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Cada
vez mais me convenço de que, no futebol, o mais chato é o próprio
futebol. Sabe aquela teoria dos americanos de que o "soccer" é monótono,
sem graça, pois quase nunca há pontos, ou seja, gols? Concordo em
gênero e grau. Em termos competitivos, basquete, vôlei, handebol
ou qualquer outro tipo de esporte coletivo é muito mais interessante.
Mas o interesse também é limitado, não ultrapassa as quatro linhas
da quadra. No futebol, não. No futebol, muito mais do que os jogadores,
os torcedores são os atores principais.
Não
existe torcedor como o que freqüenta estádios de futebol. Uma vez
tentei acompanhar uma partida de vôlei... Fui embora no primeiro
set. Primeiro, porque não vendiam cerveja no ginásio. E assistir
a qualquer esporte a seco, sem algo pra molhar a garganta, não dá.
Segundo, porque a torcida é um bando de adolescentes de 14, 15 anos,
espinhudas, chatas, fãs do J. Quest e do LS Jack e que ficam berrando
no teu ouvido feito umas galinhas que o Zezinho e o Pedrinho são
lindos. Oras, se querem ver homens bonitos, que vão a um desfile
de moda... Coisa mais sem originalidade!
No
futebol, tudo se transforma. Naquelas partidas horríveis, em que
a bola é maltratada do começo ao fim, o melhor a se fazer é prestar
atenção na reação dos torcedores, principalmente a dos tiozinhos.
É uma fonte de risos sem tamanho. Sempre têm aqueles que jogam o
copo de chope no campo ou que dão uma de seu Madruga e pisam no
boné - que, aliás, vive encardido de tanto ser pisado.
Fora
as personalidades. Você sempre encontra algum cover de um artista,
jogador ou político. Sábado mesmo tive a honra de assistir à vitória
magra do meu Coritiba sobre o Juventude ao lado de personalidades
do nível de Odair José, Cazuza e Arnaldo Jabor. Os dois últimos
ficaram fulos da vida com a comparação (o Jabor, inclusive, fechou
a cara e não quis revelar qual seria o teor de seu comentário no
Jornal Nacional daquele dia...). Mas também não tiveram coragem
de enfrentar a massa, pois sabem que é aí que o pessoal pega no
pé mesmo. Já o Odair José cover não só assumiu a semelhança como
ainda deu uma palhinha do clássico "Pare de Tomar a Pílula" especialmente
pra galera. Tudo no estilo "Fala Aê", o melhor quadro de programas
esportivos do mundo. Agora, vai falar pra uma daquelas cocotinhas
do vôlei que ela se parece com a Mônica do gibi...
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