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| Beagá,
Segunda, 23 de dezembro de 2002 d.C. |
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A fila tem um a menos Por
Caboclo Alaranjado Por muito pouco o Santos deixou de ser campeão brasileiro. E não foi só porque o Corinthians virou a decisão em dez minutos, pouco antes do apito final. E também não foi só porque Diego saiu machucado logo no início do jogo, sentindo uma contusão que devia deixá-lo de fora da partida. Já faz algum tempo que a torcida santista vem gritando muitos "ufas" tanto quanto ela vem comemorando gols. Até a metade do campeonato, o Santos disputava de igual pra igual com o São Paulo (e até com uma certa vantagem sobre o tricolor) o título de "time-espetáculo". Tanto é que o jogo entre as duas equipes na primeira chave foi um marco, um divisor de águas particular. Para os são-paulinos, foi a primeira de uma seqüência de vitórias que se estendeu até o fim das 25 rodadas, e que deu o primeiro lugar à equipe na fase de classificação, com todos os méritos. Para o Santos, foi o início de uma agonia. O time começou a perder pontos preciosos e descer degraus na tábua de classificação. A passagem entre os oito primeiros, que antes parecia tão incontestável, se tornara uma incógnita. E ainda houve incidentes como aquele com a Polícia Militar aqui em Belém, no jogo contra o Paysandu, que chegou a evidenciar uma imaturidade dos jogadores, uma falta de controle emocional indispensável para um grande time. Talvez esse tenha sido um momento chave para a nova ascensão do time da Vila no campeonato. A classificação para o mata-mata não deixou de ser sofrida. Foi só na última rodada, e, só por causa de uns golzinhos a mais no saldo, o Santos ficou com a oitava vaga, no lugar do Cruzeiro. Nas quartas-de-final, a verdadeira decisão antecipada: um novo jogo contra o São Paulo. Foi aí que o Peixe mostrou quem deveria ter sido o primeirão, o melhor da primeira fase. Na semifinal contra o Grêmio-carne-de-pescoço, mais uma demonstração de força e talento. Sobre a decisão, seria preciso um capítulo à parte. O baile na primeira partida foi incontestável, mas foi no jogo final que se viu a maior concentração de "ufas" por bocas de torcedores. O primeiro minuto, não só com a saída de Diego, mas com a elástica defesa de Fábio Costa (não lembro exatamente de quem foi a cabeçada), foi um trailler de um filme de terror projetado na cabeça de cada santista. O gol de Robinho foi o prenúncio de um final feliz, mas assim como no bom cinema, no bom futebol um roteiro nunca é tão previsível. E a reviravolta na trama começou exatamente no primeiro grito de "é campeão!" nas arquibancadas do Morumbi. Os dois gols do Corinthians foram como aquelas seqüências de suspense de roer as unhas. O time de Parreira era traiçoeiro e, como um daqueles vilões do cinema, poderia acabar com o mocinho e frustrar cada espectador. Mas como ia ser difícil devolver o dinheiro dos milhares de torcedores do Peixe, o happy ending foi inevitável. Nos garotos da Vila sobrou toda a frieza e equilíbrio que faltou na partida aqui em Belém do Pará. E saíram os dois gols, porque título conquistado com derrota tem tanta graça quanto beber Coca Cola sem gás. Parabéns ao Santos, campeão brasileiro com todos os méritos.
Nessa conquista do Santos, um jogador tão essencial quanto Robinho foi o goleiro Fábio Costa. Se não fosse ele, o Peixe teria ido para o intervalo com uns três gols de desvantagem. Fábio Costa se esticou todo quando foi preciso, deu bronca quando foi preciso e até partiu para a briga quando foi preciso. Mesmo os dois gols que ele levou no segundo tempo foram elementos necessários para a emoção no final da partida, que chegou ao máximo com a virada e a vitória santistas.
Frase de Diego numa entrevista após o jogo: - Depois desse título, dinheiro nenhum me tira do Santos. Vamos só esperar pra ver quanto tempo esse pensamento vai durar.
A equipe da Globo é chegada nuns micos durante as transmissões. E na final do Brasileirão não foi diferente. Logo nos primeiros minutos de jogo, foi só aparecer a imagem de Diego com a mão na coxa para que o "doutor" Galvão Bueno gritasse com toda a sua "experiência" em medicina esportiva: - É distensão! É uma distensão! Não demorou muito para que Casagrande, que não é médico mas teve alta rodagem nos DMs da vida nos tempos de jogador, desmentisse o nosso grande narrador: - Se fosse uma distensão, o Diego não conseguiria nem tentar entrar em campo. Deve ser uma contratura ou um estiramento. Tentando disfarçar o erro e ainda dar uma de entendido, Galvão tentou adivinhar o nome do músculo que Diego sentia: - É um estiramento no músculo adutor da coxa! Mais uma vez foi preciso que o Casão cortasse o barato do fã número 1 de Ronaldinho: - Não, Galvão, o músculo adutor não é aí. O Diego está sentindo o músculo posterior. Se você resolver montar um time de futebol e precisar de um médico, já sabe. É só ligar para a Central de Globo de Jornalismo e pedir o ramal da equipe de esportes.
Também deve ter sido constrangedor na hora do Show do Intervalo, quando Falcão e Galvão tentavam contar quantas vezes o Robinho tinha passado os pés por cima da bola no lance do pênalti. O Falcão disse que tinha contado oito vezes, o Galvão seis. No tira-teima, naquele monitor que eles riscam com os dedos (parece aquelas pequenas lousas cor-de-rosa de brinquedo!), nenhum dos dois conseguiu contar o número certo. Só pra usar o recurso tecnológico, o ex-craque do Inter rabiscou uns lances incompreensíveis bem em cima do Robinho enquanto contava. O narrador mais inteligente do mundo não perdoou: - Risca do lado, Falcão, pra gente ver direito. Impagável.
Pelo menos em uma coisa eu concordo com o "doutor" Galvão. Durante a transmissão de Corinthians x Santos, ele não parava de fazer apologia à permanência do mata-mata no formato do campeonato brasileiro. A frase símbolo dessa campanha foi genial: - Final é o maior barato! É Galvão, eu também acho! |
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