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| Beagá,
Segunda, 14 de outubro de 2002 d.C. |
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Terra de ninguém Por
Obdulio Rimet Deu nos jornais: "Olimpia pode perder o título da Copa Libertadores". Tudo porque a Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) não engole o fato do presidente da equipe paraguaia, Osvaldo Domínguez, usar a taça de campeão do continente como um santinho de campanha rumo à presidência do zoneado país vizinho. Se não estivéssemos na América Latina, tudo muito certo. Como infelizmente estamos... Um caso um pouco semelhante ocorreu na Europa em 1993. Só que, como lá as coisas funcionam, houve punição. Por se envolver em compra de arbitragens no campeonato nacional, o francês Olympique de Marselha, campeão europeu daquele ano, ficou de fora da decisão do Mundial Interclubes, em Tóquio, contra o São Paulo. Em seu lugar, foi o vice Milan. Por um lado, seria excelente a punição da Conmebol. Mais uma vez o São Caetano estaria numa final. E quem sabe, contra o estrelado Real Madrid de Ronaldo, Zidane, Figo, Roberto Carlos e Raul, finalmente o Azulão não desencantaria e levantaria o caneco - sonhar ainda não custa nada. Por si só, isso apagaria todas as derrotas anteriores. Por outro, abre-se uma brecha gigantesca, uma verdadeira cratera, para nos atingir em cheio exatamente em nosso maior orgulho esportivo. Se a regra valer para o Paraguai (o que, sejamos sinceros, não ocorrerá nem a pau, pois a cultura do "termina em pizza" reina por esses lados do hemisfério), teoricamente teria que valer também aqui pelas terras tupiniquins. Resumindo a prosa: bau-bau pentacampeonato! É isso mesmo, meu caro. Ou será que você, seja da região que for do Brasil, não viu nenhum político-candidato erguendo a taça da Copa do Mundo no horário gratuito? O absurdo caminha por todas as esferas, dos presidenciáveis aos candidatos às assembléias estaduais. Se o Olimpia sofrer mesmo as conseqüências, o que seria justíssimo, a CBF, obrigatoriamente, também teria que pagar. É a confederação quem entrega a réplica da taça para os candidatos fazerem caras e bocas em causa própria frente às câmeras. Como na última partida da seleção, contra o Paraguai, em Fortaleza. Como pretexto para comemoração pelo penta, o candidato Ciro Gomes, amigo pessoal do presidente Ricardo Teixeira - este último, amigo de infância do governador Tasso Jereissati, principal cabo eleitoral e padrinho político do presidenciável cearense -, simplesmente ganhou uma apresentação de gala da melhor equipe do mundo em seu quintal. Mas o destino é exato. Ao contrário do show de bola da Coréia e Japão, Ciro e sua trupe viram uma partida horrível, feia, muito tosca por parte do time de Felipão. Pelo que me lembre, lá em cima eu disse que infelizmente estamos na América Latina. Esqueça... Estamos na América Latina, graças ao bom Deus!!! |
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