| Romário sobrevive hoje muito
mais do auê da imprensa do que de boas atuações.
Foi notícia na semana passada não por ter feito gols
espetaculares, mas por uma declaração relativamente
polêmica. Digo “relativamente” porque foi induzida
por um jornalista e não totalmente movida pela espontaneidade
do Baixinho. Aquela história de que “sou o melhor desde
a geração de 70” saiu de uma provocação
de repórter e virou tema de debate em rodinhas de bar e programas
esportivos de rádio e TV. As pessoas que acompanham futebol
se dividem entre “os que querem a aposentadoria de Romário”
e “os que desejam a continuidade da carreira de Romário”.
Armando Nogueira é um sólido defensor da permanência
do atacante do Fluminense no esporte. Juca Kfouri, se não
me engano, é um dos que preferem que o craque pare o quanto
antes.
Sou fã do Romário. Acompanhei os grandes
momentos dele no Barcelona, que precederam o tetracampeonato mundial
nos Estados Unidos. Vi o Baixinho se sobressaindo naquela ruindade
que era o time do Flamengo entre 95 e 96. Fiquei desapontado quando
ele foi cortado da Copa de 98. Vibrei com o “ressurgimento”
dele com trocentos gols pelo Vasco em 2000 e 2001. Até fiquei
maldizendo o Felipão pela não inclusão do artilheiro
na lista de convocados para a Copa de 2002.
Apesar disso tudo, acho que Romário é
um jogador que não deveria mais estar em evidência.
Não pelo fator “qualidade”, mas pelo fator “perfil”.
Ele é o tipo de jogador que nenhum técnico queria
ter no time. Exige regalias que alimentam a desagregação
em qualquer equipe. Treina quando quer e viaja separado do resto
do grupo quando quer. Faz visitas quase constantes ao departamento
médico do clube. Assim não tem cofre que agüente
bancar um jogador tão caro.
No campeonato brasileiro, Romário jogou menos
da metade das partidas do Fluminense. Das 34 rodadas disputadas
até 2 de outubro, entrou em campo em apenas 12. Ainda assim,
é o artilheiro do Flu na temporada, com 14 gols (incluindo
aí os jogos por outras competições). Talvez
aí esteja o motivo para a diretoria tricolor continuar apostando
nele.
Ninguém deixa de ser fora de série
de uma hora pra outra, mas não dá pra esperar mais
de um jogador que, ultimamente, bate mais ponto no estaleiro do
que no gramado. A melhor coisa que o Baixinho pode fazer, se quiser
realizar o maior sonho da sua carreira e chegar aos mil gols, é
imitar um ex-ídolo do Flamengo que critica abertamente. Zico,
depois de se aposentar no Brasil, ainda jogou diversas temporadas
no Japão, onde se tornou figura importante para a consolidação
do futebol profissional. Quem sabe no Oriente, com adversários
mais fracos em todos os sentidos, Romário possa voltar a
dar shows de verdade. Isso ele sabe fazer muito bem. Ou sabia.
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