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Beagá, 22 de março de 2003 d.C.
 
Imagem é tudo
Por Obdulio Rimet
 

Um comentário de Jorge Kajuru no programa Esporte Total da semana passada me deixou um pouco balançado. Referindo-se a Maradona, o apresentador disse que, ao contrário dos argentinos, nós brasileiros não sabemos reconhecer adequadamente nossos ídolos. A discussão veio em boa hora: no último domingo, Ayrton Senna completaria 44 anos. E, como não poderia deixar de ser, a televisão, principalmente a rede Globo, por motivos óbvios, fez uma excelente cobertura sobre a carreira de um dos maiores esportistas do Brasil.

As reportagens especiais exibidas no Globo Esporte e Jornal Nacional foram perfeitas. Mostraram tanto o lado profissional como o pessoal do piloto. Tudo sem sentimentalismo barato - tirando as citações do estrela Galvão Bueno. Enfim, jornalismo do mais alto nível. A imprensa soube aproveitar bem o momento, que é o que importa, ao invés de se ficar bombardeando o público a toda hora com notícias nem sempre de conteúdo.

Mas mesmo assim, concordo com a opinião de Kajuru. Vou até um pouco mais longe: empresas e mesmo os atletas brasileiros não sabem explorar adequadamente suas imagens. Tudo bem, nossos ídolos vendem e bem. Porém sempre produtos de outras empresas, como Pelé, que vende celular, vitamina e até remédio contra impotência. Ou seja, produtos com marca própria dos ídolos não são comercializados.

Na Argentina, Maradona é o ar respirado pela população. Há toda uma infinidade de produtos com a grife do ex-jogador: bola, chuteira, desodorante, relógio, sapato, cueca e por aí vai. Na despedida do craque, uma empresa de artigo esportivo tirou o pai da forca de tanto vender a camisa comemorativa da despedida. Até réplica da camisa usada no título de 86 existe.

Na Europa, mesma coisa. Basta uma rápida olhada nas arquibancadas durante a transmissão de qualquer partida para se ver um sem-número de camisas, bonés, cachecóis e blusas estampando o rosto dos ídolos. Já no Brasil... Nem camisas com o nome dos jogadores existem ainda. Ou seja, produtos promocionais, propriamente ditos.

Talvez esteja aí um bom filão para o mercado nacional. Basta alguém para investir.

Encanto quebrado

O tropeço na Libertadores e a desclassificação no Paulistão, diante do São Caetano, começam a mostrar o real São Paulo. Ao contrário do que muitos pensavam, a equipe tricolor não é tudo isso.

Foi tarde

Não tenho nenhum pingo de dó em relação à queda do Bangu para a segunda divisão do campeonato fluminense. Mesmo sendo 2004 o ano do centenário do clube do falecido Castor de Andrade. No futebol de hoje, não há mais espaço para equipes desestruturadas, que insistem em viver de história. Tomara que o próximo da fila seja o algoz do Bangu, o queridinho do Brasil, América - odeio esse papo de simpatia por clubes pequenos...

 
Obdulio Rimet é correspondente do ABACAXI ATÔMICO em Curitiba. E-mail: obdulio@abacaxiatomico.com.br.

 

 

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