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Beagá, 15 de março de 2003 d.C.
 
O verdadeiro Corinthians
Por Obdulio Rimet
 

O Corinthians está voltando a ser o bom e velho Corinthians de antigamente: administração amadora, pitacos e mais pitacos de torcedores que não têm mais o que fazer além de incomodar, um time fraco e, como sempre, sem estádio. Esse sim é o Corinthians que conhecemos. Não aquele vencedor de alguns anos atrás, que montava verdadeiros esquadrões, quando gerenciado por um grupo norte-americano. Aquilo era ilusão. Fumaça pura.

O resultado de tudo isso é que num Paulista fraco, em que somente o Santos se destaca como realmente uma grande equipe, o Timão (que de timão, hoje, só tem o apelido, e olhe lá) só não caiu graças ao profissionalismo do São Paulo. Se não fosse o São Paulo vencer o Juventus, o diabo, que já é grande, seria muito maior para os alvinegros.

Aliás, se formos analisar a trajetória de um em relação ao outro, percebe-se que a distância administrativa é quilométrica. O clube do Morumbi está anos-luz a frente do time de Parque São Jorge no quesito gerenciamento. Enquanto o Tricolor consegue há anos gerar dentro do próprio clube verdadeiras safras de jogadores e, melhor ainda, ídolos, alguém aí se lembra do último bom jogador criado dentro do Corinthians?

Ronaldo. Pois é, há 16 anos surgia o último ídolo criado dentro do Parque São Jorge, o goleiro Ronaldo - quando me refiro a ídolo, é ídolo mesmo, não um jogador que a torcida goste, como Gil. De lá para cá, para se ter um ídolo dentro do clube, o Corinthians só teve uma solução: buscar nas prateleiras de outros clubes - vide Neto, Marcelinho Carioca, Gamarra, Ríncon, Luizão e tantos outros.

Agora o São Paulo. Depois de um período de entressafra entre Cilinho, que formou a geração de Muller, Silas, Edimar, Sidney, os chamados “Menudos do Morumbi”, e Telê, muita gente foi criada nos campos do CT da Barra Funda. Cafu, Juninho Paulista, Denílson, França, Cacá, Luiz Fabiano, Fábio Simplício, Júlio Baptista... Além de outros jogadores que acabaram não se tornando ídolos, mas que são bons: André Luís, Caio, Dodô... Tudo fruto de um bom trabalho de garimpo e, principalmente, de se saber dilapidar, da maneira correta, essas verdadeiras pepitas de ouro.

A revelação de jogadores virou para o São Paulo um mercado cíclico. O São Paulo investe nas categorias de base para, depois, fazer dinheiro. E isso acaba sustentando o clube para que continue investindo em outros meninos, para depois vendê-los, novamente, por outro bom dinheiro. E assim caminha a coisa. Isso, mesmo quando o São Paulo vende seus jogadores por preços menores do que valem, como no caso de Cacá, o futuro melhor jogador do mundo, vendido por apenas US$ 8 milhões. Uma cifra pequena. Mas que, por ter dinheiro em caixa, não pesa na administração são-paulina.

Duvido muito que no Corinthians não se criem jogadores tão bons como no São Paulo. A quantidade de meninos bons de bola deve ser realmente grande no Timão. Talvez esteja faltando um pouco mais de tato em saber trabalhar com esses meninos. Assim que surgem, esses novos jogadores são logo “fritados” - seja pela própria diretoria, seja pela comissão técnica, seja, principalmente, pela impaciente torcida. Como para todo jovem, deve-se dar tempo e confiança. Do contrário, nada se cria.

Enquanto o São Paulo enche as burras de dinheiro com bons jogadores, o Corinthians vai vivendo sua vidinha monótona de encrencas e picuinhas; de alcovitices e destemperos; de bagunça e desordem. Sim, esse Corinthians amador é o que todos nós conhecemos...

 
Obdulio Rimet é correspondente do ABACAXI ATÔMICO em Curitiba. E-mail: obdulio@abacaxiatomico.com.br.

 

 

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