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Beagá, 21 de julho de 2003 d.C.
 
Show brazuca
Por Grand Chelem
 

Os três pilotos brasileiros na Fórmula 1 finalmente mostraram seu talento nesta temporada. Até parecia combinado: cada um, dentro das suas limitações, fez sua melhor corrida no empolgante Grande Prêmio da Grã-Bretanha, disputado no último domingo em Silverstone.

A começar por Rubens Barrichello, que calou a boca dos críticos (entre os quais eu me incluo). Na sexta-feira, quando ele rodou na sua volta de pré-classificação, até tirei sarro do nosso "injustiçado" piloto, falando aos amigos mais próximos sobre a sua "categoria". Pois veio o sábado, com pole-position, e o domingo, com vitória, melhor volta e um punhado de ultrapassagens de tirar o fôlego. É, Rubinho teve o seu dia de gente grande, conduzindo a Ferrari com maestria.

Aqui cabe um parênteses. As duas grandes provas de toda a carreira de Barrichello foram marcadas por malucos que invadiram a pista. Além do fanático religioso que passeou por uma das retas de Silverstone, ostentando um cartaz "Leiam a Bíblia" no último domingo, a sua vitória de número um, em Hockenheim (2000), teve um funcionário demitido da Mercedes-Benz circulando perigosamente pelo circuito. Lembram do show de Rubinho? Largou em 18º, foi passando um monte de gente, acabou beneficiado pela invasão da pista, enfrentou a chuva e segurou o carro no braço nas últimas voltas. Até parecia o Ayrton Senna. Que venham os malucos!

Cristiano da Matta também fez uma grande prova. Liderou por 17 voltas e segurou a pressão de Kimi Raikkonen com categoria. Depois, na segunda parte da corrida, levou seu Toyota até o melhor lugar que podia chegar, o sétimo.

Já o amazonense Antônio Pizzonia, finalmente, andou na frente do seu companheiro de Jaguar, o talentosíssimo Mark Webber. E com direto a uma ultrapassagem do estilo "chega para lá" em cima do australiano. Enquanto o carro agüentou, mostrou o seu talento. Só não concluiu a corrida porque o motor Ford, mais uma vez, abriu o bico. Nada disso foi suficiente para sensibilizar os dirigentes da equipe, que na segunda-feira anunciaram que Pizzonia estava fora do time e que será substituído - até o fim da temporada - por Justin Wilson.

A Jaguar, por sinal, é uma vergonha. A Ford investe milhões de dólares na categoria e, mesmo assim, só faz fiasco. A desorganização é tão grande que os caras levaram horas para descobrir, por exemplo, que o desempenho do carro de Pizzonia durante os treinos de aquecimento do sábado não foi satisfatório porque o chassis estava rachado. É mole?

E não foi só na Fórmula 1 que os brasileiros demonstraram seu talento. Lá pelas bandas dos Estados Unidos, na IRL, Gil de Ferran ganhou mais uma (em Nashville) e entrou definitivamente na briga pelo título. Título que, aliás, deve ser disputado com os também brazucas Tony Kanaan e Hélio Castro Neves.

Para encerrar, reproduzo uma célebre frase de Jackie Stewart, escocês tricampeão mundial de Fórmula 1, ao tentar achar uma justificativa para o talento dos brasileiros: "Deve ser a água que eles bebem..."

Comentário infeliz
Como gremista roxo, gostaria de manifestar a minha contrariedade ao infeliz comentário do amigo Obdulio Rimet sobre o tricolor gaúcho na sua coluna de semana passada. Dizer - ou pior, no caso retransmitir uma declaração - que o Grêmio nunca mais vai ser campeão brasileiro se os pontos corridos forem mantidos é subestimar, de maneira pouco inteligente, um time que é campeão mundial, duas vezes campeão sul-americano, campeão da Recopa e seis vezes campeão nacional (quatro da Copa do Brasil e duas do Campeonato Brasileiro). Mais: é o LÍDER (isso mesmo, o primeiro, o melhor de todos os tempos) do ranking da CBF - que dá pontos pelos títulos que cada time conquistou ao longo de sua história. Será que essas não são credenciais suficientes para ganhar um Campeonato Brasileiro por pontos corridos? O tricolor dos pampas já teve desafios bem maiores nestes 100 anos de vida! Para encerrar o assunto: achar que o Grêmio só vence campeonatos no formato "mata-mata" é uma besteira sem tamanho. Não vai ser este ano, mas quem sabe em 2004...

A frase
"Vou ser dona de casa."

Jacques Villeneuve, dizendo o que vai fazer caso abandone o automobilismo. Quer saber? Ele que vá fritar bolinhos e lavar as calcinhas da sua esposa!

 
Grand Chelem é correspondente do ABACAXI ATÔMICO em Curitiba. E-mail: grandchelem@abacaxiatomico.com.br

 

 

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