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| Beagá,
Segunda, 25 de novembro de 2002 d.C. |
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Uísque do bom Por
Obdulio Rimet E depois dizem que essas coisas só acontecem no Brasil. Quem assistiu à transmissão de Barcelona e Real Madrid neste último fim de semana percebeu que tanto lá como cá a selvageria de torcedores (?!?!?) não difere muito. Isso a ponto de impedir a continuação do clássico hoje de maior importância mundial em cerca de dez minutos. Sim, foi exatamente esse o período que a equipe do Real teve que se esconder da fúria dos torcedores (?!?!?!) do Barça contra o português Figo, ex-ídolo do vermelho e grená, hoje defensor da equipe merengue. Não teve jeito. Nem com o presidente do Barcelona indo ao microfone, nem com o cordão de isolamento feito pela polícia, nem com os jogadores da equipe catalã pedindo para que o pessoal da arquibancada maneirasse. Figo não teve como fugir da chuva de garrafas e copos plásticos, entre outros objetos atirados. Até aí, uma idiotice, sem dúvida nenhuma. Mas até certo ponto "normal", por assim dizer - e que se ressalte as aspas. O que realmente chamou atenção de quem assistia à partida foi a câmera da TV espanhola captar uma garrafa de uísque (e dos bons) atirada dentro do gramado do Camp Nou. Sinceramente, isso hoje em dia nem no Brasil... Se a pessoa consegue entrar com uma garrafa de vidro no estádio, não está muito difícil para se entrar com uma arma, já que ambos objetos ocupam mais ou menos o mesmo espaço. Portanto, da próxima vez em que você, numa conversa de bar, for citar o modelo de gerenciamento de infra-estrutura europeu como o mais recomendável a ser usado no futebol de nosso país, pense bem. Como dizem, nem tudo que reluz é ouro.
Destaque para Figo, que se manteve muito frio e consciente com as provocações de seus ex-torcedores. O português agiu como dificilmente um atleta latino-americano agiria: não esboçou nenhuma reação às agressões verbais e físicas. Mais: em nenhum momento pediu para que outro companheiro fizesse uma de suas principais funções no Real, que é a cobrança de escanteios, quando a proximidade com a torcida era muito grande. Português macho, esse! Vergonha Que me desculpem os amigos de BH, mas que vergonha o Galo. Levar de seis em casa num momento decisivo, frente à sua torcida, uma das mais vibrantes do Brasil?!?! Coisa de timinho, o que o Atlético-MG não é e nunca foi. Vai ser duro reverter. Pelo jeito, a torcida Galoucura vai ter que mais uma vez engolir o Corinthians. Haja água pra descer... Nos conformes Grêmio e Juventude fizeram o jogo mais sem graça da rodada, com um empate sem gols. Exatamente o que já era esperado, por ser o confronto mais sem sal das quartas. Mesmo assim, ainda não dá pra se prever quem vai. O Grêmio, bom, é sempre o Grêmio. Joga feio, mas chega. Já o Juventude foi a equipe mais equilibrada da competição, permanecendo o maior tempo no grupo dos 8. Difícil saber o que vai dar. Assim que é bom Já a vitória de 3 a 1 do Santos sobre o São Paulo foi um resultado mais do que bom para termos mais um excelente jogo no Morumbi. Sem dúvida, um bom resultado da equipe da Vila Belmiro. Porém, totalmente possível de ser revertido pelo Tricolor, que vai jogar com a força de sua torcida agora. Além disso, a molecada da Vila terá que mostrar que realmente está madura. Escrevam o que estou dizendo: vai ser o melhor jogo de todo o campeonato. Cobrem-me depois. A salvação?!?! Será o Fluminense o responsável por limpar a honra carioca nesse Brasileirão? Boa vitória em casa, por 3 a 0. Tem tudo para continuar até porque, pelo que me lembre, o São Caetano até hoje nunca conseguiu reverter uma situação contrária, como foi na final do Brasileiro do ano passado quando perdeu a primeira na Baixada e depois perdeu de volta no Anacleto Campanela para o Atlético-PR. Pelo andar da carruagem, o Flu de Romário e Renato Gaúcho é o bote salva-vidas do Rio. Gol de Letra
Para quem está pensando em conferir a atuação de Will Smith como o maior pugilista de todos os tempos no filme Ali, é bom dar uma lidinha antes ou depois em A Luta, livro do jornalista Norman Mailer - duas vezes vencedor do Prêmio Pulitzer, o mais importante dessa categoria profissional dos EUA. No livro, Mailer relata detalhes sobre as atitudes de Muhammad Ali antes e durante o considerado maior confronto de boxe do século passado, contra George Foreman no Zaire, em 1974. Muito além de uma apresentação de gala da "nobre arte", com dois pugilistas de técnicas diferentes e arrojadíssimas, Mailer analisa na obra os confrontos subjetivos envolvidos naquele ringue montado na distante África. De um lado, o establishment representado por Foreman, que se vestia com as cores americanas e mantinha atitudes muito mais para de um branco do que para de um negro. Do outro, a defesa do poder negro representada por Ali, amigo pessoal de Malcon X (líder do movimento Black Power) e que tentava, através do boxe, reaver o orgulho que esse mesmo establishement havia lhe tirado por duas vezes. Primeiro, logo após o ouro nos Jogos Olímpicos de Roma, em 1960, nos tempos ainda de Cassius Clay, quando foi impedido de entrar em um restaurante no seu próprio país por ser negro. Por causa disso, Clay jogou fora sua medalha num rio, converteu-se ao islamismo e mudou de nome. Depois, em 1967. Por se negar a servir no Vietnã, Ali teve o título de campeão mundial dos pesos pesados cassado e ficou proibido de lutar por três anos. Os sentimentos de Ali também ganham vida graças à narrativa minuciosa de Mailer. Sem usar adjetivos mas somente descrições minuciosas, pode-se perfeitamente entender o que se passa pela cabeça de Ali. Como por exemplo durante um treino, quando Ali deixa o sparring batê-lo à vontade. Naquele momento, conforme descreve o jornalista, Ali estava analisando até onde poderia suportar para depois atacar sem piedade. E foi exatamente o que aconteceu no ringue. PS: quem puder, assista também ao documentário Quando Éramos Reis, que trata do mesmo assunto. |
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