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| Beagá,
Segunda, 11 de novembro de 2002 d.C. |
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Complexo B - o medo que os grandes clubes têm da segunda divisão Por
Caboclo Alaranjado Agora sim é reta final. Todas as partidas do Brasileirão jogadas até aqui são um passado distante. As atenções estão voltadas para as duas últimas rodadas, quando retrospecto, desempenho na competição e mando de campo vão para as cucuias e deixam de ser critério para definir favoritismo. E mais do que a definição dos oito classificados para as quartas-de-final, o que vem atraindo os holofotes da imprensa esportiva e das torcidas é a briga da zona de rebaixamento. Nos últimos anos, já vem se tornando tradição: pelo menos um clube grande vai bater ponto lá entre os lanternas do campeonato brasileiro. Mas em 2002 a coisa evoluiu, e nada menos que cinco times considerados grandes enxergam bem de perto o fantasma da série B no apagar das luzes da competição. Botafogo, Flamengo, Palmeiras, Bahia e Internacional. Clubes que, juntos, têm quatorze títulos brasileiros no currículo e provavelmente vivem os momentos mais difíceis de suas histórias. E que vêem no rebaixamento para a segunda divisão o fundo do poço, evitável através de uma virada de mesa. Mas será que uma passagem pela Segundona não faria bem para esses times? Se uma equipe termina entre as últimas de um campeonato é porque faltou alguma coisa: o planejamento certo para a temporada ou qualidade do elenco ou até mesmo sorte. E se um desses fatores (ou os três juntos) aconteceu, é porque o time não merece estar na "elite", certo? A segunda divisão serviria, então, como uma espécie de estágio para que os clubes que erraram a mão pudessem corrigir os erros e planejar os acertos, com o objetivo de voltar a ser um dito grande. Sobram exemplos recentes para comprovar isso. O bi-rebaixado Fluminense, que foi roer osso na série C e, depois que subiu de volta, não viu mais a cor da sarjeta e ainda podia ter sido campeão brasileiro no ano passado, se a semifinal contra o Atlético Paranaense não fosse decidida em jogo único na Arena da Baixada. Sport Recife e Criciúma, que hoje estão na Segundona, preparam um retorno merecido à primeira divisão. Pernambucanos e catarinenses montaram daqueles "times pra ganhar campeonato", arrasaram os adversários na primeira fase e chegam ao mata-mata, ao lado do Fortaleza, como favoritos ao título. E o próprio campeonato brasileiro da segunda divisão, nos últimos anos, vem mostrando que há muito tempo não é mais aquele pesadelo de antes. Um formato nacionalizado, com todos os times jogando entre si, jogos transmitidos pela TV em canal fechado, ajuda de custo da CBF e da televisão e uma média de público bem razoável. O Sport, campeão das arquibancadas na série B, tem uma média de 12 mil torcedores por jogo, melhor do que muitos clubes da série A. Isso sem falar nos grandes jogos, que quanto mais decisivos melhores ficam. Vale lembrar o quadrangular final da Segundona do ano passado que, depois de cinco rodadas de partidas inesquecíveis (se alguém acompanhou Caxias 4x3 Paysandu sabe do que estou falando), chegou à ultima jornada com as quatro equipes empatadas em número de pontos, todas com chance de conseguir o acesso. Este ano, de acordo com o que os números estão mostrando, pelo menos dois membros do Clube dos Treze serão obrigados a fazer esse estagiozinho obrigatório no "Brasileirinho" do ano que vem. Fica a nossa torcida para que a CBF faça valer a justiça e não jogue no lixo o plano do calendário quadrienal e a moral do futebol brasileiro.
Falando em série B, a competição chega à última rodada praticamente definida. Das oito vagas para as quartas-de-final, seis já têm dono. Criciúma, Fortaleza, Sport, Santa Cruz, Avaí e Jundiaí. Para as outras duas, estão na briga o América Mineiro, o CRB (que por sinal jogam entre si em BH), o Mogi Mirim e o meu time do coração, o Remo. Na ponta de baixo da tabela, quatro times já têm passagem marcada para a série C em 2003: Bragantino, XV de Piracicaba, Guarany de Sobral e Sampaio Corrêa. Mas a disputa que promete pegar fogo é a pra não ficar com as duas vagas que sobram. Nada menos que oito times, entre eles o Caxias e o Americano, estão vendo a série C em 2003 bem de perto.
Ainda na segunda divisão. Não é porque é o meu time, mas o Remo foi vítima de uma palhaçada do Departamento de Arbitragem da CBF. Ao final do jogo Remo x Ceará em Belém, o juiz maranhense Luiz Gonzaga (não confundir com o rei do baião) escreveu na súmula que o estádio Baenão não oferecia condições de jogo, mesmo que neste jogo não tivesse acontecido NENHUM incidente que justificasse isso. E o árbitro levou o caso à Confederação Brasileira. Resultado: o Remo perdeu o mando de campo da última partida, justamente quando vai decidir uma vaga nas quartas-de-final. Mas isso não é o pior. Sabem quem foi escalado pra apitar essa partida? O mesmo Luiz Gonzaga que prejudicou os remistas nos bastidores. Depois, quando se fala em perseguição ninguém leva a sério...
Pegando o gancho da coluna da semana passada, aqui vai mais uma da briga entre "civilizados" e "selvagens". No jogo entre Paysandu e Fluminense, no Mangueirão, houve um tumulto pouco depois do segundo gol do time de Belém. O jogador Jóbson, do Papão, e o técnico Renato Gaúcho, do Flu, foram expulsos. O treinador ainda insistiu em continuar no campo e, só depois que o árbitro impôs sua autoridade, saiu fazendo gestos de que estava sendo roubado. Só no fim do jogo, pôde-se entender aqueles gestos. Em entrevista à TV Cultura do Pará, Jóbson disse que, depois que o Fluminense levou o segundo gol, Renato Gaúcho estava chamando os jogadores do Paysandu de marginais. |
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