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Beagá, 13 de dezembro de 2004 d.C.
 
Decisão do Brasileiro 2004
Por Caboclo Alaranjado
 

Foram 45 rodadas de bons jogos, ótimas surpresas e uma disputa cabeça a cabeça pela liderança. Mas quem iria imaginar que, no apagar das luzes, quem decidiria o campeonato brasileiro seria um clube que só se livrou da ameaça de rebaixamento na penúltima rodada? Para a alegria do megalomaníaco Eurico Miranda, o Vasco é quem vai fazer a diferença no momento em que o Brasil conhece o seu campeão de futebol em 2004.

A torcida do Atlético Paranaense já se preparava para costurar a segunda estrelinha dourada na camisa. Promoveu uma caravana rumo a São Januário, convicta de que tudo daria certo para que o Furacão conquistasse o bi. Mas uma tarde de apavoramento generalizado, que foi desde a retenção dos ônibus dos torcedores atleticanos até o tumulto do ambiente do time rubro-negro nos vestiários, resultou na derrota do Atlético para o Vasco. Um resultado, de certa forma, até menos inesperado que o passeio do Santos sobre o São Caetano no Anacleto Campanella.

Agora, na última rodada, o Vasco pega o Santos, que está com a taça na mão e depende apenas da própria vitória. Há quem diga que a mala preta já circula pelos bastidores vascaínos e que o time carioca estaria “aditivado” para facilitar o jogo que consolidaria o título do Peixe. Conhecendo a índole do presidente do Vasco, não é difícil imaginar essa possibilidade. Mas também não é improvável achar que os cruzmaltinos podem endurecer no jogo decisivo para que Euricão possa bradar aos quatro ventos o quanto o Vasco é grande e que foi ele quem apontou o campeão brasileiro de 2004.

Após o fim do jogo em São Januário, Eurico Miranda saiu esbravejando e pedindo que se respeitasse o Vasco. Pelo jeito, a torcida atleticana tem que fazer mais que isso nos próximos dias. Tem que respeitar e torcer com todas as forças.

Alguém concorda com a teoria da conspiração propagada pelos torcedores do Santos, que diz que a Globo quer o Atlético Paranaense campeão?

O Brasiliense confirmou a trajetória mais impressionante do futebol brasileiro nos últimos anos (mais até que a do São Caetano) e conquistou a Segundona com méritos. Agora, já são dois títulos nacionais (este e a série C de 2002) nas últimas três temporadas, além do vice da Copa do Brasil em 2002. Por mais que seja cria de um político e empresário comprovadamente desonesto (o senador Luiz Estevão), é de tirar o chapéu a maneira que a parte financeira do clube é administrada. O que o Brasiliense economiza em salários (que são medianos, mas estão sempre em dia), gasta nos bichos por vitórias. O lado ruim é que lá vem mais um time sem torcida para a série A, como se já não bastasse o Azulão...

O Fortaleza foi guerreiro e ficou com a segunda vaga, decidida no confronto direto com o Avaí na última rodada. Que bom que pelo menos um time do Nordeste conseguiu subir. O campeonato ficaria muito sem graça se fosse limitado a clubes do Sul e do Sudeste, com o aditivo de Brasiliense, Goiás e Paysandu. Só espero que o Leão cearense não suba pra fazer feio, como fez em 2003.

 
Caboclo Alaranjado é correspondente do ABACAXI ATÔMICO em Belém. E-mail: caboclo@abacaxiatomico.com.br.

 

 

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