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Durante
muito tempo, a Confederação Sul-Americana de Futebol foi atuante
numa causa: dois clubes do mesmo país não podiam, em hipótese alguma,
decidir o título da Taça Libertadores. Chegar a uma semifinal juntos
também, nem pensar. No máximo, poderiam se enfrentar nas quartas-de-final.
Talvez o objetivo fosse evitar com que as finais ficassem cada vez
mais polarizadas entre brasileiros, argentinos e uruguaios, além
de garantir aquele gostinho de rivalidade nas fases decisivas.
Essa
estratégia serviu mais para facilitar a vida dos times de países
menos expressivos do que de proporcionar duelos entre titãs nas
decisões. Ainda bem que ela acabou há quatro anos com o aumento
do número de clubes participantes (e talvez do bom senso dos cartolas).
A ojeriza aos confrontos entre compatriotas acabou e a credibilidade
da tabela também.
Só
que em 2003 o que sempre foi tecnicamente impossível está bem próximo
de acontecer. O gostoso risco de ver dois brasileiros decidindo
o título só não é mais festejado porque existem chances reais de
que os quatro semifinalistas da Libertadores sejam brazucas. Uma
possibilidade respaldada não só pela arrumação da tabela (que só
prevê jogos entre brasileiros na fase semifinal), mas pela própria
qualidade que os clubes nacionais vêm demonstrando na competição.
Grêmio
e Santos, com todos os méritos, já estão classificados para as quartas-de-final.
Os gaúchos fizeram valer o bom estigma de time copeiro e chutaram
pra bem longe os paraguaios do Olímpia, atuais campeões, com estrondosos
3x0. Três também foi um número determinante para a classificação
do Santos, mas ao invés de gols foram três cobranças defendidas
pelo goleiro Fábio Costa na decisão por pênaltis contra o Nacional
do Uruguai.
Esta
semana é a vez de Corinthians e Paysandu decidirem suas vagas. O
bom é que nenhum dos dois precisa de um resultado teoricamente improvável
para avançar na competição. Tá certo que o Timão perdeu o primeiro
jogo para o River Plate, mas uma vitória por dois gols de diferença
em casa é amplamente possível. O caso do Paysandu é, como estaria
numa canção que Renato Russo não escreveu por falta de tempo, mais
complicado e mais fácil ao mesmo tempo. Complicado, porque apesar
da histórica vitória na Bombonera e da vantagem do empate, o Boca
Juniors é o time mais forte que os brasileiros já enfrentaram na
Libertadores de 2003. O que facilita para o Papão são duas coisas.
1) Paysandu x Boca é o jogo mais importante da vida de cada um dos
onze titulares e sete reservas do Paysandu. E 2) O Mangueirão se
prepara para receber um público recorde na quinta-feira. Mais de
50 mil torcedores dispostos a fazer com que a Bombonera sinta o
significado do próprio nome: uma caixinha de bombons. E dos mais
vagabundos.

Aliás,
na coluna da semana que vem, prometo um relato completo de Paysandu
e Boca Juniors, o jogo do século para os torcedores de Belém. O
clima da cidade, a guerra de nervos, as declarações (polêmicas ou
não) e a análise do jogo. Até lá!

E o
Palmeiras, hein? Com o time vagabundo que tem nas mãos, o Jair Picerni
só deve manter o estigma de eterno vice-campeão se conferirmos a
tabela da Segundona de baixo pra cima.
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