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Os
três pilotos brasileiros na Fórmula 1 finalmente mostraram seu talento
nesta temporada. Até parecia combinado: cada um, dentro das suas
limitações, fez sua melhor corrida no empolgante Grande Prêmio da
Grã-Bretanha, disputado no último domingo em Silverstone.
A começar
por Rubens Barrichello, que calou a boca dos críticos (entre os
quais eu me incluo). Na sexta-feira, quando ele rodou na sua volta
de pré-classificação, até tirei sarro do nosso "injustiçado" piloto,
falando aos amigos mais próximos sobre a sua "categoria". Pois veio
o sábado, com pole-position, e o domingo, com vitória, melhor volta
e um punhado de ultrapassagens de tirar o fôlego. É, Rubinho teve
o seu dia de gente grande, conduzindo a Ferrari com maestria.
Aqui
cabe um parênteses. As duas grandes provas de toda a carreira de
Barrichello foram marcadas por malucos que invadiram a pista. Além
do fanático religioso que passeou por uma das retas de Silverstone,
ostentando um cartaz "Leiam a Bíblia" no último domingo, a sua vitória
de número um, em Hockenheim (2000), teve um funcionário demitido
da Mercedes-Benz circulando perigosamente pelo circuito. Lembram
do show de Rubinho? Largou em 18º, foi passando um monte de gente,
acabou beneficiado pela invasão da pista, enfrentou a chuva e segurou
o carro no braço nas últimas voltas. Até parecia o Ayrton Senna.
Que venham os malucos!
Cristiano
da Matta também fez uma grande prova. Liderou por 17 voltas e segurou
a pressão de Kimi Raikkonen com categoria. Depois, na segunda parte
da corrida, levou seu Toyota até o melhor lugar que podia chegar,
o sétimo.
Já
o amazonense Antônio Pizzonia, finalmente, andou na frente do seu
companheiro de Jaguar, o talentosíssimo Mark Webber. E com direto
a uma ultrapassagem do estilo "chega para lá" em cima do australiano.
Enquanto o carro agüentou, mostrou o seu talento. Só não concluiu
a corrida porque o motor Ford, mais uma vez, abriu o bico. Nada
disso foi suficiente para sensibilizar os dirigentes da equipe,
que na segunda-feira anunciaram que Pizzonia estava fora do time
e que será substituído - até o fim da temporada - por Justin Wilson.
A Jaguar,
por sinal, é uma vergonha. A Ford investe milhões de dólares na
categoria e, mesmo assim, só faz fiasco. A desorganização é tão
grande que os caras levaram horas para descobrir, por exemplo, que
o desempenho do carro de Pizzonia durante os treinos de aquecimento
do sábado não foi satisfatório porque o chassis estava rachado.
É mole?
E não
foi só na Fórmula 1 que os brasileiros demonstraram seu talento.
Lá pelas bandas dos Estados Unidos, na IRL, Gil de Ferran ganhou
mais uma (em Nashville) e entrou definitivamente na briga pelo título.
Título que, aliás, deve ser disputado com os também brazucas Tony
Kanaan e Hélio Castro Neves.
Para
encerrar, reproduzo uma célebre frase de Jackie Stewart, escocês
tricampeão mundial de Fórmula 1, ao tentar achar uma justificativa
para o talento dos brasileiros: "Deve ser a água que eles bebem..."
Comentário
infeliz
Como gremista roxo, gostaria de manifestar a minha contrariedade
ao infeliz comentário do amigo Obdulio Rimet sobre o tricolor gaúcho
na sua coluna de semana passada. Dizer
- ou pior, no caso retransmitir uma declaração - que o Grêmio nunca
mais vai ser campeão brasileiro se os pontos corridos forem mantidos
é subestimar, de maneira pouco inteligente, um time que é campeão
mundial, duas vezes campeão sul-americano, campeão da Recopa e seis
vezes campeão nacional (quatro da Copa do Brasil e duas do Campeonato
Brasileiro). Mais: é o LÍDER (isso mesmo, o primeiro, o melhor de
todos os tempos) do ranking da CBF - que dá pontos pelos títulos
que cada time conquistou ao longo de sua história. Será que essas
não são credenciais suficientes para ganhar um Campeonato Brasileiro
por pontos corridos? O tricolor dos pampas já teve desafios bem
maiores nestes 100 anos de vida! Para encerrar o assunto: achar
que o Grêmio só vence campeonatos no formato "mata-mata" é uma besteira
sem tamanho. Não vai ser este ano, mas quem sabe em 2004...
A
frase
"Vou ser dona de casa."
Jacques
Villeneuve, dizendo o que vai fazer caso abandone o automobilismo.
Quer saber? Ele que vá fritar bolinhos e lavar as calcinhas da sua
esposa!
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