Foram 45 rodadas de bons jogos, ótimas
surpresas e uma disputa cabeça a cabeça pela liderança.
Mas quem iria imaginar que, no apagar das luzes, quem decidiria
o campeonato brasileiro seria um clube que só se livrou da
ameaça de rebaixamento na penúltima rodada? Para a
alegria do megalomaníaco Eurico Miranda, o Vasco é
quem vai fazer a diferença no momento em que o Brasil conhece
o seu campeão de futebol em 2004.
A torcida do Atlético Paranaense já se preparava
para costurar a segunda estrelinha dourada na camisa. Promoveu uma
caravana rumo a São Januário, convicta de que tudo
daria certo para que o Furacão conquistasse o bi. Mas uma
tarde de apavoramento generalizado, que foi desde a retenção
dos ônibus dos torcedores atleticanos até o tumulto
do ambiente do time rubro-negro nos vestiários, resultou
na derrota do Atlético para o Vasco. Um resultado, de certa
forma, até menos inesperado que o passeio do Santos sobre
o São Caetano no Anacleto Campanella.
Agora, na última rodada, o Vasco pega o Santos, que está
com a taça na mão e depende apenas da própria
vitória. Há quem diga que a mala preta já circula
pelos bastidores vascaínos e que o time carioca estaria “aditivado”
para facilitar o jogo que consolidaria o título do Peixe.
Conhecendo a índole do presidente do Vasco, não é
difícil imaginar essa possibilidade. Mas também não
é improvável achar que os cruzmaltinos podem endurecer
no jogo decisivo para que Euricão possa bradar aos quatro
ventos o quanto o Vasco é grande e que foi ele quem apontou
o campeão brasileiro de 2004.
Após o fim do jogo em São Januário, Eurico
Miranda saiu esbravejando e pedindo que se respeitasse o Vasco.
Pelo jeito, a torcida atleticana tem que fazer mais que isso nos
próximos dias. Tem que respeitar e torcer com todas as forças.

Alguém concorda com a teoria da conspiração
propagada pelos torcedores do Santos, que diz que a Globo quer o
Atlético Paranaense campeão?

O Brasiliense confirmou a trajetória mais impressionante
do futebol brasileiro nos últimos anos (mais até que
a do São Caetano) e conquistou a Segundona com méritos.
Agora, já são dois títulos nacionais (este
e a série C de 2002) nas últimas três temporadas,
além do vice da Copa do Brasil em 2002. Por mais que seja
cria de um político e empresário comprovadamente desonesto
(o senador Luiz Estevão), é de tirar o chapéu
a maneira que a parte financeira do clube é administrada.
O que o Brasiliense economiza em salários (que são
medianos, mas estão sempre em dia), gasta nos bichos por
vitórias. O lado ruim é que lá vem mais um
time sem torcida para a série A, como se já não
bastasse o Azulão...

O Fortaleza foi guerreiro e ficou com a segunda vaga, decidida
no confronto direto com o Avaí na última rodada. Que
bom que pelo menos um time do Nordeste conseguiu subir. O campeonato
ficaria muito sem graça se fosse limitado a clubes do Sul
e do Sudeste, com o aditivo de Brasiliense, Goiás e Paysandu.
Só espero que o Leão cearense não suba pra
fazer feio, como fez em 2003. |