Um
comentário de Jorge Kajuru no programa Esporte Total
da semana passada me deixou um pouco balançado. Referindo-se
a Maradona, o apresentador disse que, ao contrário dos argentinos,
nós brasileiros não sabemos reconhecer adequadamente
nossos ídolos. A discussão veio em boa hora: no último
domingo, Ayrton Senna completaria 44 anos. E, como não poderia
deixar de ser, a televisão, principalmente a rede Globo,
por motivos óbvios, fez uma excelente cobertura sobre a carreira
de um dos maiores esportistas do Brasil.
As reportagens especiais exibidas no Globo Esporte
e Jornal Nacional foram perfeitas. Mostraram tanto o lado profissional
como o pessoal do piloto. Tudo sem sentimentalismo barato - tirando
as citações do estrela Galvão Bueno. Enfim,
jornalismo do mais alto nível. A imprensa soube aproveitar
bem o momento, que é o que importa, ao invés de se
ficar bombardeando o público a toda hora com notícias
nem sempre de conteúdo.
Mas mesmo assim, concordo com a opinião de
Kajuru. Vou até um pouco mais longe: empresas e mesmo os
atletas brasileiros não sabem explorar adequadamente suas
imagens. Tudo bem, nossos ídolos vendem e bem. Porém
sempre produtos de outras empresas, como Pelé, que vende
celular, vitamina e até remédio contra impotência.
Ou seja, produtos com marca própria dos ídolos não
são comercializados.
Na Argentina, Maradona é o ar respirado pela
população. Há toda uma infinidade de produtos
com a grife do ex-jogador: bola, chuteira, desodorante, relógio,
sapato, cueca e por aí vai. Na despedida do craque, uma empresa
de artigo esportivo tirou o pai da forca de tanto vender a camisa
comemorativa da despedida. Até réplica da camisa usada
no título de 86 existe.
Na Europa, mesma coisa. Basta uma rápida
olhada nas arquibancadas durante a transmissão de qualquer
partida para se ver um sem-número de camisas, bonés,
cachecóis e blusas estampando o rosto dos ídolos.
Já no Brasil... Nem camisas com o nome dos jogadores existem
ainda. Ou seja, produtos promocionais, propriamente ditos.
Talvez esteja aí um bom filão para
o mercado nacional. Basta alguém para investir.
Encanto
quebrado
O tropeço na Libertadores e a desclassificação
no Paulistão, diante do São Caetano, começam
a mostrar o real São Paulo. Ao contrário do que muitos
pensavam, a equipe tricolor não é tudo isso.
Foi
tarde
Não tenho nenhum pingo de dó em relação
à queda do Bangu para a segunda divisão do campeonato
fluminense. Mesmo sendo 2004 o ano do centenário do clube
do falecido Castor de Andrade. No futebol de hoje, não há
mais espaço para equipes desestruturadas, que insistem em
viver de história. Tomara que o próximo da fila seja
o algoz do Bangu, o queridinho do Brasil, América - odeio
esse papo de simpatia por clubes pequenos...
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