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Beagá, 18 de agosto de 2003 d.C.
 
Estádio dos artistas
Por Obdulio Rimet
 

Cada vez mais me convenço de que, no futebol, o mais chato é o próprio futebol. Sabe aquela teoria dos americanos de que o "soccer" é monótono, sem graça, pois quase nunca há pontos, ou seja, gols? Concordo em gênero e grau. Em termos competitivos, basquete, vôlei, handebol ou qualquer outro tipo de esporte coletivo é muito mais interessante. Mas o interesse também é limitado, não ultrapassa as quatro linhas da quadra. No futebol, não. No futebol, muito mais do que os jogadores, os torcedores são os atores principais.

Não existe torcedor como o que freqüenta estádios de futebol. Uma vez tentei acompanhar uma partida de vôlei... Fui embora no primeiro set. Primeiro, porque não vendiam cerveja no ginásio. E assistir a qualquer esporte a seco, sem algo pra molhar a garganta, não dá. Segundo, porque a torcida é um bando de adolescentes de 14, 15 anos, espinhudas, chatas, fãs do J. Quest e do LS Jack e que ficam berrando no teu ouvido feito umas galinhas que o Zezinho e o Pedrinho são lindos. Oras, se querem ver homens bonitos, que vão a um desfile de moda... Coisa mais sem originalidade!

No futebol, tudo se transforma. Naquelas partidas horríveis, em que a bola é maltratada do começo ao fim, o melhor a se fazer é prestar atenção na reação dos torcedores, principalmente a dos tiozinhos. É uma fonte de risos sem tamanho. Sempre têm aqueles que jogam o copo de chope no campo ou que dão uma de seu Madruga e pisam no boné - que, aliás, vive encardido de tanto ser pisado.

Fora as personalidades. Você sempre encontra algum cover de um artista, jogador ou político. Sábado mesmo tive a honra de assistir à vitória magra do meu Coritiba sobre o Juventude ao lado de personalidades do nível de Odair José, Cazuza e Arnaldo Jabor. Os dois últimos ficaram fulos da vida com a comparação (o Jabor, inclusive, fechou a cara e não quis revelar qual seria o teor de seu comentário no Jornal Nacional daquele dia...). Mas também não tiveram coragem de enfrentar a massa, pois sabem que é aí que o pessoal pega no pé mesmo. Já o Odair José cover não só assumiu a semelhança como ainda deu uma palhinha do clássico "Pare de Tomar a Pílula" especialmente pra galera. Tudo no estilo "Fala Aê", o melhor quadro de programas esportivos do mundo. Agora, vai falar pra uma daquelas cocotinhas do vôlei que ela se parece com a Mônica do gibi...

 
Obdulio Rimet é correspondente do ABACAXI ATÔMICO em Curitiba. E-mail: obdulio@abacaxiatomico.com.br.

 

 

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