou a equipe. Pane seca? Culpa do Rubinho, que consumiu demais. O motor explodiu? Culpa do Rubinho, que acelerou antes da hora. Jesus Cristo foi crucificado? Culpa do Rubinho...

E assim, como um grande representante da raça canina, Barrichello não pode abrir a boca em defesa própria. Deve existir alguma cláusula no seu contrato leonino - ou canino - dizendo que ele tem de ficar quieto a cada bobagem que a equipe larga. Pobre cachorrinho - digo, Rubinho.

A frase
"Eu só gostaria que tivesse sido uma corrida real."

Jos Verstappen, piloto do "Ônibus Minardi", após vencer, no último domingo, uma prova com carros de F-1 de dois lugares. O evento ocorreu na Inglaterra e Jos the Boss teve como seu parceiro o cantor Jay Kay, da banda Jamiroquai.

 
Grand Chelem é correspondente do ABACAXI ATÔMICO em Curitiba. E-mail: grandchelem@abacaxiatomico.com.br

 

 

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