O Corinthians está voltando
a ser o bom e velho Corinthians de antigamente: administração
amadora, pitacos e mais pitacos de torcedores que não têm
mais o que fazer além de incomodar, um time fraco e, como
sempre, sem estádio. Esse sim é o Corinthians que
conhecemos. Não aquele vencedor de alguns anos atrás,
que montava verdadeiros esquadrões, quando gerenciado por
um grupo norte-americano. Aquilo era ilusão. Fumaça
pura.
O resultado de tudo isso é que num Paulista
fraco, em que somente o Santos se destaca como realmente uma grande
equipe, o Timão (que de timão, hoje, só tem
o apelido, e olhe lá) só não caiu graças
ao profissionalismo do São Paulo. Se não fosse o São
Paulo vencer o Juventus, o diabo, que já é grande,
seria muito maior para os alvinegros.
Aliás, se formos analisar a trajetória
de um em relação ao outro, percebe-se que a distância
administrativa é quilométrica. O clube do Morumbi
está anos-luz a frente do time de Parque São Jorge
no quesito gerenciamento. Enquanto o Tricolor consegue há
anos gerar dentro do próprio clube verdadeiras safras de
jogadores e, melhor ainda, ídolos, alguém aí
se lembra do último bom jogador criado dentro do Corinthians?
Ronaldo. Pois é, há 16 anos surgia
o último ídolo criado dentro do Parque São
Jorge, o goleiro Ronaldo - quando me refiro a ídolo, é
ídolo mesmo, não um jogador que a torcida goste, como
Gil. De lá para cá, para se ter um ídolo dentro
do clube, o Corinthians só teve uma solução:
buscar nas prateleiras de outros clubes - vide Neto, Marcelinho
Carioca, Gamarra, Ríncon, Luizão e tantos outros.
Agora o São Paulo. Depois de um período
de entressafra entre Cilinho, que formou a geração
de Muller, Silas, Edimar, Sidney, os chamados “Menudos do
Morumbi”, e Telê, muita gente foi criada nos campos
do CT da Barra Funda. Cafu, Juninho Paulista, Denílson, França,
Cacá, Luiz Fabiano, Fábio Simplício, Júlio
Baptista... Além de outros jogadores que acabaram não
se tornando ídolos, mas que são bons: André
Luís, Caio, Dodô... Tudo fruto de um bom trabalho de
garimpo e, principalmente, de se saber dilapidar, da maneira correta,
essas verdadeiras pepitas de ouro.
A revelação de jogadores virou para
o São Paulo um mercado cíclico. O São Paulo
investe nas categorias de base para, depois, fazer dinheiro. E isso
acaba sustentando o clube para que continue investindo em outros
meninos, para depois vendê-los, novamente, por outro bom dinheiro.
E assim caminha a coisa. Isso, mesmo quando o São Paulo vende
seus jogadores por preços menores do que valem, como no caso
de Cacá, o futuro melhor jogador do mundo, vendido por apenas
US$ 8 milhões. Uma cifra pequena. Mas que, por ter dinheiro
em caixa, não pesa na administração são-paulina.
Duvido muito que no Corinthians não se criem
jogadores tão bons como no São Paulo. A quantidade
de meninos bons de bola deve ser realmente grande no Timão.
Talvez esteja faltando um pouco mais de tato em saber trabalhar
com esses meninos. Assim que surgem, esses novos jogadores são
logo “fritados” - seja pela própria diretoria,
seja pela comissão técnica, seja, principalmente,
pela impaciente torcida. Como para todo jovem, deve-se dar tempo
e confiança. Do contrário, nada se cria.
Enquanto o São Paulo enche as burras de dinheiro
com bons jogadores, o Corinthians vai vivendo sua vidinha monótona
de encrencas e picuinhas; de alcovitices e destemperos; de bagunça
e desordem. Sim, esse Corinthians amador é o que todos nós
conhecemos...
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