|
A Seleção
brasileira vive hoje a mais longa ressaca de um título mundial na
história do futebol. Quase um ano depois da conquista do pentacampeonato,
ainda enchemos a boca para falar que somos os melhores do mundo.
O problema é que em campo o escrete não está ajudando a justificar
isso.
Desde
a final contra a Alemanha, em 31 de maio do ano passado, foram cinco
jogos disputados sem nenhuma vitória. Mas os fracassos sempre foram
escondidos por alguma euforia ou coisa que o valha. O primeiro amistoso
depois do triunfo na Ásia, contra o Paraguai, foi o "jogo de entrega
de faixas" e a despedida do técnico Felipão. O Brasil perdeu? Sem
problema, afinal os campeões do mundo éramos nós... O jogo seguinte,
contra a Coréia do Sul, foi uma homenagem a Zagallo, que comandaria
a Seleção pela última vez. Um gol no finalzinho salvou os brasileiros
da derrota e ainda rendeu um baita abraço de todo o grupo no Velho
Lobo. Uma festa só...
Depois,
Parreira assumiu e continuou mantendo nas convocações a base do
time que ganhou o penta. Na estréia, empatou com a China. Zebra?
Péssimo resultado? Não... A equipe ainda se adaptava ao novo comandante
e, para piorar, o Rivaldo ainda estava abalado psicologicamente
por uma crise conjugal. Então veio o jogo contra a Seleção portuguesa,
o primeiro adversário realmente forte depois da Copa. Os "tugas"
venceram por 2x1 e, como nas outras partidas, não faltaram desculpas:
o técnico do outro lado era o Felipão, o time português tinha crescido
muito depois do Mundial, o polêmico Deco realmente joga muita bola...
Agora,
arranjar uma desculpa para o raquítico 0x0 contra o México é como
mexer um pino para o lado num jogo de xadrez chinês: não ajuda em
nada. É hora de reconhecer que ainda o planejamento para o pós-penta
(se é que ele existe) está equivocado. O que dá a entender é que
a intenção da CBF é de manter os pentacampeões na Seleção mesmo
que isso signifique arranjar encrenca com Deus, o mundo e os grandes
clubes europeus. E olha que já se foi o tempo em que os melhores
jogadores brasileiros eram, disparados, aqueles que jogavam fora
do país.
A certeza
é que a Seleção jogou mal, perdeu jogos e passou vexame enquanto
isso ainda era aceitável. A partir do segundo semestre a coisa muda,
com a Copa das Confederações e as traiçoeiras Eliminatórias da Copa.
E como o Galvão Bueno costuma dizer, a disputa pelo título na Alemanha-2006
começa agora. É a hora de chamar novas caras, apostar em talentos
recentes e começar a formar o time que vai brigar pelo hexa. Matéria-prima
para isso não falta.

Falando
em renovação na Seleção brasileira, parece que alguns jogadores
do novo time da moda estão começando a ser visados. Uma fonte ligada
ao Paysandu garante que o clube recebeu telefonemas da CBF pedindo
informações sobre os meias Wélber e Iarley, destaques do Papão na
Taça Libertadores. Os dois, por sinal, participaram do programa
do Milton Neves no último domingo. Sinal de que, contrariando o
que o meu confrade Obdulio Rimet fala, a mídia nacional está se
rendendo ao time paraense.

À parte
do sobe-desce no pelotão intermediário do campeonato brasileiro,
três clubes se mantêm revezando nas três primeiras posições: Internacional,
Atlético Mineiro e Cruzeiro. Um que não é campeão brasileiro há
24 anos, outro que morre na praia há mais de 30 temporadas e um
outro que nunca levantou a taça. Pra quem gosta de times diferentes
ganhando o título a cada ano, é uma boa, não?


Fiz
valer a minha condição de correspondente do ABACAXI ATÔMICO e estive
presente no GP Brasil de Atletismo, realizado no último domingo
aqui em Belém. Pude tirar duas conclusões:
1)
Os vencedores dessas etapas do Grand Prix não podem reivindicar
pra si os títulos de "melhores do mundo" em suas respectivas modalidades.
São pouquíssimos os atletas que se inscrevem, e o critério não é
necessariamente o de qualidade técnica. É sempre aquela história:
participa quem quer e quem pode ($$$). Provavelmente espantados
com a distância, boa parte das grandes estrelas do atletismo mundial
nem veio para o Brasil.
2)
Esse é um dos eventos esportivos mais difíceis de se fazer uma cobertura
jornalística in loco. Isso porque se você quiser acompanhar
prova por prova, tem que fazer uma baita ginástica. As competições
acontecem simultaneamente em diversas partes do estádio. Por exemplo,
quando você está ligado na última série de tentativas do salto em
distância, perde a chegada dos 100 metros rasos. Benditos computadores
e bendita sala de imprensa!
Bem,
análises à parte, os brasileiros se saíram muito bem na competição.
Jadel Gregório, do salto triplo, conquistou a medalha de ouro com
a marca de 16,89m. O curioso é que o gigante Jadel, que tem 2,02m
de altura, ganhou do segundo colocado por apenas 1 insignificante
centímetro.
Mas
a grande estrela do GP foi Maurren Higa Maggi. A musa do atletismo
brasileiro (e, desde o ano passado, queridinha do público de Belém)
atingiu os 6,80m no salto em distância e ficou com a medalha de
ouro. Ela é uma das poucas atletas brazucas que já atingiram índice
para os Jogos Pan-Americanos. Aliás, no Pan de Santo Domingo, Maurren
vai brigar pelo bicampeonato. Se depender da torcida de Belém, o
título já é dela!

|