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Beagá, 12 de maio de 2003 d.C.
 
Libertadores do Brasil
Por Caboclo Alaranjado
 

Durante muito tempo, a Confederação Sul-Americana de Futebol foi atuante numa causa: dois clubes do mesmo país não podiam, em hipótese alguma, decidir o título da Taça Libertadores. Chegar a uma semifinal juntos também, nem pensar. No máximo, poderiam se enfrentar nas quartas-de-final. Talvez o objetivo fosse evitar com que as finais ficassem cada vez mais polarizadas entre brasileiros, argentinos e uruguaios, além de garantir aquele gostinho de rivalidade nas fases decisivas.

Essa estratégia serviu mais para facilitar a vida dos times de países menos expressivos do que de proporcionar duelos entre titãs nas decisões. Ainda bem que ela acabou há quatro anos com o aumento do número de clubes participantes (e talvez do bom senso dos cartolas). A ojeriza aos confrontos entre compatriotas acabou e a credibilidade da tabela também.

Só que em 2003 o que sempre foi tecnicamente impossível está bem próximo de acontecer. O gostoso risco de ver dois brasileiros decidindo o título só não é mais festejado porque existem chances reais de que os quatro semifinalistas da Libertadores sejam brazucas. Uma possibilidade respaldada não só pela arrumação da tabela (que só prevê jogos entre brasileiros na fase semifinal), mas pela própria qualidade que os clubes nacionais vêm demonstrando na competição.

Grêmio e Santos, com todos os méritos, já estão classificados para as quartas-de-final. Os gaúchos fizeram valer o bom estigma de time copeiro e chutaram pra bem longe os paraguaios do Olímpia, atuais campeões, com estrondosos 3x0. Três também foi um número determinante para a classificação do Santos, mas ao invés de gols foram três cobranças defendidas pelo goleiro Fábio Costa na decisão por pênaltis contra o Nacional do Uruguai.

Esta semana é a vez de Corinthians e Paysandu decidirem suas vagas. O bom é que nenhum dos dois precisa de um resultado teoricamente improvável para avançar na competição. Tá certo que o Timão perdeu o primeiro jogo para o River Plate, mas uma vitória por dois gols de diferença em casa é amplamente possível. O caso do Paysandu é, como estaria numa canção que Renato Russo não escreveu por falta de tempo, mais complicado e mais fácil ao mesmo tempo. Complicado, porque apesar da histórica vitória na Bombonera e da vantagem do empate, o Boca Juniors é o time mais forte que os brasileiros já enfrentaram na Libertadores de 2003. O que facilita para o Papão são duas coisas. 1) Paysandu x Boca é o jogo mais importante da vida de cada um dos onze titulares e sete reservas do Paysandu. E 2) O Mangueirão se prepara para receber um público recorde na quinta-feira. Mais de 50 mil torcedores dispostos a fazer com que a Bombonera sinta o significado do próprio nome: uma caixinha de bombons. E dos mais vagabundos.

Aliás, na coluna da semana que vem, prometo um relato completo de Paysandu e Boca Juniors, o jogo do século para os torcedores de Belém. O clima da cidade, a guerra de nervos, as declarações (polêmicas ou não) e a análise do jogo. Até lá!

E o Palmeiras, hein? Com o time vagabundo que tem nas mãos, o Jair Picerni só deve manter o estigma de eterno vice-campeão se conferirmos a tabela da Segundona de baixo pra cima.

 
Caboclo Alaranjado é correspondente do ABACAXI ATÔMICO em Belém. E-mail: caboclo@abacaxiatomico.com.br.

 

 

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