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| Beagá,
Segunda, 25 de novembro de 2002 d.C. |
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Canja de Galo Por
Caboclo Alaranjado Meu Deus, que jogo foi aquele? Oito gols, quase 80 mil pessoas no Mineirão... Inesquecível para todo mundo, principalmente para os torcedores do Galo, que amargaram uma surra histórica dentro de casa e viram as chances do time passar para a semifinal se transformarem num item de carta para Papai Noel. A vitória do Corinthians em Belo Horizonte foi incontestável. Com uma equipe que tem bem o estilo do estrategista Carlos Alberto Parreira, o Timão aproveitou os momentos certos para destruir taticamente o Atlético, com uma meiúca impecável (que já começa a lembrar aquela inesquecível dos tempos de 98 e 99, com Ricardinho, Rincón e Vampeta) e uma tarde fantástica do artilheiro Deivid. Só que o Galo não foi presa tão fácil assim, pelo menos em determinados instantes da partida. Depois de levarem 2x0, os atleticanos tiraram do fundo da alma aquela energia típica dos mordidos e empataram o jogo em menos de dois minutos, ainda no primeiro tempo. E a referência do time é mesmo o faz-tudo Mancine, que mostrou ser mais perigoso do que muito centroavante que se acha matador. Se o cara não ficar entre os três melhores da Bola de Ouro da revista Placar, eu me aposento. Contra fatos não há argumentos. E contra tantos gols de desvantagem não há otimismo. Há sonho e utopia. Sem desmerecer a torcida e os jogadores do Atlético, mas a melhor coisa a se fazer é enrolar a bandeira alvinegra e torcer pra não pegar o Corinthians numa partida decisiva em 2003... E fica aqui uma aposta-desafio: se o Galo arrancar a classificação para as semifinais lá em São Paulo, eu assino a coluna da semana que vem como Caboclo Cor de Rosa. Fechado?
Jogão também na Vila Belmiro. Sempre torci pra que São Paulo e Santos só se enfrentassem na final deste Brasileirão. Foram os times que mais impressionaram em campo este ano, e que fizeram uma das melhores partidas da primeira fase. A vitória do Peixe foi absolutamente normal, mas é bom ninguém cantar classificação antes da hora. O ataque do Tricolor é um dos mais perigosos do campeonato e tem tudo pra reverter a vantagem santista nesse jogo de volta. Aposto numa passagem do time de Kaká e Luís Fabiano para a semifinal.
E o Fluminense, hein? Parece ter espantado de vez o Gasparzinho do ABC paulista. Eu sempre achei o São Caetano um time frouxo, que chegava às cabeças da tabela comendo quieto, mas na hora de decidir gelava, meio que fazendo jus à empresa que patrocina o clube. E eu sempre digo que contra um time que tem Romário, não há retrospecto ou qualquer tipo de previsibilidade lógica que dê jeito. A fatura ainda não está liquidada, mas se o Flu for eliminado será uma injustiça. Interessante é que o Renato Gaúcho está reescrevendo a história dele como treinador do Tricolor. Na última vez que ele assumiu o cargo em 1996, o clube caiu para a série B. Quando o Fluminense veio jogar aqui em Belém, há duas semanas, perguntei ao amigo do Romário o que ele achava dessa diferença tão grande entre os dois momentos. Renato respondeu que o rebaixamento era uma lembrança que ele não queria mais ter, nem para fazer uma comparação com uma realidade boa como a de hoje. Pra frente é que se olha, não é, Portaluppi?
O clássico gaúcho nas quartas-de-final é a maior barbada desse Brasileirão. Um amigo meu resumiu bem a situação: "o Grêmio é o time mais macho do Brasil em partidas de mata-mata". Contra o Juventude, a história das Libertadores passadas e das Copas do Brasil dos últimos anos deve se repetir.
A Segundona se prepara para uma decisão das mais empolgantes. Criciúma e Fortaleza estrearam nas semifinais com grandes vitórias fora de casa. Os catarinenses fizeram 1x0 no Santa Cruz no Recife. E os cearenses, acima de qualquer expectativa, humilharam o Jundiaí no interior paulista por 6x1. Se a lógica for confirmada nos jogos de volta, os dois times estarão na primeira divisão em 2003. Nada mais justo. Na primeira fase, o Criciúma foi o primeiro lugar, e o Fortaleza foi o segundo. Os catarinenses não perderam uma partida sequer jogando em casa e os cearenses têm o melhor ataque da competição. O ponto alto do Criciúma é a defesa forte, com destaque para o goleiro Fabiano, uma verdadeira muralha daquelas que dá raiva de ver jogar num time que não é o nosso. Já o Fortaleza tem os endiabrados atacantes Clodoaldo e Finazzi, que já arrasaram uns e outros times com goleadas. Pra quem puder acompanhar o jogo pela TV (Sky, Premiere Sports), vale cada centavo do pay-per-view e cada grão de milho da pipoca. |
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